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28/11/2014 21:33

Ter muitas relações fracassadas pode ser reflexo da infância

Uol

Muita gente convive com a dúvida: "por que sempre escolho a pessoa errada para me relacionar?". Falta de sorte? Nada disso. Segundo especialistas em comportamento, na maioria das vezes, a resposta está na própria pessoa que faz a queixa.

"Minha experiência mostra que, quase sempre, essas pessoas carregam memórias antigas de relacionamentos familiares que têm como marca o conflito, a intranquilidade, as rupturas bruscas, a violência verbal e física. Em geral, na história dessas pessoas, o mesmo padrão se repete nos relacionamentos amorosos", diz a psicanalista e psicóloga clínica Blenda de Oliveira.

Isso acontece por que os padrões de relacionamento começam a ser estabelecidos ainda na infância. Crianças que não foram incentivadas a ter uma boa autoestima, por exemplo, também podem sofrer na vida adulta, buscando parcerias que nem sempre as valorizam.

"Nesse caso, a pessoa não tem critério para se relacionar, qualquer parceiro é bem-vindo", diz a psicóloga Marina Vasconcellos. O resultado é quase sempre desastroso.

Atração entre opostos
É comum que os opostos se atraiam. Mas, de acordo com Marina Vasconcellos, aquilo que chama a atenção no início, depois de anos de relacionamento, é justamente o que poderá separar o casal.

"Geralmente, você projeta no outro aquilo que gostaria de ser, de ter, de desenvolver. Em casos assim, o outro tem algo que você quer", diz ela. Pode ser uma vida mais interessante, mais amigos, um lado mais rebelde. "O problema é que, com o tempo, a tendência é tentar modificar a outra pessoa para que ela fique parecida com você", conta a psicóloga.

A escritora Paula Cassim, autora do livro "Como Reconquistar Seu Ex" (Ed. All Print), afirma que, inconscientemente, procuramos as pessoas diferentes de nós como uma maneira de criar um ponto de fuga para a vida que levamos.

"Ter uma pessoa que pense, tenha gostos e faça coisas diferentes de você é muito interessante, porque abre um novo campo, os dois acabam descobrindo mundos diferentes e tendo acesso a coisas que jamais conheceriam sozinhos. No começo, pode ser ótimo. Até o dia em que você se cansar de tentar ser o que não é", diz. E é nesse momento que a relação pode começar a degringolar.

Pressão social, ciúme e intolerância
Como o comportamento humano tem maneiras infinitas de se expressar, assim também são os motivos que levam a um relacionamento que já nasce com tendência a fracassar. "É impressionante a quantidade de mulheres casadas com alcoólatras que também tiverem pai alcoólatra", fala Marina Vasconcellos.

Pessoas exigentes demais, intolerantes ou mimadas, acostumadas a receber todas as coisas nas mãos, também são boas candidatas a relacionamentos fracassados. Assim como as ciumentas. "Ciúme é uma doença. Se não for diagnosticado a tempo e receber tratamento, vai terminar todas as relações", afirma.

Para a psicanalista Blenda de Oliveira, o relógio biológico da mulher e as cobranças que sofre ao longo da vida por não estar namorando ou casada também levam muitas delas a escolher parceiros sem grandes critérios.

"A mulher é mais vulnerável do que o homem a esse tipo de 'desespero' de não ter alguém. O homem não carrega o peso de que 'precisa' se casar. Ele não tem pressão social. Se você é mulher, solteira, tem mais de 40 anos e não se casou, é bem provável que muitas pessoas pensem que há algo errado. Então, na ânsia de encontrar alguém, a mulher perde a referência de qualidade em função disso".

Faça uma análise
Mas há possibilidade de reverter esses padrões nocivos? Sim, há. Mas existem alguns passos a seguir. Quem sofre com relacionamentos que não vão adiante, em primeiro lugar, precisa fazer uma boa análise da situação.

"Na maioria das vezes, a pessoa se decepciona e acha que o erro está sempre no outro. Mas deveria parar e se perguntar: 'o que me cabe'? Quem sempre projeta no outro a responsabilidade, o erro e a dificuldade, vai procurar outra pessoa e o padrão vai se repetir", diz a psicóloga Ceres Alves de Araújo, professora do programa de estudos pós-graduados em psicologia clínica da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Para que esse ciclo se interrompa, comece a se questionar. "Faça indagações como: 'o que há de errado comigo?', 'estou me impondo demais ou pouco?', 'estou fugindo do que?', 'estou percebendo as necessidades de quem está comigo?', 'estou sabendo informar ao outro as minhas necessidades?', exemplifica a professora. "Fazer troca afetiva é um aprendizado".

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