Cassilândia, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

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29/04/2008 09:32

Rogério Tenório de Moura: fala sobre professor Gilberto

Rogério Tenório de Moura
Prof. Gilberto (esq) com o radialista João PamplonaZido SilvaProf. Gilberto (esq) com o radialista João PamplonaZido Silva

É inacreditável como mesmo tendo ciência de que a morte faz parte da vida, continuamos insistindo em vivê-la como se fossemos eternos, conformamo-nos com a mediocridade, com o lugar comum. E só nos detemos em refletir mais profundamente sobre tamanha efemeridade quando somos surpreendidos com a morte de um parente, de um amigo ou mesmo de alguém com quem nos habituamos a encontrar na cidade como que fazendo parte da paisagem dela, do cotidiano dela.

A morte do professor Gilberto Ferreira, o Gilbertão como muitos o chamavam, inclusive eu, é mais um desses exemplos que põe em choque nossa concepção de vida, nossos valores éticos e morais, nossas prioridades. Como um homem que, pelas minhas lembranças de ex-aluno seu, lá na antiga Escola Ambrosina, não pegava nem resfriado pôde sucumbir de maneira tão inesperada? Que mundo é esse em que um homem após trabalhar uma vida inteira morre tão logo se aposenta? Que vida é essa em que um pai de família parte, depois de educar tão bem seus filhos, sem poder testemunhar o resultado de sua dedicação?

Tais questões existem desde que o mundo é mundo e só pude compreender que são perguntas sem respostas depois de perder meu irmão, aos trinta e dois anos de idade, deixando uma filha de três anos e um monte de sonhos para trás. Irmão que também foi aluno do professor Gilberto e que, como eu, aprendeu a duras penas a admirá-lo. Digo a duras penas porque foi com o professor Gilberto que tive a experiência de, por exemplo, tirar minha primeira nota baixa, um cinco e meio, que nem era tão baixa assim, mas que, na época, foi o suficiente para me deixar desnorteado. No entanto foi a convivência com um homem de padrões tão rígidos que me fez entender que tudo o que vale a pena ser feito, vale a pena ser bem feito.

Lembro-me com carinho de nossas conversas sobre política, na época meus colegas e por vezes até mesmo eu achávamos que estávamos “enrolando” a aula, ledo engano! Hoje, enquanto professor que sou, vejo que tamanha empolgação demonstrada por meu mestre em nossos calorosos debates vinham corroborar a certeza latente que pulsava em sua consciência de que ser educador é mais que meramente repassar conteúdo, é preparar para o exercício da cidadania.

Infelizmente docentes como o professor Gilberto Ferreira estão em processo de extinção, a permissividade permeia todos os relacionamentos sociais, sobretudo os que exigem a presença de uma autoridade firme, mas coerente; seja entre pais e filhos que não querem ser lembrados por estes como repressores, intransigentes; seja entre alunos e professores que não querem ser lembrados por aqueles como autoritários. Faltam exemplos de homens de rígido padrão ético e moral para que nossas crianças possam se espelhar, essa geração da instantaneidade tem sido privada de experiências de árduo labor que venham a lapidar seu caráter. Enquanto isso a sociedade se deteriora!

Felizmente tive o privilégio de ter não somente em minha história enquanto aluno, mas em minha história de vida a companhia de um homem do calibre do professor Gilberto. Talvez se ele não tivesse passado por ela não seria o profissional que sou hoje, pois, sem receio de parecer piegas, quando deparo-me diante de uma situação conflitante a primeira coisa que penso é: como o professor Gilberto agiria?

Aos familiares, minhas condolências, acreditem, por mais que hoje possa parecer uma dor insuportável, não há nada que o tempo não cure ou, ao menos, não ensine a conviver. As respostas continuam vagando no limbo, ao menos até o dia em que nós mesmos formos chamados a prestar contas do que fizemos de nossas vidas. Aos ex-alunos enlutados como eu, um abraço fraterno e uma conclamação, sejamos nós o exemplo vivo dele!

Rogério Tenório de Moura
é licenciado em Letras pela UEMS,
especialista em Didática Geral e em
Psicopedagogia pelas FIC.

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