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01/01/2011 03:17

São Silvestre dos anônimos: uma corrida à parte

GE.net/Marcelo Belpiede

O tricampeonato de Marílson Gomes dos Santos é um orgulho para o esporte brasileiro, mas a Corrida Internacional de São Silvestre não se resume apenas à disputa no pelotão de elite. Participar ao lado de atletas amadores traz muitas surpresas. É uma sensação e um prazer que precisam ser divididos.

Aos 30 anos, tive a sensação de desafiar a São Silvestre pela primeira vez. E completei. Pelo cronômetro da chegada, em 1h46min41. Mas a colocação pouco importa. Tenho certeza de que a sensação de vitória é igual a todos. Era possível ver na expressão de cada um que cruzava a linha final.

Aliás, é importante ressaltar que outros integrantes do time da Fundação Cásper Líbero participaram com brilhantismo da São Silvestre. Responsáveis pelo setor de pesquisa do arquivo da Gazeta Esportiva, Ivo Camanzano, 47 anos, e Alessandro Ribeiro, 35, partiram juntos e chegaram com o impressionante tempo de 1h11. Já Rogério Coutinho é analista de sistema e cravou 1h18. Para completar, o médico de trabalho José Roberto Portante também encerrou a corrida na casa de 1h46. Todos já tinham experiências anteriores no evento e destacaram a energia da torcida na edição de 2010. Trata-se de uma realidade. As pessoas dão muito apoio nas calçadas. Você sente, nas devidas proporções, como se realmente estivesse representando o seu país.

Em compensação, eu fiz minha estreia em provas de rua justamente na São Silvestre. Admito que a apreensão era grande antes do início. Não sabia muito o que esperar. Procurei manter a atenção no início. Tive o prazer de largar no pelotão C, alguns metros depois do bloco geral. Mas também encontrei dificuldades em função deste \'benefício\'. Como apostei em um ritmo cauteloso no início, fui ultrapassado por muita, mas muita gente. Procurei ficar no lado direito da Avenida Paulista para não atrapalhar os mais rápidos e quase torci o tornozelo direito em um bueiro.

Também demorei algum tempo para acertar a respiração. Na verdade, nem pensei neste detalhe no começo. Passei a ficar mais confortável na prova no Elevado Costa e Silva. Aí, já haviam sido percorridos 5 quilômetros. Neste trecho, um detalhe curioso: uma moça, no alto de um prédio, chamava atenção com sua voz aveludada, cantando, ajudada por uma potente caixa de som. Ela fez a festa de todos.

Na região do Memorial da América Latina, perto do sétimo quilômetro, fiquei sabendo sobre a vitória de Marílson Gomes do Santos. Os torcedores avisavam a todos e pediam para não desistir. Até um senhor que já havia exagerado na bebida, provavelmente fruto da comemoração antecipada do réveillon, gritou virado para a parede: \"O Mailso ganhô (sic)\".

A partir do nono quilômetro, muitas pessoas começaram a sentir as dificuldades da prova. No Viaduto Orlando Murgel, que liga as avenidas Rudge e Rio Branco, já há um número considerável de corredores que apelam para caminhada. É justo, pois a subida não é fácil.

Confesso que comecei a sentir a perna pesada no 12º quilômetro. Aí passei a sofrer com o fantasma da Avenida Brigadeiro Luiz Antônio. Quando vi a placa do início da via, não dá para esconder o sentimento: \"gelei\".

Mas mantive meu ritmo, cauteloso, sem forçar e ultrapassei até um sósia do \"Freddie Mercury Prateado\". Ao observar a placa do 14º quilômetro, é impossível não pensar: \"Agora não desisto mais\". Lembro de um torcedor, com a camisa do São Paulo, falando na calçada: \"Não desistam, não desistam\".

Ao término da temida subida, a reação de alguns é hilária. Alguns cantaram \"Oh, a Brigadeiro passou\", enquanto outros foram mais enérgicos e soltaram um grito de \"Chupa, Brigadeiro!\". Mas não há espaço para muito tempo de irritação. Na Avenida Paulista, é o momento de curtir os metros finais e as glórias de uma digna vitória pessoal.

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