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08/12/2004 14:35

Uso de álcool por adolescentes precisa ser retardado

Agência Notisa

Tempo em que criança com arma na mão era cena de guerra fundamentalista é passado. A realidade da violência como pertencente ao cotidiano dos jovens é cada vez mais comum no Brasil. Um estudo da Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria (Volume 26 nº1), resolveu investigar as raízes desse problema: que drogas internos da Febem (atual Fase/RS) consumiam antes de caírem na criminalidade? Qual a primeira droga consumida, a que inicia todo o processo de violência?

Para responder a essas perguntas, os pesquisadores abordaram 382 internos da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor do Rio Grande do Sul (Febem/RS), com idades entre 10 e 20 anos, alfabetizados, capazes de ler e preencher os questionários que foram aplicados. Entre os objetivos das perguntas estavam identificar a prevalência do uso de drogas entre esses jovens, avaliar o uso associado de substâncias lícitas, como álcool e tabaco, com drogas ilícitas, além de verificar qual foi a primeira droga ilícita utilizada por esses internos.

Segundo o estudo, entre os jovens institucionalizados, as substâncias mais experimentadas foram o álcool (81,3%), tabaco (76,8%), maconha (69,2%), cocaína (54,6%), solventes (49,2%), ansiolíticos (13,4%), alucinógenos (8,4%), anorexígenos (6,5%) e barbitúricos (2,4%). “Pesquisas internacionais têm demonstrado que o uso de substâncias psicoativas está relacionado com a delinqüência. Por outro lado, adolescentes com problemas de conduta apresentam maior probabilidade de uso de drogas, as quais contribuem para a manutenção e a escalada em atividades delinqüentes”, ressalta o texto.

Somado a isso, em torno de 80% dos entrevistados afirmaram já ter usado alguma droga ilícita. Os estudiosos afirmam que outros “levantamentos sobre consumo de drogas entre crianças em situação de rua, albergadas em abrigos especiais não-governamentais, de seis capitais brasileiras revelaram que o uso experimental de drogas, além do álcool e tabaco, fica em torno de 90%”.

Mas um dado que chamou atenção dos pesquisadores foi o fato de que, entre os entrevistados que referiram o uso de tabaco, 90% já usaram álcool, 86,6% maconha, 69,5% cocaína e 61,3% inalantes. Assim, de acordo com a pesquisa, “a chance de um usuário de tabaco usar experimentalmente álcool, maconha, cocaína ou solventes foi seis a 10 vezes maior do que a de um não-usuário de tabaco”. O estudo ressalta que, apesar da legislação brasileira proibir a venda e distribuição de bebidas alcoólicas e tabaco a menores de 18 anos, a maioria das crianças e adolescentes entrevistados não teve dificuldades para conseguir essas substâncias.

E essa relação entre o uso de drogas não pára por aí. Segundo o estudo, usuários de álcool têm até 11 vezes mais risco de serem usuários de solventes ou maconha do que os que não usaram álcool. Além disso, jovens fumantes têm dez vezes mais risco de serem usuários de maconha, e tanto o uso de álcool como o de tabaco aumentaram o risco de usar cocaína em até oito vezes. ”Quanto mais cedo o indivíduo iniciar o uso de álcool ou tabaco, maior será sua vulnerabilidade para o desenvolvimento de abuso ou dependência das mesmas substâncias e uso concomitante de drogas ilícitas”, afirma a pesquisa.

Já a primeira experiência com as drogas ilícitas ocorreu na faixa dos 13 aos 15 anos para a maioria dos entrevistados, sendo a maconha a primeira droga ilícita utilizada, seguida pelos solventes e pela cocaína. Quanto à pioneira no universo das drogas ilícitas, a pesquisa observou-se que seu uso foi maior no sexo masculino, que apresentou quatro vezes mais chance de usar maconha. “De acordo com a teoria de progressão do uso de drogas, os adolescentes envolvem-se inicialmente com o álcool, progridem para a maconha e, em uma terceira fase, para drogas mais pesadas, como a cocaína”, explicam os pesquisadores.

Na hierarquia das substâncias ilícitas usadas, a cocaína foi uma das últimas drogas a serem experimentadas pelos jovens, tendo sido também mais comum entre os meninos, que apresentaram três vezes mais chances de usar a droga do que o sexo feminino. Entre os usuários de cocaína, 83% estavam na faixa etária entre 16 e 20 anos, de acordo com os resultados da pesquisa.

O estudo lembra que em maio de 2002, no Rio Grande do Sul, a Febem foi extinta, passando a ser denominada Fundação de Atendimento Sócio-Educativo (FASE-RS). “Em função de a pesquisa ter sido realizada antes da alteração Febem/FASE, optamos por manter a nomenclatura Febem neste artigo. Os resultados deste estudo continuam aplicáveis aos grupos de crianças e adolescentes apoiados pelas instituições acima descritas”, afirmam os pesquisadores.

Na opinião dos estudiosos, a importância da pesquisa está nas observações de que os jovens institucionalizados revelaram que tanto o início do uso de substâncias como dos comportamentos de infração ocorrem em idade precoce. Tal realidade deveria fazer com que programas de prevenção fossem aplicados precocemente, antes dos 10 anos de idade e com condições adequadas aos ambientes de vida desses jovens. “A necessidade de retardar o uso de álcool e tabaco deve ser enfatizada, pois foram as drogas mais usadas e são consideradas porta de entrada para outras. Assim, a prevenção poderia refrear o uso inicial e regular tanto das drogas lícitas quanto as ilícitas e diminuir o uso de múltiplas drogas”, concluem os pesquisadores.


Agência Notisa (jornalismo científico - science journalism)

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