Cassilândia, Segunda-feira, 12 de Novembro de 2018

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14/10/2018 09:00

São Calisto

Redação

 São Calisto nasceu na segunda metade do século II. Tudo indica que era escravo de um senhor que lhe confiou a administração de seus bens. Mas ele, sem experiência no ofício, não se saiu bem dessa tarefa. Envolveu-se em complicadas operações financeiras e, por causa disso, terminou sendo condenado a trabalhos forçados nas pedreiras da Sardenha, na Espanha. Depois de algum tempo foi libertado pela comunidade cristã e emancipado. Tornou-se diácono e foi encarregado pelo Papa Zeferino de administrar o cemitério cristão da Via Ápia. Quando o Papa morreu, ele o sucedeu e governou a Igreja de 217 a 222. São Calisto organizou as catacumbas que hoje trazem o seu nome, formadas por quatro andares sobrepostos, com cerca de 20 quilômetros de corredores e que são meta obrigatória dos turistas que visitam Roma. De todas as catacumbas, as de São Calisto são as mais célebres e respeitáveis, não somente por suas dimensões como pelo grande número de túmulos e importância dos mortos nelas sepultados. Ele começou a construir essa obra monumental, quando ainda era diácono e a terminou quando Papa. Como Papa São Calisto combateu com vigor as heresias de seu tempo. De coração extremamente bondoso e sempre pronto a acolher e perdoar o pecador arrependido, opôs-se com veemência às idéias rigoristas de que certos pecados não podiam ser perdoados. Por causa disso foi perseguido, ridicularizado, caluniado, e teve de enfrentar em Roma o cismático Hipólito, que havia alimentado esperanças de ocupar o lugar deixado pelo Papa Zeferino e que não quis reconhecê-lo como Papa, alegando para tanto dois motivos: sua condição de ex- escravo e sua excessiva condescendência para com os pecadores. Segundo uma tradição, e essa parece a versão mais segura, ele foi lançado num poço e aí morreu, durante uma revolta popular contra os cristãos. Apesar de haver construído uma obra monumental, dela não usufruiu, pois foi enterrado na Basílica de Santa Maria que mais tarde, por determinação do Papa Júlio, passou a se chamar Basílica de São Calisto.

No mundo de hoje, cruel para com os que não têm dinheiro nem condição social elevada e impiedoso para com os que erram; no mundo de hoje onde as pessoas se negam a construir algo do qual não possam tirar proveito e obter vantagens, São Calisto nos convida a sermos gratuitos com os que não podem nos retribuir, a sermos generosos com os que erram, e a nunca negarmos ao irmão uma nova chance de vida.

VIANNA, Zélia (2005). Santidade Ontem e Hoje. Salvador: Paróquia de São Pedro

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