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01/07/2013 16:50

Uma estratégia de negócios para salvar Brasília e o Brasil

Marcos Morita

Imagine a situação. Você foi contratado para fazer o diagnóstico em uma instituição centenária, com capital 100% brasileiro e sede em Brasília, cuja imagem encontra-se arranhada e desgastada, detectada em pesquisas realizadas em âmbito nacional. Sua estrutura é burocrática, hierárquica, centralizada, fechada e pouco transparente, cuja ênfase está nas regras e procedimentos. O foco de seu trabalho, por sua vez, parece ser mais interno, em defesa dos próprios interesses, que externo, avaliando e propondo soluções às demandas de seus clientes.

Outro indicador decepcionante encontrado foi com relação à produtividade por executivo, considerada baixa por qualquer prisma que se considere. Como exemplo, em uma área de vendas este critério pode ser medido através do faturamento, lucro ou margem per capita. Talvez a culpa esteja em seu sistema de remuneração que não incentiva a premiação por resultados, ou seja, tanto faz apresentar ou não resultados que o gordo contracheque estará garantido no final do mês.

Não bastasse a falta de cobrança e os altos salários para o padrão brasileiro, a lista de benefícios é extensíssima: auxílio-moradia, carro alugado, tanque cheio, assistência médica ilimitada, contas em restaurantes, diárias em hotéis, passagens aéreas, dentre outros. Não há também descontos por atrasos ou faltas, as quais não precisam ser comprovadas por atestados ou preenchimento de formulários. Já é algo cultural os corredores da empresa estarem vazios as segundas e sextas-feiras.

Seu modelo de contratação e demissão é considerado único dentre as empresas avaliadas. Uma vez contratados, o que na empresa é realizado através de uma cerimônia de posse, tem garantidos quatro anos de carteira assinada, com possibilidades ínfimas de demissão, seja ou não por justa causa. Os casos de demissão voluntária são desconhecidos, o que não surpreende, considerando a relação custo versus benefício. Por fim, vale a pena mencionar a definição de posse: estado de quem possui uma coisa, de quem a detém como sua ou tem gozo dela.

Para gozar desta mamata não são necessários testes ou exames específicos, tampouco cursos de especialização, pós-graduação, mestrado ou experiência prévia. Já passaram por lá cantores, artistas, jogadores de futebol e até palhaços, com ou sem propostas ou objetivos definidos. Apesar do espaço democrático, tomar posse em uma cadeira não é nada fácil para os que não possuem popularidade conseguida em outros campos. Coligações, grupos de apoio e interesses, muitos interesses em jogo. O conflito entre público e privado é inevitável, assim como a ética, que caminha no fio da navalha.

Deitados em berço esplêndido estavam até as últimas semanas, empurrando com a barriga como se diz no ditado popular. Os movimentos das ruas mudaram tudo isso, ameaçando mexer no queijo conseguido a tão duras penas. Para manter o “status quo” foram obrigados a sair da zona de conforto, desengavetando, votando, aprovando ou reprovando medidas necessárias e urgentes. Não obstante a surpresa da mídia e da sociedade com a velocidade de resposta, nada mais fizeram que trabalhar duro como qualquer trabalhador que dizem representar.

Enfim, mudanças neste sistema são inevitáveis, sejam através de plebiscitos ou referendos, cujas discussões acaloradas envolvem juristas por todo o país. Como especialista em estratégias empresariais, esperaria que esta reforma política deixasse não só o Congresso, mas as instituições ora questionadas mais inovadoras, produtivas, abertas, modernas, flexíveis, vivas e extrovertidas, adaptando-se e ajustando-se rapidamente as demandas externas, o que passa necessariamente por uma revisão em seu modelo de gestão. Gostem ou não, senadores, deputados e vereadores deverão agir como os ratinhos Haw, Sniff ou Scurry, adaptando-se, agindo ou se antecipando às mudanças. A vida que tinham como o ratinho Hem, esperando pelo queijo, está com os dias contados. Assim esperam todos os brasileiros, estejam ou não protestando nas ruas.

Marcos Morita é mestre em Administração de Empresas, professor da Universidade Mackenzie e professor tutor da FGV-RJ. Especialista em estratégias empresariais, é colunista, palestrante e consultor de negócios. Há mais de quinze anos atua como executivo em empresas multinacionais.

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