Cassilândia, Quinta-feira, 23 de Maio de 2019

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13/01/2019 17:00

Sítio arqueológico guarda história de povos que viveram há milhares de anos

De acordo com os pesquisadores, povos antigos viveram no local. Uma das peças encontradas, tem mais de 12 mil anos.

Redação

Um paredão de rocha abriga o sítio arqueológico em Aquidauana (MS), a 131 km de Campo Grande. Uma área particular, onde foram encontrados vestígios de povos ancestrais que ocuparam a região há milhares de anos.

De acordo com os pesquisadores que trabalham no terreno, um dos buracos foi feito até chegar na rocha, onde foram encontradas pedras lascadas usadas como ferramentas por povos caçadores e coletores de alimentos, há mais de 5 mil anos.

Arqueólogos explicam que, nessa época, o planeta passava por seca intensa, mas, uma mudança climática passou a provocar chuvas torrenciais na área. Os caçadores foram extintos e milhares de anos depois, outros povos chegaram ao local.

A chefe do Museu de Arqueologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Emília Kashimoto, explica que restos de fogueiras indicam que indígenas também habitaram a região, há cerca de 2 mil anos.

Os pesquisadores concluíram também que, na área habitada em um passado remoto, a história não é encontrada somente embaixo da terra. Fendas no topo dos morros da região, indicam a existência de quedas d’água, formando córregos, que desembocavam no rio Aquidauana.

Hoje, todos esses córregos estão secos. Uma indicação que no local corria água, são as chamadas “marmitas”, buracos formados pela força da correnteza. Quando chove, a água traz vestígios arqueológicos perdidos pelo sítio, como pedaços de pedra lascada.

Os pesquisadores encontraram ainda, no topo de um dos morros, uma espécie de mirante e observatório astronômico, comparado a um planetário. Para chegar até o topo com mais de 220 metros de altitude, é preciso caminhar cerca de 20 minutos.

Lá em cima, pedras gigantes formam uma espécie de caverna. Os arqueólogos explicam que o espaço, funcionava como um ambiente místico para os povos antigos. No local, foram identificadas gravuras rupestres, indicando as estrelas.

O arqueólogo Gilson Martins, conta que os povos antigos já tentavam entender as estrelas naquela época.

“Nós temos até as Três Marias, que é uma constelação muito visível, muito marcante em diferentes povos. Eles achavam que estavam vendo uma imagem mitológica e simbólica de alguma coisa".

Todos os materiais coletados são levados para o Museu de Arqueologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Em um dos arquivos, estão guardadas mais de duzentas mil peças, de várias regiões do estado. A mais antiga, tem 12 mil anos.

De acordo com os pesquisadores, para saber a datação dos materiais, são usados fragmentos de carvão, eles explicam que é possível fazer um exame, usando uma substância que compõe o carvão e identifica a idade do material. As coletas são enviadas aos Estados Unidos, onde são feitos os testes com o carbono 14.

Eles pretendem transformar a área em um museu a céu aberto, e já fizeram o pedido para que as obras de asfaltamento, que estão sendo feitas na MS-450, preservem a área do sítio arqueológico.

Para comprovar a importância do terreno, escavações foram feitas nas margens da rodovia, onde foram encontrados mais vestígios de fogueiras. A análise nos Estados Unidos já foi feita, e concluiu que o material tem 850 anos. Gilson explica que, bem próximo da superfície é possível encontrar solo arqueológico. Portanto, se houvesse obras nesses locais, antes da pesquisa, as informações seriam perdidas para sempre.

Para a chefe do Museu de Arqueologia, conhecer o passado é saber um pouco das origens de cada região. No museu, qualquer pessoa pode ter acesso a esse passado distante

“Sinalizar para o grande público, essa intensidade do passado. Aqui não é um vazio humano, foi intensamente ocupado e os museus, as publicações, tem esse papel de socializar esse conhecimento”, conclui.

Em nota, a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), responsável pela obra, informou que a MS-450 terá um tratamento diferenciado, em um trecho de aproximadamente 700 metros, para preservar o sítio arqueológico.

Segundo a Agência, a rodovia não receberá asfalto na parte arqueológica, todo trabalho feito na região é acompanhado pelo Conselho Gestor da Estrada Parque de Piraputanga.

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