Cassilândia, Terça-feira, 20 de Novembro de 2018

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23/10/2018 08:20

Um em cada 100 maços de cigarro 'pirata' no Brasil é apreendido em MS

Correio do Estado

Um em cada 100 maços de cigarro contrabandeados no Brasil foi apreendido, na média, em Mato Grosso do Sul no ano passado.

É o que aponta dados do Fórum Nacional Contra a Ilegalidade (FNCP) divulgados nesta segunda-feira (22) e que o Correio do Estado teve acesso.

No levantamento, que mostra pesquisas de hábitos de consumo de fumantes em todo o País e ações de combate desencandeadas pelas autoridades, é confirmado que o Estado é uma das principais portas de entradas de cigarros contrabandeados.

Mato Grosso do Sul terminou 2017, segundo levantamento da Ibope Pack Swap, com cerca de 454 milhões de maços de cigarros contrabanseados apreendidos pelas polícias estadual e Federal e outros órgãos de fiscalização.

No mesmo período, em todo o Brasil, esse número ficou em aproximdamente 45,3 bilhões das chamadas 'carteiras' apreendidas.

A liderança do Estado na comercialização de cigarros contrabandeados se dá, segundo o FNCP, pelo óbvio motivo da fronteira seca com o Paraguai, principal fornecedor desse tipo de produto ao País.

Ainda de acordo com o levantamento do Ibope, pelo menos quatro rodovias estaduais são constantemente alvos de apreensões de cigarros contrabandeados,MS-165, MS-385, MS-267 e MS-299, todas estradas menores de ligação das cidades na fronteira com vias federais que garantem o transporte a outros estados.

NA MÉDIA, MS É IMBATÍVEL

Com rotas abertas do maior produtor de cigarros contrabandeados, o Paraguai, Mato Grosso do Sul lidera, proporcionalmente, os índices de apreensões.

Em um ano, por exemplo, os números de apreensões quase dobraram, saltando de 257 milhões de maços em 2016 para os 454 milhões do último ano.

No mesmo período,o Brasil aumentou as apreensões de 41,4 bilhões de maços de 2016 para 45,3 bilhões no ano seguinte.

Os dados do Ibope apontam que o grande número de apreensões de cigarros contrabandeados interfere brutalmente na economia local e das empresas.

Em Mato Grosso do Sul, calcula-se que em 2017 que mais da metade do mercado do tabaco seja, 62%, seja formado pelos produtos contrabandeados ou de empresas clandestinas nacionais. Na Região centro-Oeste, esse índice fica em 43%. Em nível nacional, essa participação de mercado ficou em 48%.

Como efeito prático, o comércio ilegal de cigarros sem tributação fere as contas do Estado. Mato Grosso do Sul apresenta novamente índices proporcionais alarmantes na comparação com os nacionais. De R$ 30 milhões evadidos no pagamento de impostos em 2015, chegou-se a R$ 51 milhões no ano passado. Crescimento assustador de 72%. No Brasil, a perda em arrecadação foi de R$ 100 bilhões em 2014 para R$ 146 bilhões em 2017, alta de apenas de 12%.

Sonegação de impostos que deveriam ser arrecadados com cigarro ilegal seria suficiente para obras sociais importantes
Em maio, investigação conjunta de autoridades como o Ministério Público Estadual e a Corregedoria da Polícia Militar evidenciou que o contrabando de cigarros tem raízes profundas no Estado: 21 integrantes da corporação foram presos durante operação por envolvimento com quadrilhas de contrabandistas, acusados de facilitarem a circulação dos transportadores ou afrouxarem a fiscalização, incluindo comandantes de batalhões do interiro por onde cruzam algumas das estradas citadas nesta reportagem.

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