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25/02/2009 13:51

Sem recursos, casal repatriado do Japão pede ajuda

Fernanda Mathias, Campo Grande News

Após 13 anos vivendo e trabalhando no Japão, Fábio Yano, 38 anos e Diam Miranda Yano, 36 anos chegam ao Brasil com apenas R$ 3 mil no bolso e aflitos. Eles têm três crianças e, sem emprego, não conseguem se manter no Japão, onde o custo de vida é elevado. A alternativa vista pelo casal é tentar a vida em Campo Grande, onde moravam antes de mudarem para o outro lado do mundo.

Na Capital eles vão viver na casa de um tio, no bairro Lageado, que está abandonada. Porém, não têm condições de comprar móveis, roupas, nem mesmo utensílios básicos. Há 3 anos, Fábio machucou as costas e teve de parar de trabalhar e há 7 meses a mulher foi demitida de uma fábrica de eletrônicos junto de uma leva de brasileiros, afetados pela crise financeira mundial.

No Japão a família está contando com doações de alimentos feitas por vizinhos. Do governo japonês, receberam a garantia de serem repatriados. No dia 13 de março a família chega em São Paulo, sem saber sequer como fará a viagem para Campo Grande.

Fábio Yano afirma que a situação para os dekasseguis (brasileiros descendentes de japoneses que vão ao Japão para trabalhar) é desoladora. Ele diz que tem notícias de que diariamente 100 voltam para o Brasil e que pelo menos um casal chega a Campo Grande por semana. Isso porque a Capital sul-mato-grossense tem a segunda maior colônia japonesa do País. “Um ano vai ser pouco para o País se recuperar da crise”, calcula sobre o Japão.

Yano afirma que quando trabalhava conseguia salário equivalente a até R$ 8 mil mensais, mas o custo de vida elevado acabava consumindo praticamente todo o dinheiro.

O casal tem três filhos: Paola, de 10 anos, Emanuel, de 7 anos e Ana Paula, de 4 anos. “Não tive sorte de investir, porque o custo de vida é muito alto e com as crianças ficava difícil”, lamenta. Yano acredita que as crianças vão se adaptar bem em Campo Grande, porque falam português e “foram criadas para serem brasileiras”.

Yano afirma que do Japão só trará a “bagagem profissional”. Ele conta que já estabeleceu contato com um depósito de material de construção e conseguiu garantir uma entrevista. A pretensão é o cargo de operador de empilhadeira

Enquanto não conseguir se recolocar no mercado, porém, contará com a solidariedade de outras pessoas. As doações serão recebidas na casa da sogra, Mafalda de Oliveira, que fica na Rua dos Arquipélagos 465, bairro Coophavila II (em frente à Igreja).

Tudo será aceito, de alimentos a material de construção, para reforma da casa no Lageado. "Vamos ter de montar a casa toda", lembra Fábio.

Mafalda diz estar ansiosa para ver a filha, que há 13 anos não vem ao Brasil, e conhecer pessoalmente os netos. Mas se penaliza com a condição em que eles estão voltando. “Não é fácil. A intenção deles era ir para lá, fazer a vida e vir embora. Mas Deus mandou o contrário e a situação ficou precária”, diz.

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