Cassilândia, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

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31/01/2016 11:00

Suplemento só se for com acompanhamento e moderação; veja os riscos

Saúde Plena

 

Suplemento. O próprio nome já indica: complementar, adicional, auxiliar. Portanto, ele é um acréscimo ou um facilitador do que se busca para o corpo, seja um processo de ganho ou perda de peso até como fonte de equilíbrio para complementar a dieta e ingerir nutrientes, como vitaminas e minerais, carentes ao organismo. Mas há cuidados a serem considerados: não pode ser consumido indiscriminadamente, não pode ser indicado pelo colega da academia, nem pela vizinha marombeira ou quem teve um resultado qualquer. Ele traz benefícios, mas também pode apresentar riscos graves.

Magno Luiz de Miranda, nutricionista esportivo e educador físico da Sportif – Clínica do Exercício e do Esporte, diz que a primeira ressalva é que o suplemento só pode ser prescrito por um nutricionista ou médico especializado porque ele é da linha alimentar, mas mesmo assim, exige acompanhamento de um profissional. E enfatiza que, como é bastante consumido para auxiliar na dieta, de nada adianta se a pessoa “usar e não tiver uma alimentação equilibrada para seu objetivo, seja ele perder peso, ganhar massa ou para quem pratica esporte de competição”. O suplemento apenas ajuda na dieta, não faz milagres. “O que resolve é a dieta e treino”, mas quem busca um corpo “perfeito” ou se livrar do excesso de gordura acumulado ao longo da vida ou do ano, ignora vários riscos e acha que vai ganhar um corpo sarado, uma silhueta definida e emagrecer em poucos dias, de uma hora para outra.

Por isso, Magno, que é especialista em preparação física pelo Instituto Superior de Cultura Física Manuel Farjado, de Havana, Cuba, ressalta que as pessoas precisam entender que “o suplemento terá resultado discreto se não for acompanhado de uma dieta voltada para o que desejam. Por exemplo, se o objetivo da pessoa for ganhar massa muscular, mas ele consome pouco carboidrato porque tem medo de engordar, ela pode perder músculos em vez de ganhar e o suplemento vai ajudar pouco. O que ela quer virá dos alimentos e pode ter a prescrição de um suplemento específico para auxiliá-la na dieta”.

Magno Luiz enfatiza que o resultado de um corpo que deixará a pessoa feliz, relaxada e satisfeita no verão, onde todos se expõem mais, terá “resultado por meio de treino, dieta e suplemento (caso seja necessário), sendo que ele, mais uma vez, atua no sentido de facilitar o consumo de calorias e nutrientes. O impacto do suplemento é ajudar”.

Agora, sem orientação profissional ele se torna um risco. A busca da dieta saudável e de um modelo de corpo, muitas vezes improvável para determinadas pessoas, faz com que muitos apaguem ou ignorem as reações perigosas que um suplemento alimentar pode acarretar. Ainda mais diante de modismos e de uma infinidade de rótulos que têm por aí. O fundamental, alerta o nutricionista, é todos se conscientizarem da importância e do valor de adotar um estilo de vida e hábitos saudáveis. Magno destaca boas escolhas para o cardápio de quem pratica atividade física, como batata-doce, arroz integral, frutas, vegetais diversos, peixe, alimentos de baixo índice glicêmico em geral e, ao mesmo tempo avisa, “o importante é não errar a mão porque esses alimentos também têm calorias e se exagerar vai ter ganho de gordura. Evite o pão branco, o açúcar comum, produtos industrializados que contenham muitos conservantes e sódio, e as farinhas refinadas. Coma saudável porque o excesso tem como consequência o aumento de peso. A quantidade deve sempre ser equilibrada”, ensina.

RINS
Magno alerta que, ao usar suplemento sem orientação profissional, “a pessoa pode aumentar a dosagem de um suplemento no corpo que não precisa e sobrecarregar os rins. Um exemplo claro disso é quem já consome muita carne e leite diariamente e simplesmente acrescenta whey protein (proteína do soro do leite). Poderá ser prejudicial, portanto. Por isso, é preciso saber se pode ou não. É bom lembrar que a dieta brasileira já tem um consumo de proteína adequado (a proteína é necessária para a reconstrução do tecido muscular, algo especialmente importante para atletas e praticantes de atividades físicas em geral). Por isso, é bom se preocupar e estar atento com o risco da sobrecarga e passar da dosagem. O controle com um profissional é essencial. É sério”.

