Cassilândia, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

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25/08/2015 12:00

Uma nova relação com a comida e o brincar podem aumentar batalhão de ex-gordinho

Saúde Plena

 

“Pulo corda, faço abdominal e flexão todos os dias. E agora baixei um aplicativo com séries de exercícios de força e cardio (cardiorespiratórios) que ajudam a emagrecer.” A frase é de um garoto que acaba de completar 11 anos, determinado a mudar uma realidade que demorou, mas começou a incomodar. Carmo Vitor Batista Ribeiro foi ganhando peso nos últimos anos, sem que isso chamasse sua atenção. Não era o único em casa, onde uma alimentação desequilibrada e um desinteresse por exercícios e esportes eram a realidade. Quando entrou no escotismo e teve dificuldades para acompanhar os colegas, a coisa mudou. “Não aguentava correr e aí começou a 'zoação'. Percebi que estava muito gordinho e falei com minha mãe que queria emagrecer”, lembra.

A televisão passou a disputar espaço com a natação. E depois, com o futebol e a academia. Carmo descobriu o prazer de se exercitar. Descobriu também o prazer de superar um desafio e se transformar. “Antes, estragava a brincadeira, porque era o único que não aguentava correr. Agora, até respiro melhor. Também comia muita bobagem. No almoço, enchia o prato, e repetia. No lanche, comia pão com muita manteiga, presunto e 'toddy' preto. Quando penso como era, me assusto. Diminuí bastante a quantidade, como devagar e me sinto satisfeito. Agora, as roupas estão mais larguinhas. As pessoas notam que emagreci. Minha vida mudou, mas ainda quero chegar no meu peso ideal”, comemora.

Carmo está fazendo sua parte para sair de estatísticas alarmantes. Segundo dados do Sistema Nacional de Indicadores em Direitos Humanos, divulgados este ano pelo Governo Federal, 20% dos adolescentes brasileiros estão com excesso de peso. Na faixa etária entre 5 e 9 anos, uma a cada três crianças pesa mais do que deveria. Nos menores de 5 anos, o índice é de 7,3%. Os indicadores revelam o quadro de transição nutricional brasileiro, com um declínio das prevalências de desnutrição infantil e o aumento das prevalências de excesso de peso. Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), que criou a Comissão para o Fim da Obesidade Infantil, trata-se de um dos maiores problemas de saúde no mundo, já que as crianças obesas podem, no futuro, desenvolver doenças graves.

GENÉTICA

O comportamento contribui para esse quadro e é também o recurso para enfrentar outro vilão da obesidade: a genética. Segundo o nutrólogo Mauro Fisberg, coordenador do Centro de Dificuldades Alimentares do Instituto Pensi/Hospital Infantil Sabará e professor do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, a obesidade é uma doença genética modificada pelo meio ambiente. Isso significa que há uma tendência genética para seu desenvolvimento, desencadeado por um desbalanceamento na alimentação e atividade física. A relação não é de causa e efeito. Filhos de casais acima do peso têm uma probabilidade de também o serem, mas intervenções nos fatores não genéticos podem mudar o curso.

O Saúde Plena ouviu diversos especialistas sobre como mudar esse destino a partir de uma ressignificação da alimentação e da atividade física na vida dessas crianças. Estudos recentes revelam que uma intervenção multidisciplinar, em que a obesidade infantil é vista como um problema multifatorial, tem mostrado os melhores resultados. O processo das crianças é também muito diferente daquele enfrentado pelos adultos que lutam contra a balança. Mas uma questão é comum a todos os casos de crianças que precisam perder peso: a família precisa “emagrecer” junto. Só seu envolvimento no processo pode garantir o sucesso na mudança de hábitos dessas crianças.

Família unida emagrece mais
O acompanhamento dos pais estimula a criança na busca por hábitos saudáveis e facilita o enfrentamento da obesidade e de suas repercussões negativas

A obesidade infantil começa antes mesmo de a criança nascer. Segundo o pediatra e nutrólogo Mauro Fisberg, se 51% da população brasileira está acima do peso, a chance de duas pessoas nessa situação se atraírem é muito grande. “E a criança desse casal, possivelmente, terá uma combinação de fatores favoráveis à obesidade.” Mas muitos outros aspectos estão envolvidos na gênese do problema. O ganho de peso da mãe na gestação (a média nacional é de 16kg), o tipo de parto e de amamentação (estudos já demonstraram que o leite materno e o parto normal previnem o excesso de peso) tudo influencia. Prematuridade também.

