Cassilândia, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

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13/07/2015 17:28

Testemunho de um missionário brasileiro em Angola (África)

Frei Geraldo Mariano Junior

 

Caros irmãos e irmãs discípulos missionários de Jesus Cristo,


Que as graças de Deus estejam abundantemente sobre cada um de vocês de modo que em tudo o que fizerem ou deixarem de fazer seja para a maior glória de Deus, afinal somos filhos e filhas de Deus, discípulos de Jesus Cristo, por graça do Pai


Hoje aqui em Cazombo terminou a visita pastoral de Dom Tirso, bispo da diocese. Hoje também é festa de São Bento, padroeiro da missão. Tivemos a graça de participar da missa festiva, que durou mais de três horas; isto é, eu e frei Gonzalinho, visto que frei Gilberto estava a celebrar em Calunda, nossa área missionária.


Na homilia o bispo frisou três pontos referentes a São Bento. Para os discípulos missionários de Jesus Cristo que abraçam a comunidade católica, sabemos que os santos são nossos irmãos, que já estão junto de Deus a interceder por todos e que sua maneira de viver neste mundo é um exemplo para todos. Assim, pois, na homilia o bispo pegou três pontos referentes à vida de São Bento:


Primeiro. ‘Nada antepor a Jesus Cristo’, dizia São Bento. Jesus é o centro. Por isso é muito importante a gente rezar ou orar. Os discípulos missionários de Jesus Cristo que não são católicos muitas vezes dizem que não se deve rezar, mas apenas orar. Para eles rezar é dizer palavras sem atenção, como um papagaio. Se alguém reza assim, creio que não pode dizer que reza. Jesus ensinou a gente a rezar, mas por rezar significa estar em intimidade com Jesus. Por isso a gente deve estar consciente com o que está dizendo e atento ao que Deus dizer a nós. Deus fala a nós por muitas maneiras. É preciso, pois, escutar o que Deus quer de nós. Discípulo que não reza não é discípulo, pois não escuta o que o Mestre quer. É característica do discípulo escutar, prestar atenção, ouvir, meditar, ponderar. Quem não reza não escuta o ‘sopro do Espírito Santo’, que nos revela a vontade do Pai.


O segundo ponto da homilia: é a cultura. Por cultura se entende muito mais que estudo acadêmico, embora o estudo acadêmico ajude muito a gente a conhecer a gente mesmo e a nossa história, a história de nossa comunidade e a história do planeta. São Bento fundou uma família religiosa, que são os monges beneditinos. Os beneditinos foram quem evangelizaram a Europa na idade Antiga. Eram eles que copiavam as Sagradas Escrituras para fazer a Palavra de Deus Escrita (que é a Bíblia) chegar até nós. Eles davam muita importância ao estudo, ao conhecimento. O discípulo missionário também deve estar atento. O conhecimento é uma graça de Deus. A gente deve aprender as coisas para servir, e servir bem. Tudo o que fizermos deve ser feito para a maior glória de Deus. O não conhecimento pode fazer com que a gente faça coisas que não sejam da vontade de Deus. Não esqueçamos que ‘sabedoria’ é sentir gosto pelas coisas de Deus. E Deus fala a nós também na criação e nas leis da natureza criada. A primeira revelação de Deus é a criação: do nada criou todo o universo. Conhecendo, estudando a criação, pesquisando o universo, pode-se chegar até Deus. São Bento ensinou isso aos que ele orientava.


Terceiro ponto da homilia: o trabalho. Quando um grupo de pessoas pediram a São Bento algumas orientações, São Bento lhes deu uma regra de vida. Esta regra se resume nas palavras ora et labora¸ que significa, ‘reze e trabalhe’. Foi esse grupo de pessoas que deu origem aos monges beneditinos. O trabalho é fundamental para o discípulo missionário. Não se pode viver nesse mundo sem trabalhar. Mas, existem duas maneiras de trabalhar: uns trabalham simplesmente para ganhar dinheiro e outros trabalham para transformar o mundo num jardim de Deus. Os monges beneditinos que viveram na Idade Antiga trabalharam muito. Foram eles que levaram a Palavra de Deus aos povos pagãos. Por isso se diz que eles evangelizaram a Europa. O discípulo missionário também deve trabalhar se quiser ser discípulo missionário. Jesus ensinou que a ‘messe’ é grande, mas os trabalhadores são poucos. Mas qual é o trabalho que Jesus quer de nós? Não é o trabalho pelo trabalho. É o trabalho para melhorar o mundo, para servir. Também a gente não deve ser escravo do trabalho. A gente trabalha para viver e ajudar os outros a viver. Um cristão que não trabalha não é discípulo de Cristo. Nisso São Bento nos ensina. Bendito seja Deus.


