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27/09/2004 16:02

Reperfusão: modernas drogas não chegam à saúde pública

Agência Notisa

Rio de Janeiro - A conferência "Reperfusão no infarto agudo do miocárdio (IAM) - do trombolítico ao transplante celular" reuniu mais de 200 congressistas no auditório um, na manhã do segundo dia do congresso promovido pela Sociedade Brasileira de Cardiologia.

O palestrante, professor Leopoldo Soares Piegas, da Universidade de São Paulo, inciou sua abordagem fazendo um histórico das terapias para reperfusão. O incío da aplicação e as descobertas referentes à atividade fibrionolítica foram apresentados, tendo em vista estudos científicos na atividades fibrinolítica de estreptococos beta-hemolíticos.

A reperfusão é a técnica pela qual, através de intervenção farmacológica ou mecânica, consegue-se recanalizar o vaso comprometido, a artéria obstruída, que originou um infarto agudo do miocárdio. "Hoje a gente tem claro que é a obstrução da artéria que origina o infarto. Mas isso, até pouco tempo, nõ era sabido. Pensavam até que o infarto agudo do miocárdio é que gerasse a obstrução da artéria coronária", afirmou o congressista.

Na opinião do professor, os estudos de Gusto, no início dos anos 90, foram um marco nos avanços da prática de reperfusão. Através dessas pesquisas, pode-se comparar as potências dos medicamentos fibrinolíticos existentes, que eram diferentes para cada uma das drogas. "Foi aí que nós descobrimos que os fibrinolíticos poderiam estar associados a outras substâncias, potencializando seus resultados e até diminuindo seus efeitos colaterais", explicou o palestrante.

A utilização de fibrinolíticos associados a inibidores de glicoproteínas 2B3A, de acordo com o professor da USP, tem sido a maior tendência em prescrição na área de reperfusão. O fibrinolítico atuaria dificultando a formação da fibrina - uma das responsáveis pela formação do trombo - enquanto os inibidores de glicoproteínas 2B3A atuariam retardando a síntese da trombina, substância também associada à formação de trombos.

Para o pesquisador, o avanço nos estudos de reperfusão se devem à pesquisa científica, daí a necessidade de mais estudos na área. "Pesquisas de 1988, por exemplo, comprovaram que a utilização concomitante de fibrinolíticos com AAS poderia ser bastante vantajosa, devido às propriedades anti-coagulantes do ácido acetilsalicílico", exemplificou o professor.

Segundo o Leopoldo Soares, a abordagem mecânica - como a angioplastia - apesar de eficaz, possui um custo bastante elevado, que chega a inviabilizá-la em centros de saúde de menor porte. "Essa é a maior vantagem do medicamento na reperfusão. Desde centros de saúde com tecnologia de ponta até as unidades com menor tecnologia e recursos podem obter as vantagens de seus benefícios, salvando milhares de vidas. Será que uma pequena unidade de saúde está apta a fazer uma angioplastia?", interrogou.

Apesar de nos Estados Unidos os procedimentos mecânicos superarem a utilização de medicamentos, o professor afirmou que se trata de uma tendência isolada, visto que no Brasil e na Europa os medicamentos superam a intervenção mecânica.

Leopoldo Soares lamentou, contudo, que, apesar do avanço na pesquisa farmacêutica ser expressivo, seus benefícios acabam não chegando ao grande público, em sua maioria usuários de serviços de saúde pública. "Nós receitamos os mais modernos medicamentos para nossos pacientes no consultório. Chegando no serviço público de saúde, temos que utilizar a velha estreptoquinase, pois não se tem acesso ao que há de melhor em medicamentos. Isso é que precisa ser melhorado", concluiu.

Agência Notisa (jornalismo científico - scientific journalism)



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