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15/05/2010 14:45

Sereno mas decidido, jovem vive urgência dos 17 anos

Campo Grande News/ Marcio Breda

“Na vida tudo tem seu preço, seu valor. E o que eu quero dessa vida é ser feliz. Eu não abro mão... Nem por você. Nem por ninguém eu me desfaço dos meus planos. Quero saber bem mais que os meus vinte e poucos anos...” *


Ele vive em um apartamento dentro de um condomínio fechado de Campo Grande. Como todo jovem de 17 anos, o tempo parece não ser suficiente para sua idade. Estuda, ora, sonha, joga bola e busca por liberdade, que pode vir em uma festa com amigos ou em um trabalho que lhe renda um dinheiro seu.

Assim é o jovem cuja mãe - Sueli Ferreira de Moura - protestou na quinta-feira (13), acorrentada à frente da Igreja Universal do Reino de Deus pedindo para que os pastores o libertassem de uma rotina que, segundo ela, é voltada para práticas duvidosas em nome do templo.

Tranquilo, sereno, bom aluno, cheio de amigos. O que falta para o adolescente – que em setembro faz 18 anos é mais tempo. É a urgência em fazer tudo o que os 17 anos lhe oferecem.

“Na igreja eu tenho meus amigos, jogo bola, me divirto também. Não vivo da forma que pensam. Sigo o meu caminho e acho que faço o bem”, afirma.

A mãe sente a falta do caçula. “Ele não pára em casa. No último dia das mães chegou em casa às 12h20, me beijou, deixou um bombom de presente, comeu um pão na cozinha e saiu às 12h45. Nem almoçou conosco, nem nada”, lamenta.

O protesto de Sueli foi um gesto desesperado. Para ela, o filho dedica tempo de estudo ao movimento jovem da Universal, oferta dinheiro que não tem ao templo, prega em bairros sem a devida segurança da Igreja e deixa de lado a família.

“Meu filho prega quase todos os dias nos bairros. E se acontece alguma coisa com ele? A Igreja está proporcionando segurança a ele? Eles querem transformar ele em pastor, pediram exames médicos. Eles darão suporte a ele depois que ele não tiver mais sua saúde?”, questiona Sueli.

Para a mãe, a Igreja Universal tira do jovem tempo para lazer, para práticas culturais e principalmente para a convivência familiar. Tudo em nome de conquistar mais fiéis.

“Tudo o que a gente faz é com contribuição. Nada é forçado. As pessoas nos ajudam como podem e a gente organiza estudos e ações. É algo que nós mesmos criamos”, defende o adolescente, que atua no movimento Força Jovem da Universal.

Após o protesto da mãe e da repercussão pela imprensa, o adolescente não foi à escola na sexta-feira. “Não tinha cabeça e nem clima para ir. Mas segunda eu vou. Gosto de lá. Meus amigos me dão apoio e gostam de mim”, garante.

A falta garantiu ao garoto o castigo da mãe. Ficará sem ir à Igreja durante toda a semana. Ele concorda, acha bom. Diz que nunca foi forçado a ir, não precisa bater ponto. Quer respeitar a mãe acima de tudo.

Chamado – Torcedor do São Paulo apesar de suas raízes serem em Recife, o adolescente quer fazer Direito quando terminar o ensino médio, em 2012. “Não tenho um sonho. Apenas vou seguindo. Teologia não porque já estudo muito a religião e a Bíblia”, diz ele.

No apartamento também moram a irmã mais nova, o irmão mais velho acompanhado de sua esposa e Raquel, companheira de Sueli. Estante cheia de livros e amor em forma de versículos espalhados por todos os cantos da casa.

O jovem tentou recentemente, durante dois meses, trabalhar na venda de salgados para operários na construção civil. “Uma senhora conhecida da Igreja e eu tivemos a idéia. Ela fazia os salgados e eu ia vender nas construções. Chegava lá sempre antes das seis. Mas não deu certo. Nosso combinado era dividir o lucro, mas nem deu muito e decidimos parar”, comenta.

Antes dos salgados se dedicou a trabalhar em uma farmácia. Trabalhou durante alguns meses e saiu. “Quero trabalhar de novo. No que? Qualquer coisa. Sei fazer qualquer coisa, aprendo, não escolho muito não, faço as coisas no tempo certo”.

Espiritualmente o jovem segue um chamado sem atribulações e vivendo um dia de cada vez. Sem grandes planos e ouvindo o coração. A distância entre mãe e filho é artificial. Amam-se, completam-se, mas vivem atualmente sintonias diferentes, contraste entre adolescência e vida adulta.

“Respeito minha mãe. Vou ficar mais em casa como ela quer. Mas estou bem, sem problemas”, diz confiante. Perguntado se ele é feliz, o jovem tímido sorri de leve, levanta a cabeça e diz que sim.

* 20 e Poucos Anos – Fábio Jr. - 1979


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