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01/04/2004 16:31

Stédile diz que MST pretende ''azucrinar''

Ellis Regina/ABr

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promete realizar uma série de ações antes da manifestação marcada para 1º de maio, Dia do Trabalho. Segundo o coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile, a promessa representa o verdadeiro sentido da ameaça de “infernizar” o país com ocupações em abril, conforme declarou recentemente em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. “De fato, foi uma palavra infeliz. O sentido principal era pressionar, azucrinar”, explicou.

Sobre o “abril vermelho”, que também havia citado, Stédile disse que a expressão tem o sentido de “recuperar as bandeiras vermelhas, fazendo manifestações para construir um grande 1º de maio que recoloque, no debate da sociedade, o problema do desemprego”.

Durante audiência na CPI da Terra no Senado, João Pedro Stédile cobrou a reestruturação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Ele disse que enquanto houver desigualdades na divisão de terras no país, haverá conflitos no campo. O coordenador afirmou que no topo da pirâmide social rural estão apenas 23 mil proprietários que detêm 120,436 milhões de hectares, onde poderiam ser assentadas mais quatro milhões de famílias de sem-terra. “Essa é a essência do problema. Enquanto mantivermos essas propriedades improdutivas, enquanto houver essa polarização, haverá conflito”, acrescentou.

Stédile cobrou o assentamento de 115 mil famílias neste ano: até agora, afirmou, somente sete mil foram assentadas. Ele citou dados do Incra que revelam a existência de 54.781 imóveis classificados como propriedades improdutivas, concentradas em mais de 120 milhões de hectares. "O Brasil teve oportunidades históricas de resolver esse monopólio, que transformou milhares de brasileiros em párias da sociedade", afirmou.

O líder sem-terra afirmou que é realista a meta do governo de assentar 400 mil famílias nos próximos três anos. Observou, por outro lado, que a meta é insuficiente e não vem sendo cumprida. “Chegamos a uma situação que, em vários Estados do Brasil, o governo não conseguiu assentar, nestes 15 meses, nenhuma família, inclusive em São Paulo”, disse.

Segundo João Pedro Stédile, o movimento está “feliz” com a liberação de R$ 1,7 bilhão, em créditos suplementares, anunciada pelo governo, para assentamento de famílias. Ele observou que o governo não tem capacidade operativa de aplicar esses recursos. “O Estado está engessado. Não está preparado”. Na opinião do coordenador do MST, o primeiro passo para implementação da reforma deve ser a reestruturação do Incra. Stédile lembrou que o Instituto, na década de 70, possuía 12 mil funcionários. Atualmente, disse ele, somente cinco mil trabalham na instituição.

Destes, de acordo com o líder dos sem-terra, dois mil estão na iminência de se aposentar. “Dos três mil que sobram, metade é contra a reforma agrária”, frisou.

O MST, segundo Stédile, defende a Carta da Terra, com a proposta de um novo tipo de reforma agrária. Esse modelo, explicou, exige mudanças na política econômica, com melhor distribuição de renda, aumento do salário mínimo, geração de trabalho e ampliação do mercado de consumo. Stédile disse que o MST continua acreditando no governo de Luiz Inácio Lula da Silva e que o inimigo do movimento “é o latifúndio improdutivo”. Para ele, governo tem que tratar a reforma agrária como “política de estado”.

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