Cassilândia, Segunda-feira, 23 de Abril de 2018

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19/03/2018 18:00

Serralheiro que levou choque 270 vezes maior que tomada recebe alta após 41 dias

G1MS

Teve alta médica, após 41 dias internado na Santa Casa, em Campo Grande, o serralheiro Geison Mayk Ferreira da Silva, de 27 anos, que teve 22% do corpo queimado ao levar um choque de 34,5 mil volts, em uma chácara perto da BR-163. A vítima permaneceu na ala de queimados e agora retornará quinzenalmente ao hospital para a realização de curativos.

"Estou bem. Aliás, só não estou melhor por conta da dor. Agradeço muito a ajuda que recebi neste período e agora pretendo fazer os curativos e correr atrás dos meus direitos", afirmou ao G1 o serralheiro.

No período em que esteve internado, Geison comentou que escutava diariamente sobre o “milagre de ter sobrevivido” e que tinha preocupação em voltar a trabalhar, para ajudar 4 filhos e a esposa, atualmente desempregada.

“Nós estávamos fazendo um barracão neste local. Era o terceiro dia de trabalho, todo mundo já tinha saído e eu estava colocando a última telha. Todos nós trabalhávamos abaixados, com a eletricidade improvisada deste fio de alta-tensão. Fizemos o esqueleto e depois já estava na fase final. Eu fui pegar o parafuso no meu bolso e, um pouco que levantei, tive esse fio encostado na minha cabeça”, disse na ocasião o eletricista.

Entenda o caso
O choque foi tamanho que Mayk diz ficar desmaiado em quase todo o trajeto para o hospital. “Eu acordei quando o Corpo de Bombeiros estava na Costa e Silva. Nós cortamos os fios, aquilo foi uma gambiarra. Agora eu só quero melhorar, sair daqui. Tenho 4 filhos, esposa, aluguel, mas, nunca precisei de ninguém. Neste momento, infelizmente, dependo de ajuda”, comentou Ferreira.

Ainda de acordo com o eletricista, o trabalho era um “bico” porque ele não tinha recebido do primeiro patrão. “Eu trabalhava em uma empresa no Jardim Itamaracá. O responsável lá atrasou os salários e, de um dia para o outro, pegou todo o maquinário e foi embora. Até hoje não tenho notícia do paradeiro dele e fiquei sem receber R$ 2,5 mil. Por conta disso, tive que procurar outras coisas, fazendo serviços de jardinagem e serralheria”, explicou.

A aposentada Cremilda Pereira Miranda, de 74 anos, é uma das pessoas que contratou o serviço do rapaz. “Ele veio aqui alegre, sorridente, feliz pelo fato de estar trabalhando esses dias na minha casa. Eu até dei um pouquinho a mais de dinheiro pra ele, porém não posso fazer mais que isso. Os filhos dele são todos pequenos, de 6, 4, 3 e 1 ano. É muito triste o que aconteceu”, alegou a idosa.

De acordo com a assessoria de imprensa da Santa Casa, Mayk está internado na ala dos queimados, desde o dia 29 de janeiro. Ele teve a amputação de 3 dedos, além de queimaduras que atingiram os ombros, cabeça, dorso, tórax e membros inferiores, todos do lado esquerdo.

Alta tensão
A concessionária da distribuição de energia elétrica no estado – Energisa – comparou o nível da voltagem (tensão) à tomada residencial comum, que possui a tensão de 127 volts ou 220 volts, conforme a ligação que tiver no imóvel. De acordo com a assessoria, o choque que o serralheiro levou, de 34,5 mil volts, se equipara a mais de 270 vezes o valor da tensão das tomadas residenciais.

A concessionária informa que, quanto maior a tensão, maior é o risco de choque elétrico, e reforça para que a população não se aproxime dos fios e cabos condutores de energia, considerando sempre que podem estar energizados. Nestes casos, a orientação é entrar em contato, imediatamente, com a empresa por meio do telefone 0800 722 7272.

Quem quiser ajudar o serralheiro com alimentos e pertences para as crianças, pode entrar em contato com a mãe dele, Maria Aparecida, pelo telefone: (67) 99925 – 4716.

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