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03/01/2015 14:50

Reprodução da ararinha-azul em cativeiro é conquista histórica

Redação
Foto: www.icmbio.gov.brFoto: www.icmbio.gov.br

Ave símbolo de extinção, hoje conta com apenas 92 exemplares. Há 14 anos, espécie não era reproduzida em criadouro no País.

Fundado há quatro anos no interior de São Paulo, o criadouro científico Nest abriga pássaros de diversas origens, cores e gorjeios.

No entanto, mesmo rodeada por várias aves exuberantes, uma espécie nativa atrai todos os olhares de quem passa por ali. Trata-se da ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), ave que foi símbolo da extinção anos atrás e hoje conta com apenas 92 exemplares, todos em cativeiro.

Vítima do tráfico de animais, a ararinha-azul desapareceu do seu habitat, a Caatinga brasileira, sendo considerada extinta na natureza desde o ano 2000.

Mas o futuro da espécie ganhou ares de esperança no último mês de outubro, com o nascimento de dois filhotes no criadouro Nest. O acontecimento é um marco histórico para o nosso país, que há 14 anos não reproduzia a ararinha-azul em cativeiro.

Exemplares
Com a chegada dos filhotes, a equipe do Nest tem agora 11 ararinhas-azuis sob seus cuidados. Os demais exemplares encontram-se nos criadouros Al-Wabra Wildlife Preservation (Catar) e Association for the Conservation of Threatened Parrots – ACTP (Alemanha).

Trabalhando de forma coordenada, as instituições lidam com os 92 indivíduos como uma população única. Todo esse esforço faz parte da realização do Projeto Ararinha na Natureza.

Os filhotes
Com dois meses de vida, os filhotes vêm apresentando um desenvolvimento bastante satisfatório. Nasceram com apenas 15 gramas e agora já chegam a cerca de 350 gramas, pouco mais que o peso de um adulto.

De acordo com o veterinário do Nest, Ramiro Dias, é normal que os filhotes ganhem mais peso nessa fase e que depois haja uma perda. "Na idade adulta, a estrutura muscular se modifica e o peso se estabiliza em aproximadamente 340 gramas", esclareceu.

Depois de passar quase 40 dias com os pais, Flor e Blu, os filhotes foram transferidas para uma Unidade de Tratamento Animal (UTA), estrutura semelhante às incubadoras humanas. Uma medida preventiva, pois a mãe estava arrancando as penas das cabeças dos filhotes.

Cuidados
Agora, em ambiente artificial, o trabalho de monitoramento é ainda mais minucioso. A umidade do ar é regulada em 70% e o ajuste da temperatura fica entre 27 e 30 graus.

A alimentação, inicialmente feita de forma natural pelos próprios pais (que regurgitam o alimento para a cria), passou para as mãos cuidadosas da tratadora Juliana Leme. A ração é diluída em água e colocada diretamente no bico dos filhotes com uma seringa.

A reprodução em cativeiro
O processo de reprodução das ararinhas foi natural, com poucas intervenções humanas. Flor e Blu copularam espontaneamente. A postura dos ovos, três no total, ocorreu entre os dias 29 de setembro e 3 de outubro.

O veterinário Ramiro Dias relata que a partir de 5 de outubro começaram a ser feitas as ovoscopias – exame que verifica se existe embrião se desenvolvendo no ovo – quando foi possível constatar a presença de dois ovos férteis e um infértil.

Perspectivas
A expectativa dos envolvidos no projeto é que a reprodução da ararinha-azul em cativeiro deslanche a partir de 2015. Além de Flor e Blu, o casal Caipora e Yara, formado em março deste ano, deve pôr ovos em breve.

Há expectativa também em torno de duas fêmeas, Mela e Turquesa, que estão gerando ovos inférteis. A ideia é que elas passem a gerar ovos férteis com a utilização da inseminação artificial.

Os desafios, por sua vez, são enormes. Um deles é justamente a menor quantidade de machos: no Nest são apenas dois machos para sete fêmeas (o sexo dos filhotes só será conhecido após o resultado da análise genética); enquanto o total mundial é de 34 machos e 51 fêmeas.

A pouca variedade genética das ararinhas-azuis, ocasionada pela redução da população, também é um obstáculo para o projeto.

"As aves apresentam em média de 300 milhões a 9 bilhões de espermatozoides por mililitro de sêmen, mas na ararinha-azul encontramos apenas 3 milhões.

Além da concentração baixa, muitos espermatozoides são defeituosos", ressaltou Ricardo Pereira.

Para minimizar o problema, são feitos mapeamentos genéticos e permutas de ararinhas entre os criadouros, buscando a ampliação da diversidade genética.

Segundo o especialista, a equipe está motivada e já pensa em novas técnicas para o futuro, a exemplo do transplante de células testiculares, que permitiria a um indivíduo ejacular o sêmen de outro. (Instituto Chico Mendes)

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