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23/08/2008 07:42

Uso indiscriminado de meperidina para tratamento da dor

Agência Notisa

Uso indiscriminado de meperidina para tratamento da dor pode ser reduzido através de intervenção multidisciplinar junto a médicos

Estudo realizado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, conseguiu reduzir em 35% o consumo da substância e convenceu 87% dos médicos a optar pela morfina.



Glasgow – Embora a substituição da meperidina pela morfina no controle da dor seja recomendada por especialistas da área, boa parte dos médicos brasileiros não segue tal orientação e faz um uso indiscriminado da substância para este fim. A boa notícia é que um estudo brasileiro apresentado durante o 12º Congresso Mundial sobre Dor, que está sendo realizado em Glasgow, Escócia, concluiu que, através de uma abordagem multidisciplinar junto aos profissionais que receitam tal medicação, é possível mudar a conduta dos médicos prospectivamente e, inclusive, convencê-los a alterar a prescrição antes mesmo do início do tratamento.



A pesquisa, realizada no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, teve como objetivo criar estratégias para reduzir efetivamente o uso de meperidina no controle da dor e provocar uma troca automática do opióide (meperidina por morfina) tendo como base as diretrizes da área. De acordo com Ana Carolina Lopes, uma das autoras do estudo e enfermeira da instituição, o grupo de pesquisa de pesquisa, do qual participaram também dois médicos e um farmacêutico, recebia um aviso toda vez em que a meperidina era prescrita através do sistema de controle do hospital. A partir de tais alertas, a equipe buscava conversar com o médico responsável pela prescrição, explicando que a substância não é uma boa opção e sugerindo substituição por morfina. Nos casos em que o médico não era encontrado, a equipe deixava uma carta junto ao prontuário com as mesmas informações. “Com essa metodologia, foi possível verificar quantos médicos, dentre os que eram contatados, aderiram efetivamente à rotina de mudar para outra medicação”, explica.



Para avaliar melhor o impacto da intervenção, o grupo quantificou também a mudança no consumo anual da meperidina. Os resultados mostraram que, entre 2006 e 2007, houve uma redução de 35% do consumo da substância. Já a adesão dos médicos ao aconselhamento feito pelos pesquisadores ficou em torno de 87%, número considerado excelente por Ana Carolina Lopes. “No final do estudo, o consumo mensal caiu de 600 ampolas por mês para algo em torno de 300”, comemora.




Além de ser mais tóxica, a meperidina tem um o efeito analgésico de apenas 2h de duração, período após o qual começa a acumular um metabólito chamado normeperidina, que é um irritante do sistema nervoso central e cuja atuação no organismo (meia-vida) dura entre 14 e 21 horas, podendo a chegar a 30 horas.“A vantagem da morfina é que ela apresenta uma meia-vida de 4h, ou seja, uma ação mais duradoura, e não tem um metabólito que tenha uma ação tão negativa para o organismo. Ela apresenta efeitos adversos, como toda medicação, mas são reversíveis”, pontua.



Na opinião da enfermeira, infelizmente, há um consumo exagerado de meperidina no país. “Como eu sempre explico, essa é uma questão cultural. No Brasil, a substância foi utilizada por longo tempo, e a morfina ainda é uma medicação que muitos têm medo de utilizar”, diz. Ela conta que, durante o congresso, conversou com alguns pesquisadores de outros países e, de acordo com os relatos, este não é um problema muito comum em outras partes do mundo. “Como o Hospital Albert Eisntein é uma instituição de referência, nós esperamos que a experiência positiva apresentada nesse trabalho repercuta no restante no Brasil. Além disso, em geral, os médicos que trabalham conosco também atendem pacientes em outros locais e, provavelmente, vão levar consigo a nova cultura de tratamento”, destaca.




Agência Notisa (jornalismo científico - science journalism)

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