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03/11/2003 14:05

Sistema digital dá outra definição da imagem na TV

Mauricio Cardoso/ABr

Imagem com alta definição, som digital, sinal estável, interatividade, múltiplos canais e a possibilidade de conectar a Internet pela televisão são apenas algumas das vantagens da TV Digital, um sistema de captação e transmissão de imagens em operação em vários países do mundo e que pode se tornar realidade nos lares brasileiros dentro de alguns anos. Se tudo der certo, o desejo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de assistir a próxima Copa do Mundo em TV Digital será realizado até 2006.

O estudo para a implantação do sistema no país começou em 1994 por iniciativa da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e ganhou força a partir de 1998, quando a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) passou a estimular os testes de laboratório e de campo dos três sistemas digitais terrestres de radiodifusão existentes no mundo: o americano (ATSC), o europeu (DVB-T) e o japonês (ISDB-T). Hoje, 44 universidades brasileiras pesquisam a TV Digital e pretendem unificar seus trabalhos.

A transição do sistema de transmissão analógico para o digital não é apenas uma evolução tecnológica, mas uma nova plataforma de comunicação capaz de oferecer dezena de benefícios para os usuários e incrementar o processo de inclusão digital no país. Aliás, por determinação do Ministério das Comunicações, qualquer que seja o padrão de TV Digital adotado no Brasil, ele terá que ser aberto e gratuito, acessível à população atendida pela TV analógica e capaz de disponibilizar conexão com a Internet como forma de colaborar para o fim da exclusão digital.

Atualmente, a tevê aberta chega a mais de 80% dos lares nacionais, mas apenas 8,6% têm acesso à Internet. São mais de 140 milhões de "excluídos digitais". A TV digital pode reverter esse quadro e facilitar o acesso dos proprietários de 57 milhões de aparelhos analógicos - sem contar seus familiares - à rede Mundial de Computadores.

Mesmo sendo duas coisas completamente diferentes, é comum confundir TV Digital com TV de alta definição. TV Digital é o sistema de transmissão, recepção e processamento de sinais de alta definição, em formato digital, que podem ser enviados via satélite, microondas, cabo e terrestre. TV de alta definição é um modelo de televisor com qualidade de imagem comparável à do cinema e preparado para receber a transmissão da TV digital.

Governo e especialistas dos vários setores envolvidos na questão da TV Digital estão debatendo três estratégias para sua implantação no país. A elaboração de um sistema brasileiro completo de TV digital, a criação de um padrão tecnológico nacional apenas para a interatividade (middleware) e utilização pura e simples de um dos três padrões internacionais já existentes. Segundo os especialistas, qualquer que seja a decisão, será necessário no mínimo dois anos para sua efetiva implantação.

Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto estabelecendo as diretrizes para a realização de estudos e pesquisas destinados à introdução da tecnologia digital no serviço de radiodifusão. O documento criou o Grupo Executivo do Projeto Televisão Digital (Get) que apresentará estudos e alternativas para a implantação do sistema digital nacional.

A escolha do sistema que será utilizado é apenas o primeiro passo do processo de digitalização da televisão brasileira. Na prática, a implantação de todas as etapas - transmissão, produção, distribuição e recepção, envolvendo emissoras, produtoras e fabricantes de equipamentos - deve levar entre 10 e 15 anos. Durante esse período, a transmissão digital e a transmissão analógica funcionarão juntas, como ainda acontece com a telefonia analógica e digital. No futuro, todos os televisores serão digitais e os televisores analógicos só funcionarão acoplados à conversores de sinais.

O atual sistema de transmissão terrestre de TV analógica utiliza as faixas de frequência VHF (Very High Frequency) e UHF (Ultra High Frequency) que enviam as informações de brilho e cor e os sinais de áudio estéreo ou mono. Na TV digital, o sinal é comprimido e enviado de forma digital, permitindo a incorporação de uma série de recursos adicionais, como alta definição, múltiplos canais e som digital, entre outros.

