Cassilândia, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

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04/08/2005 08:51

Simone confirma empréstimos e nega dinheiro em malas

Agência Senado

A diretora financeira da SMP&B, Simone Vasconcelos, confirmou, em seu depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios, nesta quarta-feira (3), que o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza realizou empréstimos de "mais de R$ 50 milhões" para o PT e que ela teria providenciado a documentação para a operação, mas negou que tenha ocorrido distribuição de dinheiro em malas. Simone Vasconcelos afirmou também que o publicitário Duda Mendonça, responsável pela campanha vitoriosa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi um dos beneficiários dos recursos levantados pela agência para o PT, recebendo R$ 15 milhões para "acertos de campanha".

Na primeira parte de seu depoimento, Simone Vasconcelos apresentou ainda lista com 12 nomes que teriam recebido dinheiro diretamente de suas mãos, entre eles João Cláudio Genu, assessor do deputado José Janene (PP-PR), e o deputado José Borba (PMDB-PR). A diretora financeira da SMP&B confirmou ainda que autorizou Roberto Marques a fazer saques das contas da agência

- Tudo que fiz foi com autorização de Marcos Valério - alegou.

Responsável pela área financeira da empresa, Simone Vasconcelos disse, depois de muita insistência do relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), que o faturamento da agência foi de R$ 110 milhões em 2004, sendo o lucro de R$ 20 milhões. Não soube explicar, entretanto, por que a movimentação financeira da SMP&B foi de mais de R$ 600 milhões, e mesmo diante de apelo de Serraglio, que irritado, pediu a ela que prestasse esclarecimentos e ajudasse a CPI, ficou calada.

A diretora financeira também disse como funcionava o esquema para a entrega do dinheiro aos parlamentares e assessores. Para alguns, ela sacava os valores e entregava dentro da agência, sempre sem exigir recibo. Algumas vezes, o Banco Rural chegou a oferecer "uma salinha" para que fizesse o repasse. Depois de algum tempo, o procedimento não foi mais necessário.

- Os funcionários já conheciam as pessoas, eu deixava o nome anotado (do beneficiário) no verso da autorização (para ela, Simone, sacar) e o banco pagava. Por isso há muitos saques em meu nome - explicou.

Em seus relatórios fiscais mensais da SMP&B, explicou, Simone Vasconcelos sempre anotava a entrada de recursos como "empréstimos" e as saídas como "empréstimos ao PT". Questionada pelo relator sobre problemas com o fisco, ela não respondeu, mas anunciou que na próxima segunda-feira (8) a Receita Federal fará fiscalização na empresa. A depoente também afirmou só conhecer a queima das notas fiscais da DNA pela imprensa - por estar de férias - e negou que conheça o ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT Silvio Pereira e o ex-presidente do partido José Genoíno:

- Mas conheço o sr. Delúbio - destacou.

Movimentações eram classificadas como "extras"

A diretora financeira da SMP&B, Simone Vasconcelos, formada em administração, há 15 anos funcionária pública de Minas Gerais e licenciada desde dezembro de 1998, começou a trabalhar com o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza em abril de 1999. Sua função, relatou, seria a administração da agência, com as atribuições de lidar com a área de recursos humanos, contas a pagar e receber, compras e almoxarifado. Além disso, preparava relatórios gerenciais internos, com despesas e detalhamento de gastos.

- Eu prestava contas ao Marcos Valério - explicou, destacando que nunca pediu detalhes das operações do patrão com o PT.

O ingresso de recursos, segundo ela, vinha do faturamento de clientes. Movimentações anormais, como as realizadas com o PT, eram anotadas como "extras". Simone tem conhecimento dos empréstimos feitos por seu patrão e pela empresa Graffiti porque providenciou a documentação. Num ato falho, disse que os empréstimos "sempre" eram feitos no Banco Rural e no BMG. Mas sua participação nos saques só foi direta em 2003. Em 2004, Marcos Valério mudou a forma para os saques, que era feitos "pessoalmente ou por meio de uma corretora". Aqui entra a corretora Bônus-Banval e a empresa Garanhuns: os depósitos feitos na primeira seriam para o PT, e na segunda, para o ex-deputado Valdemar Costa Neto, do PL.

A diretora anunciou que veio a Brasília "entre 20 e 30 vezes", porque a SMP&B teria mudado de endereço. Simone Vasconcelos confirmou à CPI que já se hospedou no Hotel Grand Bittar e que entregou dinheiro a João Cláudio Genu num lobby de hotel, mas não soube disser se era mesmo o Bittar, como acusou a ex-secretária Fernanda Karina Somaggio em depoimento anterior à CPI, à Polícia Federal e ao Conselho de Ética da Câmara.

A depoente negou conhecer Daniel Dantas e Carlos Rothenburg, ligados ao Banco Opportunity. Afirmou não ter conhecimento de transações semelhantes à anunciada pelo deputado Roberto Brant (PFL-MG), que teria sacado da SMP&B porque a Usiminas teria depositado na conta da agência o dinheiro destinado à sua campanha. Confirmou que Marcos Valério já viajou em aviões do Banco Rural mas negou que ele tivesse um jatinho sempre "à disposição". E também negou conhecer qualquer operação de repasse das empresas de Valério para "corretoras, tradings ou factorings", que, segundo o relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), chegou a R$ 13 milhões.

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