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05/06/2013 16:15

SELIC volta a subir. As empresas que se cuidem!

Por Paulo Sérgio de Moraes Sarmento

Os juros voltam a subir e devem prosseguir subindo sabe-se lá até quando e a que nível. As expectativas são de que a SELIC ainda suba além dos atuais 8% nas próximas reuniões do COPOM - Conselho de Política Monetária. A justificativa para essa escalada é o duvidoso combate à resistente inflação - e sem esquecermos que o país está em campanha eleitoral.

Elevação de juros é tratamento pesado para qualquer economia porque torna a vida mais cara, reduz o consumo e desencoraja os empréstimos. Se é uma das soluções para reduzir a inflação? É, porém depende de vários fatores conjunturais. É uma medida extrema que mexe com os mercados, mexe com as empresas e tem como finalidade reduzir ainda mais o nosso pequeno crescimento. Lembrando que beneficia, sem dúvida, o mercado financeiro - bancos e investidores.

Mesmo quando, recentemente, tivemos a queda dos juros por imposição do governo federal, ainda assim continuamos com as maiores taxas de juros do planeta. Um dos principais itens do elevado custo Brasil e que agora é mais uma vez agravado. As empresas precisam fazer a sua lição de casa para manter a competitividade e sobrevivência numa situação adversa como essa, de custos financeiros subindo com os seus efeitos colaterais.

Sempre oriento, como regra geral, que fiquem constantemente de olhos em seus custos, todos eles, em especial os juros. Estes corroem o lucro e são os que menos recebem atenção como deveriam nas empresas, sejam elas capitalizadas ou não. Juros são custos como quaisquer outros e costumam ser invisíveis aos olhos voltados para outros focos e prioridades, principalmente nas pequenas e médias empresas. Incidem em todos os níveis da operação. Dou alguns exemplos:

- Quando o prazo médio de recebimento das vendas é superior ao prazo médio dos pagamentos, precisamos de capital de giro. Pagamos juros nos empréstimos ou perdemos aplicações na diferença desses dois prazos. Esse custo deve ser calculado;
· - O giro lento do estoque represa capital empatado e, novamente, perdemos aplicações ou pagamos juros. Custo que também deve ser calculado;
·
· - Despesas desnecessárias com mordomias, afrouxamento nas despesas, desperdícios de materiais, de insumos, o hábito de restaurantes caros, viagens que podem ser evitadas, ineficiência de processos, funcionários em excesso, enfim, uma longa lista tão comum que geram custos adicionais e, portanto, mais juros;
·
· - Baixa produtividade. Funcionários melhor preparados e melhores processos produzem mais por hora, reduzindo custos e juros;
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· - Falta de controle na qualidade gera refugo ou obriga a que se refaça o mal feito. Prejuízo em tempo, insumos, mão de obra e materiais. Mais juros.

Quando uma empresa está descapitalizada, até um copo de água ou uma lâmpada acesa representam custos financeiros. Claro que ninguém irá restringir a água para se beber, ou trabalhar às escuras, mas num conjunto das chamadas pequenas despesas como copinhos descartáveis, cafezinhos, luzes acesas sem necessidade, uso indevido de telefones e outros gastos, tudo contribui para o aumento de custos e juros. Tudo isso sai do lucro!

Custos precisam ser tratados com obstinação. Cortados com critério e sem remorsos. Soluções financeiras devem fazer parte das estratégias que levam à melhoria da competitividade - ainda mais num ambiente adverso de juros altos e políticas púbicas equivocadas.

É uma luta diária: inovar, cortar gastos possíveis, rever estratégias e objetivos para que a empresa defenda o seu lucro, razão única da sua existência, da sua perenidade e responsabilidade maior do empresário. Quem dirá em tempos de SELIC nas alturas...

Paulo Sérgio de Moraes Sarmento é economista e sócio da VSW Soluções Empresariais.

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