A imagem de alta definição ou HDTV (Hight Definicion) é um dos principais atrativos da TV Digital. O HDTV amplia o feixe de resolução de 480 linhas para até 1.080 linhas horizontais, melhorando a qualidade da textura, da cor e da profundidade de campo das imagens captadas e aumentando a sensação de realidade das cenas. Com ele, também é possível enviar até quatro sinais de vídeo, permitindo a transmissão simultânea de um evento, por exemplo, por quatro ângulos diferentes.

O sinal de áudio também é muito melhor. A qualidade do som digital é semelhante a do CD e reproduz com fidelidade os filmes de cinema, gravados no padrão dolby digital de 5.1 canais. Na TV digital, o sinal é constante e ininterrupto, eliminando os problemas de recepção e as irritantes imagens tremidas ou com sombras (fantasmas).

E isso não é tudo. Graças à interatividade, o usuário poderá vetar a exibição de cenas que considerar impróprias ou escolher o idioma do filme que deseja assisitir. Também será possível conectar a Internet, acessar sua conta bancária, adquirir produtos e até participar de programas por meio do controle remoto da TV.

Algumas dessas vantagens só estarão disponíveis para os proprietários de TV de alta resolução, que tem cerca de 2 milhões de pontos de imagens (pixels) contra os 210 mil existentes nos televisores convencionais. Mas quem não quiser ou não puder comprar um televisor especial Digital Ready, poderá utilizar um decodificador que permite a recepção digital em televisores analógicos.

O decodificador (set top box) é semelhante ao modelo usado para serviço de TV a cabo, e serve para receber o sinal digital e convertê-lo para que seja visualizado em TV analógica. Ele funciona como um aparelho de DVD, que codifica os sinais de áudio e vídeo transformando-os em sinais digitais. O uso do conversor é outra determinação do Ministério das Comunicações para que os usuários mantenham seus atuais aparelhos por um período razoável de tempo sem prejudicar a recepção do sinal analógico.

O governo anterior defendia a adoção de um dos três padrões internacionais para TV Digital. Agora, a intenção é desenvolver um sistema próprio empregando parte das tecnologias já existentes. Mas ainda há muita discussão sobre se o Brasil deve ou não criar um outro sistema. Para alguns especialistas o país não precisa reinventar a roda para ter acesso a essa tecnologia; para outros, um padrão próprio traria autonomia e divisas. A única estratégia descartada é a chamada solução híbrida, que misturaria os três diferentes modelos em um único produto.

Nos testes já realizados com os três padrões existentes, o destaque foi o sistema ISDB que apresentou flexibilidade de operação e potencial para as recepções móveis (dentro de veículos em movimento) e portáteis (receptores de pequeno porte quando seus portadores estão parados ou em movimento). O modelo japonês também se adapta melhor à telefonia celular, facilitando a integração tecnológica entre os dois sistemas de transmissão. O ISDB é único sistema que ainda não entrou em operação.

O padrão ATSC está em funcionamento nos Estados Unidos desde 1998 e já foi adotado no Canadá, Coréia Sul e Taiwan. Desenvolvido para operar com sinal de TV a cabo ou satélite, o sistema não permite a recepção móvel e, durante os testes, não se mostrou eficiente na recepção terrestre por antena interna.

O DVB já é uma realidade em vários países da Europa e permite a recepção por meio de terminais móveis. A exemplo do modelo japonês, ele utiliza o sistema de modulação COFDM para proteger os sinais de interferências e degradações. Sua versão para satélite - DBB-S - já virou padrão internacional para esta forma de transmissão, muito utilizada pelos operadores de TV por assinatura.

Na verdade, várias vantagens e recursos de interatividade da TV Digital já são disponibilizados pelos canais de TV por assinatura. Implantar a TV Digital nos canais de TV aberta democratizará essa inovação tecnológica e permitir seu acessso a todo brasileiro que tiver um televisor digital ou um analógico adpatado. Especialistas do setor acreditam que o conversor possa ser comercalizado no país por cerca de R$ 150,00, valor equivalente a US$ 50.

De acordo com o Ministério das Comunicações, a definição do sistema que será adotado no país será feita tão logo seja concluída uma análise detalhada dos aspectos tecnológicos, regulatório, social, industrial e econômico, que possibilite ao governo estabelecer os requisitos e condições necessárias para a digitalização da televisão aberta no Brasil.

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