Cassilândia, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

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04/05/2007 15:00

Recado do Cheida - Cem é melhor que cem

Luiz Eduardo Cheida

CEM É MELHOR QUE SEM

Chegamos aos três dígitos. Chegamos ao número 100.

E você, que é uma das vítimas, deve estar se perguntando:

- E tem mais? Num já chega?



Bem, há três anos, quando me propus a escrever os tais Recados, o mundo ainda não tinha o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC); no Paraná havia 64 milhões de árvores nativas a menos, quantidade fantástica voluntariamente plantada nas beiras dos rios deste período para cá (e um bom tanto, também voluntariamente, posto no chão); James Lovelok ainda não confessara seu repentino amor por usinas nucleares, dando de reio nos painelistas do clima, ao afirmar que o aumento global de temperatura, ainda neste florido, bucólico e cálido século XXI, excederá aos 7º C; este Recado incomodava a apenas 4 mil incautos e hoje já são 91 mil (em desespero); homens-bomba ainda promoviam chacinas de dois dígitos; gripe de frango era coisa de desenho animado; o Maluf estava preso; a dengue perdia para o Ebola e o Romário estava longe de fazer o milésimo.



Não passou tanto tempo assim e, veja você, parece que o mundo era outro. Enormemente outro. Redondamente outro.



Mas, diacho! a questão ambiental continuou sendo uma questão social.



Por isso, estas mal traçadas linhas que sempre propuseram-se a apontar o dedo para a hipócrita moral vigente, defendendo uma nova ética nas relações entre humanos e ambiente, continuaram.



Por isso, a crítica ao nefasto sistema de produção e consumo, que transforma a natureza em mercadoria, deixando o planeta exangue, persistiu.



Por isso, a insistente denúncia de que a natureza é finita e de recursos esgotáveis, sempre esteve nas linhas e entrelinhas.



Por isso, o princípio da responsabilidade, que coloca a espécie que pensa para responsabilizar-se pelo planeta, não deixou de ser lembrado com insistência.



Por isso, a crença de que a espécie humana não é mais importante que nenhuma outra (nem menos importante), foi defendida com veemência.



Por isso, a busca pela democracia radical e por valores que façam a espécie humana comungar entre si, e com as demais espécies vivas, é princípio que não deixou de ser evocado.



Por isso tudo, é que este Recado continuou. Ora falando em coisas novas, ora repisando, de propósito, as coisas já ditas e sabidas.



Quem manda eu ser do tempo em que bolo de fubá esfriava na janela?



Mesmo sabendo que não se deve desejar o passado, acho que não faz mal ambicionar que algumas coisas nunca passem: o cheiro da terra molhada de chuva, vento desmanchando o cabelo, estrela no céu, frio na hora certa, nadar em córrego, um pôr-de-sol em agosto, abelha no lugar de sempre, lágrima de felicidade, beber água de mina, amizade sincera, beijo na boca, silêncio, abraço de filho, um amor para sempre, e coisas que quase não se usam mais.



Também em nome disso é que o Recado vai continuar.



E quero que você continue com ele.



Afinal, chegamos nos 100. E, como diria qualquer marquetólogo falido, cem é melhor que sem. Que cê acha?

Se for pra discordar, não responda. Hoje é dia de festa.

Um forte abraço e até sexta que vem.


Luiz Eduardo Cheida é médico, deputado estadual e presidente da Comissão de Ecologia da Assembléia Legislativa do Paraná. Foi prefeito de Londrina, secretário de Estado do Meio Ambiente, membro titular do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) e do Conselho Nacional de Recursos Hídricos.

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