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12/11/2007 08:35

Recado do Cheida: um copo de veneno

Luiz Eduardo Cheida*

O homem das cavernas, quando muito, tinha no corpo o produto biológico de algum microorganismo externo, traduzido em toxinas.


Graças ao modelo de desenvolvimento, lastreado na química moderna, hoje ele acumula substâncias nunca dantes retiradas da natureza e outras que compõem uma natureza própria, extraída na unha de sua tecnologia.


A leitura laboratorial do sangue, demais tecidos, e da urina de uma pessoa, são de uma clareza enervante.

Ali podem ser encontradas, tijolo por tijolo, como em um grande edifício:


Ftalatos, usados em plásticos que embalam alimentos, esmaltes, xampu, desodorante, loção, laquê, cortina de banheiro, brinquedos plásticos para água, colchões, travesseiros, carpetes, tapetes, telefones, secador de cabelo. PBDE ou éteres difenil polibromados, em móveis e tecidos, torradeiras, cafeteiras, microondas, TV, aparelho de som, computador. Ftalatos e PBDE provocam distúrbios de crescimento.


Pesticidas, desde os mata-insetos domésticos, coleiras antipulgas, sabonetes antimicrobianos, até aqueles usados contra possantes pragas da agricultura. Muitos associam-se à asma.


PFA, que são o sulfonato de perfluoroctanoíla e o ácido perfluoctanóico, usados em panelas antiaderentes, tecidos, tira-manchas, saco de pipoca para microondas. Em doses altas, levam ao câncer.


PCBs ou bifenilas policloradas. Estão proibidos, mas se encontram em qualquer lugar. Eram usados em sistemas de refrigeração e como isolantes elétricos. Também causam câncer.


Bisfenóis. São hormônios sintéticos usados em garrafas plásticas rígidas como mamadeiras. Causam danos ao sistema reprodutor.


PAHs ou hidrocarbonetos poliaromáticos, resultantes da queima incompleta dos combustíveis. Agridem veias e artérias.


Dioxinas, subproduto de queima industrial, queima de gorduras, queima de lixo. Causam câncer e anomalias congênitas.


Metais pesados. O chumbo, presente em tintas antigas (ainda nas paredes de muitas casas). O mercúrio, acumulado em peixes como o atum. O cromo e o arsênico, resultantes do tratamento de móveis de madeira. Conseqüências: de simples atrasos no desenvolvimento até a morte.


Crianças que engatinham, expõem-se mais. Pessoas próximas a locais com elevada concentração, contaminam-se mais.


O resultado desta sopa de letras, dentro do corpo de cada um, ainda é mistério.

Os possíveis malefícios parecem ser a soma das concentrações e misturas e a conformação genética de cada um. Por isso, alguns adoecem, outros não. Entretanto, crianças nascem deformadas, homens ficam estéreis, mulheres amamentam com leite carregado de pesticidas.

O custo humano que banca esse tipo de progresso é muito alto.


A cada ano, mais de 100.000 moléculas novas são sintetizadas e mais de 2.000 novas substâncias, comercializadas em grande escala. A química põe na praça um número cada vez maior de compostos artificiais. O resultado é a circulação, na biosfera, de compostos minerais ou orgânicos, altamente tóxicos. Cedo ou tarde, eles estarão dentro de nós.

Lá em cima do piano tem um copo de veneno
Quem bebeu, morreu
O culpado não fui eu
Foi aquele quem bebeu.


Nesta inocente brincadeira de criança, ganha quem ficar por último. Os perdedores são eliminados quando a última frase cai em sua mão.


A vida não pode ser um mero jogo de azar.


Um forte abraço e até sexta que vem.











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*Luiz Eduardo Cheida é médico, deputado estadual e presidente da Comissão de Ecologia e Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Paraná. Foi prefeito de Londrina, Secretário de Estado do Meio Ambiente, membro titular do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) e do Conselho Nacional de Recursos Hídricos.

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