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10/03/2016 11:00

Treinos de estímulo podem combater transtornos da velhice

Educação Física.org

Um estudo da Faculdade de Medicina (FM) da USP mostrou que, independente da condição clínica, os idosos podem aumentar seu desempenho em testes de atenção, memória e velocidade de processamento após constantes treinos de memória e cognição.

A pesquisa da gerontóloga Paula Schimidt Brum buscou entender como os idosos saudáveis, e outros com Comprometimento Cognitivo Leve (CCL), respondiam a um treino que enfatizava duas estratégias de memorização: categorização para lista de supermercado e grifos para recordar textos.

“O objetivo do treino de memória era ensinar estratégias para que os participantes pudessem utilizá-la no cotidiano. A estratégia ajuda o participante a memorizar determinada informação facilitando sua recordação mesmo a longo prazo”, afirma a pesquisadora. O CCL é uma condição clínica em que a pessoa mostra prejuízo em uma ou mais das seguintes habilidades cognitivas: memória, atenção, raciocínio e velocidade de processamento.

Treinamentos e avaliações

Durante o desenvolvimento do estudo, a pesquisadora contou com a participação de 61 idosos, sendo 29 saudáveis e 32 com CCL. Todos com escolaridade acima de oito anos. Esses grupos foram aleatoriamente separados em dois subgrupos. “Dessa forma tínhamos, separadamente, idosos saudáveis que fizeram treino de memória, idosos saudáveis que não fizeram treino de memória, idosos com CCL que fizeram treino de memória, e idosos com CCL que não fizeram treino”.

Todos esses grupos realizaram três avaliações. A primeira, denominada pré-teste, foi realizada antes do início dos treinos. Um mês e uma semana depois, outra avaliação foi feita, denominada pós-teste. A terceira e última sondagem foi desenvolvida seis meses após a última avaliação, para analisar os efeitos de manutenção do treino.

“Os idosos que fizeram treino realizavam o pré-teste e faziam oito sessões de treino de memória, que aconteciam duas vezes por semana, totalizando um mês. Na semana seguinte faziam o pós-teste, que continha os mesmos testes realizados no pré-teste, porém com versões diferentes. Este mesmo grupo, após seis meses sem realizar treino de memória, voltava e realizava uma ultima avaliação, chamada de avaliação de manutenção”, descreve Paula.

As sessões de treinamento tinham duração de 90 minutos. A pesquisadora explica que “tanto as listas quanto os textos começavam com dimensões pequenas e iam aumentando ao longo das sessões”. Os encontros aconteciam em grupos de dez pessoas, que continham idosos saudáveis e com CCL misturados.

Segundo Paula, os benefícios do treino podem ser generalizados, uma vez que mesmo não treinando algumas habilidades, como velocidade de processamento, os idosos que fizeram treino acabaram mostrando aumento de desempenho nos testes. “Já os idosos que não fizeram treino mostraram desempenho constante ao longo das testagens”, completa.

A pesquisa ainda apontou que os efeitos do treino parecem se manter os mesmos a longo prazo tanto em idosos saudáveis quanto em idosos com Comprometimento Cognitivo Leve. “Isso significa que o treino realmente parece beneficiar ambas as populações e podem ser realizados uma vez a cada seis meses. Após esse tempo não sabemos se o efeito do treino ainda perdura”, afirma a pesquisadora.

Análises e surpresas

Parte dos testes do estudo estava voltada a analisar a memória subjetiva dos participantes, observando como era a percepção com relação à memória e cognição. As pesquisas envolvendo memória subjetiva mostram que esta é facilmente alterada com o treino, mas os resultados mostraram o contrário para esta população em específico.

“Acreditamos que talvez os idosos que realizaram o treino possam ter se tornado mais críticos e mesmo mostrando aumento de desempenho nos testes de memória objetiva ainda julguem sua memória da mesma forma”, cita a pesquisadora.

A pesquisadora acredita que treino é uma forma eficiente de prevenção de inúmeras doenças relacionadas à memória. “Temos mostrado que ele pode amenizar a progressão de uma doença neurodegenerativa e manter o desempenho cognitivo de idosos saudáveis. É um modo econômico de melhora na qualidade de vida dessa parte da população”.

Texto: Fernando Pivetti

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