O nutricionista explica que nenhum resultado é instantâneo ou mágico. “O uso ou não de suplementos aliados ao alimento vão trazer resultado a curto, médio e longo prazos. Não vão mudar o corpo de uma hora para outra, principalmente o ganho de massa muscular, que é o mais difícil. Não é simples perder gordura. Daí a necessidade de ter regularidade de treino para ter bons resultados. Se quer um corpo específico no verão, faça um trabalho específico para atingir seu objetivo ao longo do ano. E não se esqueça que todo resultado rápido, dieta ousada ou muito radical pode ser danosa à saúde”.

Magno lembra que existe uma linha de suplemento como os pré-treinos, “que são estimulantes, sendo que vários já foram apreendidos e proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por apresentararem algum risco à saúde ou simplesmente porque não têm autorização de comercialização no Brasil. Imagina alguém que vai correr na esteira e toma um produto dessa linha, que acelera os batimentos cardíacos. A própria corrida já vai estimular a frequência dos batimentos do coração, que, associados a esta linha de produtos, a pessoa corre o risco de uma parada cardíaca. Há ainda os termogênicos (conhecidos como queimadores de gorduras) que podem conter algum estimulante e/ou medicamento para emagrecer para ajudar no processo de perda de peso. É preciso cuidado com essas linhas de produtos porque, na verdade, podem acionar o gatilho para uma série de problemas de saúde”.

O nutricionista alerta sobre outra linha de produtos, os anabolizantes. “Eles são considerados medicamentos e estão sendo cada vez mais utilizados por praticantes de musculação. A falta de informação e acompanhamento médico, o abuso das quantidades, o uso contínuo e a busca pelo corpo perfeito a qualquer preço formam um “coquetel explosivo” e estão dentre os principais fatores responsáveis por uma série problemas à saúde do usuário”. Em um último aviso, Magno Luiz ensina que “na hora de buscar um corpo “ideal”, “a genética é determinante também. Claro, a pessoa pode melhorar e alcançar excelentes resultados naturalmente.”

Conheça a legislação
Antes de consumir qualquer suplementação, além da orientação de um profissional, é indicado saber as recomendações da Anvisa. De acordo com a agência, a denominação “suplemento alimentar” não está prevista expressamente na legislação sanitária. Esses produtos geralmente são classificados no Brasil em uma das seguintes categorias de alimentos: suplemento vitamínico e ou mineral, alimentos para atletas, novos alimentos ou substâncias bioativas e probióticos, isolados com alegação de propriedades funcionais e ou de saúde. Os produtos constituídos por substâncias farmacológicas, extratos de espécies vegetais com tradição de uso na medicina popular, fitoterápicos, hormônios ou outros medicamentos não podem ser classificados como alimento, de acordo com o art. 56 do Decreto-Lei 986/69. O que é diferente quando se fala em alimentação (suplementação) indicada para atletas, cuja legislação vigente é a Resolução 18, de 27/4/2010.

Os produtos
Veja o que a Anvisa diz sobre os suplementos mais comercializados no mercado:

BCAA
A Anvisa esclarece que os aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA) eram indicados para praticantes de atividade física pela extinta Portaria 222/1998. No entanto, com sua revisão, verificou-se ausência de evidências científicas conclusivas quanto à eficácia do BCAA para uso por atletas. No entanto, como há segurança de uso, os BCAAs podem ser comercializados desde que não sejam indicados para atletas. O BCAA é muito utilizado nas academias por praticantes de musculação tanto para a recuperação de lesões musculares, como para ter mais energia durante o treino e servir de matéria-prima na construção dos músculos. Mesmo liberado, é preciso cuidado e orientação para o consumo.

Aminoácidos
Com relação à albumina, glutamina, L-carnitina e aminoácidos em geral, estes não são classificados como alimentos para atletas e sua regularidade deve ser avaliada por meio de registro de Novos Alimentos ou Alimentos para Nutrição Enteral, conforme o caso. Por fim, a Anvisa esclarece que não estão aprovadas para estes alimentos alegações como “ganho de massa muscular”, “redução da fadiga”, “melhora da imunidade”, “perda de peso”, entre outros. Também não há comprovação científica da eficácia destes produtos como aceleradores de metabolismo ou termogênicos.

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