Se o bebê é prematuro e tem peso muito baixo, é grande a chance de, durante a recuperação, no primeiro ano de vida, ele ser superalimentado tanto pelos profissionais quanto pela família. Se não é prematuro, mas nasceu com baixo peso, também tende a incorporar calorias mais facilmente porque nosso organismo não foi feito para passar fome e usará mecanismos para armazenar essa energia. “Até aqui, então, nada é culpa da criança e também não pode ser considerado culpa da família. Mas pode ser culpa da genética. E é necessária maior orientação dos profissionais de saúde em todas as fases: da gestação ao adolescente”, defende Fisberg.

A introdução dos alimentos nos primeiros meses de vida pode ser outro fator de risco para o excesso de peso. “Se a criança comer alimentos inadequados para a faixa etária e não houver um equilíbrio, sua alimentação já começou errada desde cedo e, nessa época, não há atividade física para ajudar. Esse início da vida é essencial no desenvolvimento dos hábitos, das preferências por sabores. Se a família não tem limites e não sabe controlar isso quando a criança ainda é um bebê, é grande a chance de ela comer mal, engordando ou tendo carências alimentares. Família com conduta inadequada pode levar tanto à desnutrição quanto à obesidade”, alerta.

TRADIÇÃO Para a psicóloga Valéria Tassara, especialista em atendimento sistêmico de famílias e redes sociais, mestre em ciências da saúde da criança e adolescente e autora do livro Obesidade na infância e interações familiares: uma trama complexa (Coopmed), as questões psicológicas se articulam com questões familiares, sociais, culturais e econômicas. “Não tem como pensar um problema isolado do contexto das relações. Vemos a família como um sistema, com vários elementos em interação. A forma como os pais, avós e tios compartilham valores e crenças pelas gerações em relação à comida vai afetar a relação das crianças com a alimentação”, explica.

Daí a necessidade de as famílias passarem pelo processo de aquisição de hábitos saudáveis com as crianças. Hadassa Batista Rocha, às vésperas de completar 9 anos, tem apoio total em seu processo de perda de peso. O pai virou o companheiro das aulas de tênis, na qual ela descobriu o prazer em se exercitar. A mãe está emagrecendo junto: já perdeu 23 quilos desde que a família decidiu encarar o desafio em conjunto. Hadassa perdeu seis. Mas nem sempre houve essa cooperação. A mãe de Hadassa, a empresária Renata Batista Guimarães Rocha, de 35, reconhece que a menina tinha acesso facilitado à comida antes da reeducação alimentar.

Antes, a alimentação não era tão saudável. A menina também tinha dinheiro e liberdade para escolher o lanche na escola. Fora os mimos da avó. “Perdi o controle. Enfrentar essa situação é muito difícil”, lamenta a mãe, que já tinha ido a outros profissionais não havia encontrado ajuda eficiente. Mas nem tudo pode ser justificado com a alimentação. “Antes, ela brincava muito. Os dois últimos anos, em que ganhou mais peso, coincidem com uma maior ligação com a tecnologia. Percebei que ela estava mais preguiçosa. Comprei um cachorro e ela agora corre atrás dele o dia todo. Estamos animados com as transformações. Vida nova por aqui”, anima-se.

Tempo de tela As crianças estão se movimentando menos porque gastam seu tempo diante das telas. Um estudo recente demonstrou que ter um eletrônico dentro do quarto, como televisão ou computador, aumenta em até três vezes a chance de ganho de peso. O Brasil é hoje o campeão mundial em tempo de tela, variável que mede o quanto cada pessoa fica exposta à atividade sedentária em um aparato eletrônico como TV, computador, tablet e videogame. O celular não foi considerado no ranking, o que torna o dado, já alarmante, subestimado. Artigo publicado na Revista Paulista de Pediatria constatou que a média diária de tempo de tela é de quatro horas.

Opção pela responsabilidade: Frederico Costa Greco - Mestre em direito e coordenador do Núcleo de Mediação de Conflitos da Faculdade Batista de Minas Gerais

A obesidade infantil pode ser considerada uma negligência parental?

Vivemos um novo modo de fazer ciências, que busca ligações de sentido em todas as ações de todas as relações. Isso permite uma compreensão mais profunda de determinado contexto. Nessa perspectiva, a relação com os pais pode ser um dos diversos fatores a influenciar um caso de obesidade infantil. Esse paradigma também se volta para o que, de fato, ocorre na realidade da vida. Dependendo do caso, é possível notar ações ou omissões de pais que contribuem para a obesidade do filho. Uma mãe pode, por exemplo, por receio e temor da violência, e até mesmo involuntária ou inconscientemente, superproteger o filho, mantendo-o em casa com atividades que não exigem esforço físico ou maiores interações sociais. Isso pode contribuir, futuramente, para o ganho de peso da criança. Ao buscarmos o sentido das ligações das relações em uma situação concreta não visamos encontrar culpados, mas sim ligações do que contribuiu para o estado atual das coisas. A ideia é a de que as famílias que passam por dificuldades, como a da obesidade infantil, não busquem culpados, mas contribuições e modos de transformação da situação.

