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22/06/2004 16:36

Saúde e qualidade de vida do médico em pauta

Márcia Wirth

O Conselho Federal de Medicina (CFM) está elaborando o Programa de Atenção à Saúde e Qualidade de Vida do Médico, visando a prevenção, o tratamento e a reabilitação desse profissional. O conselheiro federal pelo Estado do Mato Grosso do Sul, Luiz Salvador de Miranda Sá Júnior, é um dos idealizadores do projeto

"O principal objetivo do programa é fazer com que o médico, que diariamente se preocupa com a saúde dos pacientes, passe a estar atento à sua própria saúde, com prevenção e orientação. Nossa meta é identificar médicos que estejam em situações de risco, visando prestar-lhes a necessária assistência, seja com tratamento, prevenção ou reabilitação" afirma Rubens dos Santos Silva, secretário-geral do CFM e coordenador do Programa de Atenção à Saúde e Qualidade de Vida do Médico.

De acordo com o coordenador do Programa, o médico, que vive à disposição dos que necessitam da sua atenção tem, muitas vezes, dificuldades para assumir a condição de paciente. “Em geral, o médico em tratamento não se afasta das suas atividades profissionais, o que dificulta o cumprimento do retorno e do tratamento a que deve se submetido. Não há que se falar em negligência do médico com a sua própria saúde. O que na realidade ocorre é que esses profissionais são submetidos a regimes de trabalho desgastantes, com cargas horárias extensas, alimentação irregular e inadequada, sem o tempo de repouso necessário” declara Rubens dos Santos.

Experiência paulista


Para o professor de Psiquiatria da Unifesp, Ronaldo Laranjeira, que integra a Comissão de Elaboração do Programa, a velocidade de ação e o entusiasmo do CFM para com esse projeto são determinantes, pois demonstram o dinamismo e a determinação política de oferecer aos médicos de todo o Brasil o que existe de melhor na medicina para a ajudar o profissional com problemas emocionais e psiquiátricos.

“Há mais de 5 anos, um grupo de médicos de diversos estados brasileiros vêm tentando chamar a atenção para o fato de que os médicos precisam de maiores cuidados com a sua saúde mental. Em São Paulo, há 2 anos, o Conselho Regional de Medicina iniciou um programa estadual visando, inicialmente, dar atenção aos médicos dependentes químicos. Foi uma atitude muito corajosa, pois na época, imaginou-se que a imagem do médico poderia ser negativamente afetada pela associação com uma doença cercada de tanto preconceito social como a dependência química. No entanto, a resposta foi positiva, pois a sociedade reconheceu a coragem dos médicos de admitirem o problema e proporem soluções razoáveis e não punitivas para os colegas doentes. Após um ano de funcionamento desse programa, o próprio CREMESP resolveu ampliar as suas ações, tratando não só dependência química, mas também das doenças psiquiátricas” afirma Laranjeira.

O Programa em elaboração pelo CFM terá como foco, além dos problemas de dependência química, as questões habituais de saúde, tais como prevenção e acompanhamento de doenças cardiológicas, hipertensão, diabetes e outras. “Apesar de não termos (ainda) estatísticas, os dados de observação e de identificação apontam diabetes, hipertensão, doenças osteo-articulares, quadros psiquiátricos, como doenças muito comuns na classe médica. Estamos nos propondo a elaborar estatísticas nesse sentido” afirma Luiz Salvador de Miranda Sá Júnior, 1° secretário do CFM, consultor do Programa.

Salvador destaca a importância da criação de um programa como este no Brasil “Estivemos – Rubens e eu – no início do ano na Argentina, participando de um encontro de Psiquiatria, onde pudemos entrar em contato com várias experiências latinas que visam melhorar a qualidade de vida e a saúde dos médicos. Os profissionais que promovem a saúde e o bem estar da sociedade merecem gozar a vida com boa saúde. Acredito que a adesão ao programa brasileiro será muito grande”.

No último encontro da Comissão de Elaboração do Programa de Atenção à Saúde e Qualidade de Vida do Médico, que aconteceu no dia 20 de maio, em São Paulo, ficou estabelecido que, inicialmente, o Programa se voltará para o atendimento dos problemas relacionados à saúde mental e ao uso de drogas. Para isto, foi constituído um grupo de psiquiatras para definir que tipo de auxílio será oferecido aos médicos enfermos.

Informação necessária


A comunicação do projeto à classe médica será feita por meio do cadastro nacional de médicos do Conselho Federal de Medicina, além da divulgação de informações na homepage do CFM (www.portalmedico.org.br) e no jornal MEDICINA. Além disto, “pretendemos realizar eventos específicos nas escolas de medicina, nas entidades de classe e nas sociedades de especialidades para esclarecer os médicos a respeito do nosso projeto” afirma Santos.

O Conselho Federal de Medicina também enviará correspondência às Sociedades de Especialidades, solicitando espaço nos congressos científicos para que o Programa de Atenção à Saúde e Qualidade de Vida do Médico seja apresentado aos médicos. A Associação Médica Brasileira, a Associação Brasileira de Psiquiatria e a Sociedade Brasileira de Anestesiologia são entidades médicas que já demonstraram apoio ao Programa. O coordenador do Programa fará exposições sobre o tema durante o Congresso Brasileiro de Psiquiatria e durante o Congresso Brasileiro de Anestesiologia.

O lançamento oficial do Programa foi feito para a classe médica durante o Congresso Paulista de Psiquiatria - que aconteceu entre os dias 10 e 12 de junho, na capital paulista – quando foi realizado o primeiro curso de capacitação para os psiquiatras que farão a assistência dos médicos enfermos no Brasil.









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