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27/11/2009 17:30

Sem sinal de agressão, jornalista indiciado em 3 crimes

Campo Grande News/ Edivaldo Bitencourt e Nadyenka Castro

Após nove dias de investigação, o delegado do 1º Distrito Policial, Márcio Rogério Custódio, concluiu o inquérito pela morte do menino Rogério Mendonça, o Rogerinho, e do baleamento de seu avó, o pecuarista João Afonso Pedra, após uma briga no trânsito.

Sem sinais de agressão, para comprovar a tese de legítima defesa, o jornalista e dono do semanário Jornal Independente, Agnaldo Ferreira Gonçalves, 60 anos, foi indiciado em três crimes com agravantes.

O delegado o indiciou por homicídio doloso qualificado de Rogerinho, com dois agravantes: motivo torpe (vingança) e impossibilidade de defesa da vítima. Também foi indiciado por três tentativas de homicídio contra o condutor da caminhonete L-200, Aldemir Pedra Neto, e a irmã do menino, Ana Maria, de cinco anos; e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido.

Para Custódio, o jornalista tinha intenção de matar. “Se ele não tivesse armado, não teria ocorrido esta tragédia”, ressaltou o delegado durante entrevista coletiva, hoje à tarde, na DGPC (Diretoria Geral da Polícia Civil).

Sem brigas - O delegado concluiu que não houve brigas com agressões físicas, como alegou o jornalista. Prevaleceu a versão das vítimas, incluindo-se a do condutor da caminhonete. Duas testemunhas, incluindo-se uma que apareceu hoje de manhã, confirmaram esta versão.

De acordo com o delegado, os dois discutiram e trocaram empurrões. No entanto, não foi confirmada a agressão física do jornalista. O principal indício é de que ele chegou à Depac (Delegacia do Pronto Atendimento Comunitário) sem qualquer sinal de lesão ou agressão. O exame de corpo delito também não encontrou sinal de escoriações ou manchas em Gonçalves.

Outro agravante, segundo a polícia, é de que Agnaldo Ferreira Gonçalves sabia da existência de crianças dentro do veículo. No segundo momento do embate entre os dois condutores, na Avenida Mato Grosso, entre a Avenida Calógeras e a Rua 14 de Julho, no centro, o avô do menino saiu do carro e teria feito um apelo para se encerrar a briga ali. Ele teria destacado que não houve dano material e as crianças estavam na caminhonete.

Gonçalves se contradiz ao afirmar, em depoimento, que só atirou porque viu a arma de fogo em poder do Pedra Neto. No entanto, ele não explicou como conseguiu ver o revólver, mas não enxergou as crianças no banco de trás do veículo.

Laudos – O laudos descreveram a trajetória dos cinco disparos feitos pelo jornalista. O primeiro atingiu apenas a janela do lado do passageiro. O segundo feriu Rogerinho no pescoço, que estava de pé no banco de trás e assistindo a cena pendurado na janela da caminhonete.

O terceiro tiro atingiu a lateral do veículo. O quarto atingiu o vidro traseiro, bateu no teto e se estilhaçou, atingindo o parabrisa e a menina de cinco anos nos olhos e nas costas. Após os disparos, ele recarregou a arma com munição orgival, que não explode.

Vítima – Em depoimento à Polícia, Agnaldo admitiu que só viu as crianças após efetuar os tiros. Ele chegou à Depac na condição de vítima, para registrar boletim de ocorrência contra o motorista da caminhonete.

Segundo o delegado, o jornalista manifestou ´"frieza" e só se sensibilizou quando soube da morte do menino, que não resistiu e faleceu três horas após dar entrada na Santa Casa de Campo Grande.

Aldemir Pedra Neto não foi indiciado, apesar de estar com a CNH suspensa devido a Boletim de Ocorrênica registrado em abril, por direção perigosa. Ele foi detido em flagrante quando fazia manobras arriscadas na BR, em Jardim.

Segundo o delegado, a suspensão da Carteira é uma infração administrativa de trânsito. O único criminoso na história seria o jornalista. “Ele perdeu o controle”, avaliou Custódio.

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