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18/12/2017 09:20

Sebastián Piñera é eleito presidente do Chile pela 2ª vez

Midiamax

Sebastián Piñera, ex-presidente conservador e representante da coalização de centro-direita "Vamos Chile", venceu o segundo turno das eleições presidenciais chilenas deste domingo (17). Ele vai suceder Michelle Bachelet a partir de março do ano que vem.

Aos 99,86% da apuração, Piñera conquistou 54,57% dos votos e seu rival, Alejandro Guillier, 45,43%. Guillier reconheceu uma "dura derrota" e parabenizou Piñera pela vitória.

Piñera era visto como o favorito durante a campanha presidencial. No entanto, obteve apenas 36,64% dos votos no primeiro turno - quando Guillier conquistou 22,7% - e a disputa ficou mais acirrada para esta segunda votação.

A vantagem sobre Guillier resultou maior do que o esperado. As últimas pesquisas eleitorais apontavam um empate técnico.

Pelo Twitter, Guillier agradeceu o apoio de seus eleitores: "Obrigado ao povo chileno e às milhões de pessoas que nos entregaram sua confiança. Mas isso não acaba. Seguiremos adiante lutando por direitos sociais. Estamos tranquilos e com a cabeça levantada, já que sem dúvida demos tudo pelos nossos ideais. Milhões de obrigados!"

Aos 67 anos, o detentor de uma fortuna estimada em US$ 2,7 bilhões, de acordo com a revista "Forbes", Piñera era o candidato preferido entre empresários e investidores para comandar os rumos do país.

Com a vitória, ele será o único político de direita a governar o Chile em duas ocasiões. Seu primeiro mandato foi entre 2010 e 2014, quando também sucedeu Bachelet.

Estudos e consultorias

Nascido em Santiago em 1949 em uma família de classe média, Sebastián foi o terceiro dos cinco filhos de Magdalena Echenique e José Piñera, um engenheiro e diplomata que participou da fundação da Democracia Cristã.

Piñera se formou em Engenharia Comercial na Universidade Católica do Chile e cursou mestrado e doutorado em Economia na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, onde também foi professor assistente. Também deu aula em universidades chilenas.

Foi consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Banco Mundial e trabalhou na Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal).

Carreira de empresário

Na década de 1970 Piñera funda sua primeira empresa, a construtora Toltén, vendida mais tarde por US$ 2 milhões, segundo o jornal “El Mercúrio”. Em 1978 o empresário conseguiu a representação no Chile para os cartões de crédito Visa e Mastercard e, então, criou o Bancard.

Foi gerente-geral dos bancos Talca e Citicorp-Chile, presidente da Apple no Chile e acionista de algumas empresas, entre elas a Lan Chile (agora Latam, após a fusão com a brasileira TAM). Em 2004, comprou a TV Chilevisión e foi o maior acionista da empresa controladora do time de futebol Colo-Colo.

Carreira política

Piñera ingressou na carreira política em 1990, quando foi eleito senador e, depois de eleito com uma candidatura independente, ingressou no partido Renovação Nacional. Em 1993, o partido o considerou lançar como candidato presidencial, o que não ocorreu por causa do escândalo conhecido como “Piñeragate”. Nele, Piñera foi pego em escutas telefônicas pedindo para que fosse privilegiado em um debate.

Foi candidato presidencial em 2005, após presidir o partido entre 2001 e 2004, mas perdeu no segundo turno para Michelle Bachelet com 46,5% dos votos. Em 2009 foi novamente candidato presidencial, sendo eleito no ano seguinte com 51,61% dos votos contra o ex-presidente Eduardo Frei.

Quando chegou à Presidência, aos 60 anos, dilatou a venda de ações de uma emissora de televisão, da companhia aérea LAN (agora Latam, após a fusão com a brasileira TAM) e o time de futebol Colo-Colo.

Promessas

Durante a sua campanha para o primeiro turno, Piñera anunciou que reverterá ou modificará as principais reformas realizadas pela presidente socialista na tributação e na educação. O ex-presidente também disse que mudaria a atual lei do aborto, que descriminaliza a prática em situações específicas.

No entanto, após o resultado do primeiro turno, quando a esquerda conquistou mais votos do que o esperado, mudou algumas de suas principais propostas. Passou a defender a continuidade do sistema de ensino gratuito implementado por Bachelet e ampliá-lo a setores mais pobres. Também deixou de se posicionar em relação à lei do aborto.

Com um programa de governo que prevê uma despesa de US$ 14 bilhões, criticado pelos cortes em programas sociais, Piñera promete recuperar a liderança, a capacidade de crescimento do país, a criação de empregos e redução da pobreza e da desigualdade.

Relações com o Brasil

Para o professor de Relações Internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) ouvido pelo G1, David Magalhães, a preferência dos chilenos por um governo mais à direita acompanha tendências dos países da América Latina, como Argentina e Peru, em implementar políticas liberais. "Na minha visão, o governo de Bachelet estava fazendo o oposto, não dando tanta abertura ao mercado e tentando reverter um movimento de liberalismo econômico pós-ditadura", disse.

Para Magalhães, a ascensão de Piñera, que tem um posicionamento muito mais alinhado aos Estados Unidos e ao Pacífico, pode não ser bom para o Brasil já que o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e da União das Nasções Sul-Americanas (Unasur) se enfraquecerem ainda mais.

"Avaliando o plano de governo de Piñera, você percebe que ele nem mesmo menciona o Brasil, mesmo que nós tenhamos a imagem de liderança regional", pontua. Por outro lado, ele menciona que Peru e a Argentina, que hoje têm uma agenda muito parecida com aquela que Piñera pretende implementar, podem ser novos "aliados econômicos" na região.

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