De acordo com a legislação, quais são os deveres dos pais em relação à nutrição das crianças?

As famílias, a sociedade e o Estado devem zelar pela proteção integral da criança e do adolescente: esse é um princípio constitucional. Nesse sentido, as famílias devem proporcionar aos filhos padrões alimentares saudáveis, que, de fato, contribuam para um crescimento saudável em todos os sentidos. Devem cuidar para que o filho tenha uma alimentação balanceada, sem excessos ou desequilíbrios, para se desenvolver em todo o seu potencial. Pela legislação, esse é um dever de todo e qualquer pai ou mãe, ou outro familiar responsável.

Estado e profissionais da área de saúde também podem ser responsabilizados?

Eles também são responsáveis; porém, assim como familiares, devem assumir suas responsabilidades voluntária e solidariamente, na medida em que os problemas ocorram, e não serem responsabilizados por terceiros, com punições e correções. A ideia é que todos possam se responsabilizar e não serem responsabilizados. Nessa perspectiva, responsabilidade é algo que se escolhe e não algo que se impõe. O ideal é que cada membro da família e cada servidor do Estado aprenda a se responsabilizar pelo que protegerá a criança em todos os sentidos.

Transformando vidas
Esportes, brincadeiras e reeducação alimentar são indispensáveis na luta contra a obesidade infantil. Intervenção multidisciplinar tem potencializado resultados

“Aprendi com minha avó que criança tem que comer de tudo e repetir.” Não foi uma, duas ou três vezes que a psicóloga Valéria Tassara, coordenadora do setor de psicologia do Hospital Infantil São Camilo, ouviu frases como essa, que revelam um padrão de relação da família com a comida. As crianças com sobrepeso ou obesidade, na opinião da especialista, são a “ponta de um iceberg”. Cuidar apenas da criança, portanto, não é o mais eficiente. Assim como não basta cuidar apenas do que ela come. “É preciso compreender e abordar o problema de forma ampliada. Se reduzirmos o olhar para a criança e seu processo fisiológico teremos um pensamento linear de causa e efeito que não ajuda a compreender a obesidade infantil de forma multidimensional”, defende.

Estudos revelaram que crianças que passam por uma intervenção em família e de forma multidisciplinar aderem melhor ao tratamento e às mudanças de hábitos. “O médico, o nutricionista e o psicólogo juntos podem alcançar a multidimensionalidade do fenômeno da obesidade e construir, em conjunto, as possibilidades de resolução”, explica. Assim funciona o grupo de Promoção da Saúde das Crianças, Adolescentes e Família do Hospital Infantil São Camilo. “Não nos ocupamos somente da saúde das crianças. O importante são as mudanças de atitude de toda a família. Se os problemas se constituem juntos, nas relações, as soluções também precisam passar por todos. Não se trata de culpar a família, mas sim de compartilhar responsabilidades”, explica Tassara.

A educação alimentar é uma função da família, mas ela vem sendo influenciada pelo estilo de vida contemporâneo, marcado pelo consumismo. Os pais saem para trabalhar e não têm mais a oportunidade de fazer as refeições com os filhos. De noite, chegam tarde e não encontram ânimo para preparar uma alimentação equilibrada. “Assim, sentem uma dívida com a criança e acabam cedendo às vontades delas de comerem o que querem, gastarem o tempo da forma que preferirem. Infelizmente, acham que estão alimentando as crianças afetivamente”, diz Tassara. Para a psicóloga, problematizar a obesidade no seio dessas famílias é essencial para encontrar uma possibilidade de solução.

ATENÇÃO PRECOCE

Descobrir um culpado não definirá o enfrentamento do problema, mas os pais não podem se isentar das responsabilidades. Segundo a endocrinologista Flávia Pieroni, coordenadora do programa Fitkids do Instituto Mineiro de Endocrinologia, que atua de forma multidisciplinar, com endocrinologista, nutricionista, psicólogo e educador físico, a maioria das crianças já chega em um grau muito avançado. A médica tem, por exemplo, pacientes de 6 anos já com colesterol alto, hipertensão e alteração na glicose. “Quase todas as crianças que atendo chegam já com sobrepeso ou obesidade. Mas elas podiam ser encaminhadas pelos pediatras assim que o peso passasse o esperado para a idade”, defende.

