Cassilândia, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

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31/01/2004 15:46

Traficantes operam livremente nos céus da Amazônia

Nelson Motta/reportagem especial ABr

A certeza dos traficantes que atuam no espaço aéreo da Amazônia na própria impunidade é tanta que põe em xeque o policiamento da Força Aérea Brasileira na região. Por saberem que, quando interceptados, não serão destruídos pelos aviões tucanos da FAB, os pilotos do tráfico desrespeitam os militares que os interrogam pelo rádio e fogem com o contrabando. Eles sabem que, no máximo, as autoridades darão tiros de aviso, já que a “Lei do Abate”, que permitirá o tiro de destruição, apesar de já aprovada pelo Congresso, ainda precisa ser regulamentada para entrar em vigor.

A audácia dos traficantes não tem limites: eles fecham as cortinas das janelas do avião e fazem gestos obscenos, ao serem interceptados pelos tucanos da FAB. Gravação registrada pela Polícia Federal (Veja a seguir em \"O diálogo da impunidade\"), mostra a conversa por celular, entre os bandidos que estavam em uma aeronave e seus comparsas em terra. O traficante em terra diz para o piloto da aeronave ficar calmo, pois o avião tucano só vai tirar foto. “Pode vir embora, eles só tiram foto, não atiram”, diz o traficante.

Indignado com o que ouviu na gravação, o Major Brigadeiro do Ar, Nicácio Silva, Comandante do VII Comando Aéreo Regional, diz que a Força Aérea tem ido até aonde a Lei permite, que é dar o tiro de aviso. “Infelizmente, não podemos aplicar o tiro de destruição”. disse o Comandante. “Eu acredito que o direito ao tiro de destruição permitirá à Força Aérea, finalmente, cumprir o seu dever de executar todas a suas ações de policiamento do espaço aéreo. O invasor precisa ter a certeza de que não sairá impune de uma situação como essa”, acrescentou o Comandante Nicácio Silva.

Para o general Villas Boas, Chefe do Estado Maior do Comando Militar da Amazônia, o combate ao narcotráfico não é a atribuição específica do Exército, e sim da Polícia Federal, a quem o exército tem proporcionado apoio de inteligência e apoio de infra-estrutura logística. No entanto, o general confirmou que existe, dentro do exército, discussões sobre esse assunto. “Existe uma corrente que acha que nós, na fronteira , teríamos que ter esse poder de polícia e outra corrente, preocupada com o envolvimento do Exército nessa atividade”, afirmou Villas Boas.

Quanto ao combate à parceria do narcotráfico com a guerrilha nas fronteiras do Brasil, o general Villas Boas esclareceu que a atuação das forças do exército tem sido a de acompanhar a Polícia Federal. “O poder de polícia está com eles. Damos a infra-estrutura, segurança e poder de choque. Com isso, tem sido possível a gente atuar contra a guerrilha e, ao mesmo tempo, trabalhar contra o narcotráfico” acrescentou o general.

A proteção da Amazônia, entretanto, passa a contar, agora, com uma grande novidade. O Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivan), acaba de chegar à cidade de Guajaramirim, em Rondônia (Acre). Ali, na fronteira do Brasil com a Bolívia, está sendo instalado o último radar, do complexo de 25 radares que já estão em operação em toda a região, todos eles com tecnologia 100% nacional. Agora, a Defesa do espaço aéreo da região está completo, com o Sivam passando informações para o Comando de Defesa Aérea com sede em Brasília.

Além disso, a Força Aérea também conta com um aliado considerado “o terror dos invasores do espaço aéreo na Amazônia”. Trata-se do avião R- 99, equipado com o que há de mais moderno para localizar qualquer aeronave que invadir o espaço aéreo brasileiro na fronteira com a Colômbia, Peru, Venezuela, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

Na região há uma frota de 68 aviões prontos para partirem das bases aéreas de Manaus, Boa Vista e Porto Velho em qualquer situação de emergência. Com a falta de estradas e poucos rios em condições de navegação, o avião se torna o transporte mais importante da região. O apoio dado pelas aeronaves da FAB, aos Batalhões de Infantaria de Selva e aos Pelotões Especiais na Fronteira, tem sido fundamental para que o Exército se mantenha de prontidão na defesa do território brasileiro.

A construção de um grande número de pistas pela Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (COMARA) tem sido outro ponto importante para que as comunidades carentes, principalmente as indígenas, recebam ajuda, com a chegada de alimentos, remédios e atendimento médico. Quando pousa um avião da FAB, onde estão localizados os Pelotões Especiais de Fronteira, a comunidade faz festa, porque sabe que a ajuda chega do céu com o que eles precisam para sobreviver.

Diante das condições da Região Amazônica, a Força Aérea Brasileira, segundo o Major Brigadeiro do Ar, Nicácio Silva, a Aeronáutica já recebeu o sinal verde do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para reativar o Correio Aéreo Nacional (CAN). A idéia é que FAB volte com as atividades do CAN como era na sua operação original, ou seja, dando às populações carentes em cidades de pequeno porte, assistência médica. “Nós iniciaremos a linha de Rio Branco no Acre, com as cidades de Manoel Urbano, Parauacã, Marechal Thaumaturgo e por último a Cruzeiro do Sul. Ao longo desta rota, nossos médicos e enfermeiros prestarão assistência médica às populações e,caso seja necessário a evacuação de algum paciente, isto será feito por outras aeronave da FAB”, concluiu o Brigadeiro Nicácio.

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