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22/04/2009 08:05

Rogério Tenório de Moura: Papai Noel Airlaines

Rogério Tenório de Moura*

A coisa pública e os interesses privados se confundem de tal maneira em nossa sociedade clientelista, fisiologista e patriarcal que é difícil até mesmo àqueles que deveriam ser o esteio da lisura no trato com o bem público separarem o joio do trigo, o certo do errado, o moral do imoral, ou, para não ser tão depreciativo, amoral!

Refiro-me à bola da vez da política nacional, o escândalo do momento, afinal um sucede ao outro em um ritmo cada vez mais frenético: a "doação" de passagens aéreas institucionais que nossos diletos congressistas tem feito a familiares, amigos, artistas, modelos...

O absurdo beira às raias da loucura, tanto que o Presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, alegou em seu álibi, pois o exemplo, mau exemplo, diga-se de passagem, começa pelos "maiores", que não há nada de ilegal no uso de tais passagens para viagens com a família ou mesmo doações a terceiros, pois falta maior clareza quanto às restrições ao uso das mesmas.

Bem, se quem preside tal casa legislativa, e pela segunda vez, não sabe o que pode ou não ser feito com os benefícios que lhe são ofertados por exercer um cargo parlamentar, chegamos realmente ao limiar de uma crise das instituições democráticas. Finalmente ficou claro para mim o porquê do executivo e do judiciário terem se metido a exercer, paralelamente as suas atribuições, o poder legislativo.

A questão pode até parecer insipiente diante de outros escândalos tão mais expressivos, numericamente falando, vivenciados recentemente, mas o cerne da questão não são os valores, suficientes para quem paga nosso espúrio imposto de renda se indignar, mas a crise de identidade de nosso parlamento. Qualquer sociedade que se queira democrática tem no legislativo o seu âmago, não é à toa que Júlio César dizia que o Senado de Roma era a própria Roma.

Não há desculpa possível para o ocorrido, se nossos congressistas desconhecem que o uso de tais vantagens são para o exercício do mandato e não cortesia às nossas expensas, temos uma representação extremamente precária porque são mal preparados; e se usaram deliberadamente conscientes de que estavam viajando no trenzinho da alegria, melhor dizendo, no "Papai Noel Airlines", aí sim estamos literalmente vendidos!

Então, gostaríamos de pedir ao ilustre senhor presidente, enquanto líder maior desta casa de leis, que o senhor consulte não apenas ao regimento interno da câmara, que deve ser tão furado e remendado quanto a nossa própria constituição, mas a sua consciência e, assim, possa orientar os seus nobres colegas a agirem com a devida lisura com o dinheiro público, afinal de contas, o legislativo é, ou ao menos deveria ser, o retrato mais fiel da sociedade, onde todo cidadão tem vez e voz, pois nela todas as correntes ideológicas tem a oportunidade de alçar representação.

Ah, insistimos ainda, enquanto contribuintes que não podem protelar o pagamente de seus impostos, que Vossa Excelência não postergue o vosso próprio esclarecimento e de vossos pares no que tange a tão famigerada questão das passagens aéreas.

E já que o problema é falta de conhecimento sobre o que se pode ou não fazer, o apóstolo Paulo deu uma boa dica sobre como nos portarmos na falta de uma parâmetro legal: "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm." (I Coríntios 6:12)

Obs.: uma cópia deste artigo foi enviada ao gabinete do deputado Michel Temer.

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

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