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16/01/2009 07:45

Rogério T. Moura: Imparcialidade jornalística?!

Rogério Tenório de Moura*

Ano eleitoral é um péssimo momento para se discutir o papel social da mídia, justamente por isso decidi escrever sobre tal assunto somente agora, depois de passado um tempo razoável para se arrefecerem as paixões políticas. A tradição reza que o jornalista deve ser imparcial, ater-se apenas aos fatos, prender-se ao papel de historiador do cotidiano hodierno. Na prática, no entanto, o que se observa é o uso da mídia como campo de batalha de ideologias.
Enquanto o jornalismo sério se atém a reportar o ocorrido da forma mais fidedigna possível e foge dos assuntos que levariam o eleitor a entender que esta ou aquela é a posição oficial do meio de comunicação, os meios noticiosos colocam-se na posição de estandarte de determinadas ideologias ou o que é ainda pior: de determinados grupos.
Partindo deste pressuposto o jornalismo estaria condenado a ser um mero instrumento a serviço dos partidos políticos e grupos econômicos. Os jornais (impressos, digitais, radiofônicos ou televisivos) seriam feitos de acordo com os valores de seus donos, assim sendo o jornalista, seja ele graduado ou não, é rebaixado da condição de intelectual a mero operário das letras.
Para provar o óbvio, lanço mão de velhos clichês da sociolingüística: a verdade plena é inalcançável, uma vez que é mutável histórica e socialmente falando; isenção é uma utopia, pois os fatos noticiados não são escolhidos por critérios de relevância, mas conforme os valores e interesses de quem escolhe e, assim, ganham tratamento dessa ou daquela maneira, seguindo a mesma arquitetura de valores dos proprietários e/ou patrocinadores do jornal.
Isto significa que vivemos numa sociedade sem referencial, num mundo de versões?
Infelizmente, por mais que os editores e os professores de Comunicação Social tentem dizer o contrário, a resposta é: sim. Claro que os jornalistas bem intencionados procuram posicionar-se da maneira mais isenta o possível, dar o mesmo destaque às posições antagônicas de um mesmo acontecimento, passar ao longe dos adjetivos, selecionar fatos realmente relevantes e, portanto, de interesse social; mas será que tudo isso é o suficiente? A resposta obviamente é não por um simples motivo: ao noticiar a inauguração de determinada obra, mesmo que utilizando-se de mecanismos de coesão e coerência o mais neutros quanto possível, ainda assim o jornalista estará destacando o desempenho do gestor. Naturalmente um leitor mais crítico fará a leitura das entrelinhas questionando-se sobre a relevância de tal obra, mas para a maior parcela da população, que é comprovadamente analfabeta funcional, a decisão do jornal de noticiar a inauguração da obra em questão representa que o administrador público “Fulano de Tal” é notoriamente bom.
Assim sendo, considero que o melhor que um órgão de imprensa tem a fazer é abrir mão de por o dedo na ferida, ao menos durante o processo eleitoral. O ministério público procura fazer a sua parte evitando que jornais noticiem fatos que envolvam candidatos em um pleito, mas na prática é impossível de se coibir notícias que envolvem os atuais mandatários, seja do poder executivo, seja do legislativo, ou até mesmo do judiciário (em países em que este poder também é exercido por agentes eleitos via voto direto).
Diante do exposto, quero aproveitar o ensejo para parabenizar o ex- prefeiturável Guilherme Girotto por sua postura digna e austera. Em momento algum, seja meses antes do período eleitoral, quando ainda podia ocupar os microfones da rádio de seu pai, seja depois, jamais fez-se de rogado demonstrando preparo tanto para a vitória quanto para a derrota, que efetivamente sofreu; mas jamais perdeu sua postura efetivamente ilibada.
Assim sendo, não posso nem pretendo negar tudo o que afirmei sobre a impossibilidade da imparcialidade jornalística, mas aproveito a oportunidade da neutralidade do momento que vivemos para fazer essa justa consideração. Não sei se o Guilherme seria melhor prefeito que o Carlinhos, talvez nunca venha a saber, mas torço para que o atual mandatário consiga pôr em prática toda a boa vontade que deixou transparecer ao logo de sua campanha por um simples motivo: interesse! Que me desculpem os que se chocaram, mas não consigo ser menos sincero. Nasci, cresci, constitui família e trabalho aqui; torcer contra o atual governante corresponde a dar um tiro no próprio pé.
O momento das paixões passou, agora é hora de racionalidade. Cassilândia não é de um ou outro grupo político, mas de todos nós que efetivamente dia após dia, por meio de nosso trabalho árduo, construímos esta cidade. Parafraseando os “Engenheiros do Havaí” defendo e acredito no sucesso da atual administração porque: não quero deixar pros meus filhos a pampa pobre que herdei de meu pai!

*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; vice-presidente do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

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