Cassilândia, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

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20/07/2007 08:08

Rosildo Barcellos: "Que contraste!"

Prof. Rosildo Barcellos*

Para mim aquele dia seria mais um dia dos muitos que vivi. Mas tinha de ser diferente. O Brasil estava de posse da Copa América ( 3x0 ) na Argentina,já era uma alegria. Medalhas de Ouro palpitavam no PAN,uma delas demorou 56 anos para chegar.O que tinha de igual eram as ligações dos meus credores que reuni graças a indisposição do Governo em pagar decisões judiciais líquidas e certas;legislando por medidas provisórias desprezando direitos históricos do trabalhador,como por exemplo o adicional noturno. Por isso desanimado, por ter de dar sempre a mesma resposta, fui para a frente da televisão(antes que a empresa de energia elétrica interrompesse).
De súbito aparecem notícias do vôo JJ3054 oriundo de Porto Alegre.Em seguida imaginei que era eu saindo da capital gaúcha. As juras de amor incondicional, os beijos de despedida,os abraços dos amigos que tenho certeza; se pudessem prever dariam abraços ainda mais apertados.
De repente o Hino Nacional brasileiro cantado com uma alegria nunca vista pelos nossos atletas.Que contraste! A emoção de nossos atletas decolando até o ponto mais alto do local onde são homenageados os grandes campeões.Então abriram-se dois quadros na mesma tela e o contraste ficou premente e pude entender as várias facetas do choro,das lágrimas. E entendi também que a vida é realmente um jogo,o jogo da sobrevivência e imaginei os tripulantes e passageiros daquele avião saltando para a glória.
Discordo dos dados oficiais de que morreram cerca de 200 pessoas.Morreram muito mais...morreram sonhos de milhares de famílias que não puderam estar lá para arrancarem do fogo e das cinzas seus entes queridos. Os pais que não puderam resgatar seus filhos da fumaça e do desespero e os filhos que não poderão mais pedir as orientações de vida a seus pais, posto que, estes já estavam nos braços do Pai maior.
Estou convencido de que uma das mais difíceis experiências humanas é a partida. No entanto, do nascimento à morte, a vida é uma série de partidas. Algumas temporárias; outras permanentes. A partida nos lembra que não temos controle total sobre a vida. A partida significa ajustar-se à nova realidade, em que o outro não está mais presente. Acontece quando o nós se torna simplesmente eu. E por vezes não somos capazes de substituir a presença física de quem se foi pela lembrança que nos deixou. Dificilmente suportamos e aceitamos os sofrimentos que podem acompanhar a morte.
Entretanto, vejo que a maior necessidade de quem perdeu alguém seja ter com quem compartilhar sua dor… suas lembranças… sua tristeza. Na vida só aceitamos aquilo que compartilhamos. As pessoas enlutadas precisam de tempo e espaço para \"trabalhar\" a dor. Quando sofremos, precisamos de alguém que olhe para trás. É o passado, e não o futuro, que permanece como fonte de conforto nos primeiros estágios da dor. É aquilo que ficou em nós,os ensinamentos daquela pessoa que morreu.
Sobreviver é encontrar sentido no sofrimento. A dor que tem sentido é suportável, mas essa noção não surge de repente. Às vezes, o sofrimento pode abalar nossa fé: gostaríamos de saber o que Deus está querendo, ou se ele se esqueceu de nós.
É evidente que quando relembramos nossa vida e relacionamento com a pessoa que se foi, sempre descobriremos falhas. Não obstante, devemos procurar buscar ensinamentos e motivações nas coisas ruins que nos acontecem no nosso cotidiano e já que alguns de nossos amigos e parentes saltaram para a eternidade devemos entrar com toda a alegria de nossas almas no revezamento da vida e conduzir o bastão da esperança ao nosso próximo. Uma pessoa liberta-se do sofrimento quando se sente querida e necessária. Ser capaz de ajudar alguém dá sentido a vida, nos faz sentir bem e auxilia a compreender que nossa experiência pode ser colocada a serviço dos outros.Foi isso que diminuiu minha tristeza, e fez entender que meus problemas não são nada em relação aos outros e o pouco que eu sei é um oásis de conhecimento para aquele que perece a cada dia por falta de orientação e apoio.Minha tristeza agora consiste em entender porque o governo espera acontecer tragédias para perceber que trans! portes,comunicação e segurança pública são prioridades de atenção nos investimentos
*articulista

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