Bem, meus irmãos discípulos missionários. Daqui a alguns dias estaremos celebrando a festa de Nossa Senhora do Carmo, a maior festa dos Carmelitas. Nós, que somos carmelitas temos a mãe de Jesus como modelo de discípula e missionária. Por isso a gente olha sempre para ela. Ela nós ensina como ‘fazer a vontade de seu Filho’. A festa do Carmo, ou seja, de Nossa Senhora do Carmo faz lembrar os ensinamentos de São Bento por três motivos:
Primeiro. Nossa Senhora pede aos Carmelitas que acreditem que Deus providenciará e que eles não perecerão nas dificuldades. Ela, segundo uma tradição, disse isso a Simão Stock. Confiar em Deus, portanto, é o seu ensinamento, o ensinamento de Nossa Senhora do Carmo. Nada antepor a Deus, pois Deus é mais. Deus providenciará.


Segundo: Nossa Senhora, segundo uma tradição, deu um escapulário a Simão Stock. Escapulário era uma peça dos vestuários que os monges colocavam em cima da túnica para não sujá-la. Era como o avental que a gente usa para proteger a gente e não sujar a roupa. Usar, pois, o escapulário é ir para o trabalho, vestir a camisa de Nossa Senhora, nossa irmã e discípula de Jesus Cristo. Por isso quem usa o escapulário deve trabalhar, trabalhar para o Reino, viver o que Jesus ensinou e procurar em tudo assemelhar-se ao Mestre. Trabalho.


Terceiro. Nossa Senhora, a discípula missionária e mãe de Jesus guardava tudo no coração. Ela escutava o querer de Deus, mesmo não entendendo muita coisa. Ela conhecia a Bíblia, a Palavra de Deus. Por isso os carmelitas ‘meditam dia e noite os ensinamentos de Deus’. Fazem tudo como os beneditinos. Oração e estudo.


Bem, meus irmãos, somos todos discípulos missionários de Jesus Cristo. Não importa se somos beneditinos, carmelitas ou qualquer outro nome. O importante é a gente ser discípulo missionário; escutar o que Deus quer (orar), estudar (ver a realidade do mundo) e trabalhar (transformar o mundo conforme o desejo do Mestre). Sem a ajuda do Mestre, nada podemos fazer. Mas é preciso a gente deixar-se conduzir pelo Mestre. É Ele mesmo que nos dá forças por meio de seu Espírito, o Espírito Santo.


Por aqui vamos caminhando. Nesta semana que celebraremos a festa de Nossa Senhora do Carmo – 16 de julho - iremos à fronteira da Zâmbia assistir às comunidades cristãs que lá se encontram. Segundo me disseram os catequistas, algumas comunidades só tiveram a presença do padre uma vez. Foi quando um padre sacramentino de Nossa Senhora, padre Renato, por lá esteve com um catequista a servir e aprender com aquelas comunidades. Bendito seja Deus. Programamos permanecer naquela região, que tem a sede em Macondo, quinta, sexta, sábado e domingo. É região de difícil acesso. Disseram que não se pode chegar lá de carro; apenas de moto, bicicleta e a pé. Com certeza irei de moto junto com um catequista.


Ontem, sábado, terminou o leilão do maquinário da empresa ‘Queiroz Galvão’. As informações são divergentes no que diz respeito ao futuro dessa empresa brasileira que aqui presta serviços. Uns dizem que ela não deixará o país e que continuará na construção de estradas. Outros afirmam que não mais prestarão serviço aqui, pois não recebem do governo desde o ano passado. Fato é que Angola parece falida. Não tem dinheiro. Há quem diga que ‘falta dinheiro em Angola para tudo; menos para corrupção’. Certo é que, se a empresa ‘Queiróz Galvão’ deixar o país, será difícil continuar mantendo no mesmo ritmo as cartas circulares. Por isso elas seguem tão amiúde, fazendo recordar o Livro Sagrado onde se lê que ‘devemos trabalhar, enquanto é dia, pois a noite não tarda a chegar’. Assim tentamos fazer na fé de que Deus caminha com a gente.


Continuem a rezar por nós que aqui viemos para servir. Rezem por frei Gonzalinho, frei Gilberto e também por mim. Rezem de maneira especial nesses dias em que a igreja celebra a festa de Nossa Senhora do Carmo, nossa mãe e irmã de caminhada no seguimento de Jesus Cristo. Forte abraço a todos. Que Deus nos guie e guarde sempre com as suas graças e bênçãos. Seu servo em Jesus Cristo


Frei Geraldo Mariano Junior – Frade Carmelita descalço, atuou muito anos na diocese de Caratinga Minas Gerais, no momento está fazendo sua experiência missionária na África, pais de Angola.

 

Enviado ao Cassilândia Noticias pelo padre Antonio Maurílio que se encontra no Vaticano. O Frei é seu colega de Caratinga.

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