Esse olhar precoce facilitaria a perda de peso. “Na criança obesa, precisamos estimular a perda de peso. Naquela com sobrepeso, podemos tentar a manutenção, já que, com o crescimento, ela pode atingir a relação peso X altura normal”, explica. Por ter metabolismo mais alto que o de um adulto, os pequenos têm maior possibilidade de gasto energético, desde que estimuladas a se exercitarem. “O mais importante é mudar o pensamento e a relação da criança com a comida. Queremos que elas cresçam saudáveis, que adquiram bons hábitos. Quanto mais precocemente enfrentarem o problema com o peso melhor para toda sua vida. Mudar hábitos aos 5 anos é mais fácil que mudar aos 60. Na infância, temos a melhor oportunidade para melhorar a expectativa de peso futura”, defende.

CONTROLE EM DIA

Não é raro que, em determinada idade, os pais passem a levar os filhos ao pediatra só quando esse adoece. Esse descuido pode tirar dessa família um alerta importante, já que o especialista acompanha a curva de crescimento das crianças, identificando alterações. Segundo Antônio José das Chagas, presidente do Comitê de Endocrinologia Pediátrica da Sociedade Mineira de Pediatria e professor aposentado da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, também é importante atuar no comportamento da sociedade. “A obesidade é uma doença crônica grave. As pessoas precisam se conscientizar de que ela está crescendo em função dos maus hábitos da população.

Com a Campanha Nacional de Prevenção à Obesidade na Infância e Adolescência, a Sociedade Brasileira de Pediatria chama também a atenção dos especialistas para a curva de crescimento e peso. “Naqueles casos em que a criança ganhou mais peso do que o esperado, é imprescindível alertar a família sobre os riscos. Os pais precisam entender que isso é grave e exige uma alteração o quanto antes. A criança com 5 anos e seis quilos mais pesada que o normal para a sua idade, em 85% dos casos será um adulto obeso. Se a criança não chega obesa na adolescência, e se o adolescente não chega obeso na vida adulta, temos uma chance de mudar essa realidade”, explica.

Quanto mais lúdico melhor

A abordagem multidisciplinar, como defendida pelo Instituto Mineiro de Endocrinologia, por meio do Fitkids, e pelo Hospital Infantil São Camilo, pode facilitar o processo de mudanças de hábitos. O lúdico também. A nutricionista materno-infantil Alice Carvalhais tem ajudado muitas crianças a comer melhor com o seu projeto Alice no País das Comidinhas. Entre as opções de abordagem estão a Oficina Culinária, quando ela vai à casa da criança ensiná-la a preparar lanches saudáveis, e o Um Dia Com a Nutri, com visitas ao sacolão, supermercado e restaurantes, sempre com lições de escolhas mais adequadas. Guilherme, de 7 anos, trocou os sucos industrializados e bolinhos de chocolate por biscoitos integrais e frutas.

Segundo a mãe, Cíntia de Matos Martelo, de 28, ele começou a ganhar peso quando ela, preocupada porque ele voltava para casa com a merenda, cedeu e começou a mandar guloseimas para ele não ficar sem comer. Alice defende uma maior preparação dos pais e tem ensinado a eles como introduzir os melhores alimentos. “Muitos erram sem perceber, com a intenção de ajudar. Muitas mães já entregam para o filho o leite com achocolatado, sem nem saber se a criança preferiria o leite puro”, alerta.

Brincar é preciso
Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar detectou que apenas 30% dos escolares são ativos, ou seja, praticavam 300 minutos ou mais de atividade física por semana

Pesquisas mostram que brincadeiras comuns da infância estão associadas favoravelmente com o controle e redução do peso. Por outro lado, essas atividades sofrem forte concorrência de uma série de hábitos sabidamente relacionados ao sedentarismo. Segundo Marconi Gomes da Silva, cardiologista e médico do esporte, presidente da Sociedade Mineira de Medicina do Exercício e do Esporte (Smexe), o aspecto positivo que merece destaque é o fato das crianças relacionarem os exercícios físicos à atividade lúdica (brincadeiras), o que deve ser valorizado e estimulado pelos educadores em saúde. “As brincadeiras podem diminuir o tempo de ociosidade das crianças e adolescentes e poderão entrar no “banco de horas” das atividades físicas praticadas nessa faixa etária”, sugere.

A orientação é a prática de atividade física diária, de no mínimo 60 minutos, em intensidade moderada a vigorosa, devendo incluir atividades que fortaleçam músculos e ossos. “Esse é tempo mínimo de exercícios físicos recomendado às crianças e adolescentes justamente por ser um período de formação da osteomuscular e do desenvolvimento neurológico, psicológico e motor. A atividade pode ocorrer no contexto de brincadeiras, jogos, esportes, trabalho, transporte, recreação, educação física ou estar prevista em algum tipo exercício programado e sistematizado (aulas de futebol, tênis, basquete, natação etc). Será nessa fase que se construirá a base de uma vida saudável”, explica o especialista.

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