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22/09/2016 16:15

Sindicato dos taxistas diz que acionará justiça por regras para Uber

Midiamax

Com promessas de preços mais acessíveis, mais comodidade e agilidade, poucas horas antes de iniciar uma nova modalidade de transporte em Campo Grande, a plataforma UberX já preocupa quem depende do setor. O presidente do Sintáxi (Sindicato dos Taxistas do Estado de Mato Grosso do Sul), Bernardo Quartin, afirma que está tomando medidas judiciais a fim de cobrar regras para o funcionamento do serviço.

“A empresa veio, não pediu licença para ninguém e disse que vai operar na Capital. Eu vejo que nós temos uma série de tributos que pagamos junto ao poder municipal, então, como eles veem operar sem nenhum tipo de regra, fiscalização ou cadastro municipal? Cabe saber se o poder público vai ser permissível em relação a isso. As medidas necessárias para que a gente tenha igualdade de trabalho estão sendo tomadas pelo nosso departamento jurídico. Ainda não dá para mensurar o tamanho do impacto no setor, mas preocupa. Estamos conversando com algumas autoridades e vamos ver como as coisas se desenrolam no decorrer do tempo”, declara.

O UberX exige veículos fabricados a partir de 2008, com quatro portas e ar condicionado. O modelo de cobrança é mais barato. As corridas com taxistas custam R$ 4,50 acrescidos de R$ 2,80 por quilômetro rodado na bandeira 1 ou R$ 3,20 na bandeira 2. Já na plataforma UberX o valor inicial é de R$ 2,50 somados a R$ 1,10 por quilômetro rodado e R$ 0,15 por minuto.

Para os taxistas uma das principais preocupações é o preço mais acessível oferecido pelo novo modelo de transporte na Capital.

“Enquanto usuário, eu gostaria de utilizar o serviço porque é mais barato, mas na condição de profissional penso que isso prejudica muito a classe que já sobrevive com pouco. Em Campo Grande não tem mercado para isso, mas cabe a sociedade analisar porque o táxi oferece segurança, já o Uber, quem fiscaliza?”, questiona o taxista de 58 anos, que trabalha há 25 anos no setor e preferiu não se identificar.

Sidney Sobrinho, de 68 anos, é taxista há 40 anos e critica a concorrência. “Não temos um milhão de habitantes, não tem mercado em Campo Grande. É desastroso para a nossa categoria, não são bem-vindos para nós. Essa foi a pior coisa que poderia acontecer para a nossa classe. É possível que a nossa clientela diminua em pelo menos 50% e se for assim vão tirar o nosso pão”, lamenta.

Manoel Pereira de 50 anos, trabalha há três no setor. Segundo ele, ainda é necessário esperar para saber o impacto do novo serviço. “Ainda nem começou. Acredito que vai atrapalhar, mas é preciso esperar para ver no que vai dar. Nós taxistas estamos preocupados com isso”, observa.

Apesar das preocupações, nem todos criticam a plataforma e há os que pensam em migrar para o novo sistema de trasporte. Este é o caso do taxista de 40 anos, que trabalha há sete no setor. Sem se identificar, ela afirma para a equipe de reportagem do Jornal Midiamax que já se cadastrou na plataforma, mas ainda vai esperar para ver o resultado.

“Eu sou taxista e sou a favor do Uber para acabar com o monopólio. É muito táxi para poucos donos. Meu patrão tem 90 carros e, dessa maneira, nós motoristas ficamos escravos do que eles impõem. Já acordamos devendo R$ 200,00 para o patrão todos os dias. Eu já me cadastrei e só estou esperando para ver como vai ser para que eu possa mudar de vez”, explica.

Carlos Roberto, de 42 anos, trabalha há 20 anos como taxista e há seis arrenda um veículo. Como arrendatário ele diz que recebe em média R$ 4 mil por mês. Para ele o Uber é uma possibilidade de melhorar a renda, no entanto, prefere esperar para entrar na plataforma.

“Vou analisar o movimento e se der certo eu entro. Mas por enquanto, prefiro esperar porque preciso saber como serão as despesas. Para alugar um veículo nas condições exigidas são R$ 1.200,00 por mês, tem mais a gasolina e o desconto de 25% do valor cheio que é repassado para a plataforma. Tem de ver se vai compensar mais”, observa.

Apesar de afirmar que está adotando providências necessárias para que haja regras para o funcionamento da plataforma na Capital, o presidente do Sintáxi não informou detalhes sobre o assunto. Conforme registro do Sindicato dos taxistas atualmente existe aproximadamente 1.200 profissionais entre permissionários e auxiliares que trabalham em 490 veículos.

A Política Nacional de Mobilidade Urbana, estabelecida na Lei Federal 12.587/2012, trata de diferentes modos de transporte e da melhoria da acessibilidade e mobilidade das pessoas e cargas. A plataforma Uber utiliza a classificação transporte individual privado para que possa funcionar.

O UberX estreou no Rio de Janeiro, na Copa de 2014. São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre foram as próximas cidades a receberem o serviço. Na Capital, a plataforma começa a funcionar nesta quinta-feira (22), ás 14 horas. O cantor Michel Teló foi convidado para estrear o serviço.

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