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03/12/2004 15:40

Quase 70% das prostitutas têm depressão

Agência Notisa

Um cotidiano de momentos difíceis, bem diferente do que a voz popular se encarregou de denominar como “vida fácil”. Para investigar a rotina de vida de prostitutas, pesquisadores da PUC-RS se reuniram e avaliaram o índice dessas mulheres que apresentam depressão. O resultado pode causar espanto: 67% das mulheres que exercem uma das mais antigas profissões do mundo apresentam sintomas depressivos.

O estudo, divulgado pela Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, avaliou 97 mulheres, com idades variando entre 18 e 60 anos. Segundo os pesquisadores, a profissão — que existe desde a Grécia Antiga — é exercida em Porto Alegre nas mais diversas condições, desde bares, boates ou mesmo nas ruas. “Existem poucos estudos relacionando sintomas ou transtornos depressivos e prostituição, e nenhum estudo realizado em Porto Alegre foi encontrado pelos autores”, diz o texto.

Definida a amostra, os pesquisadores partiram para os dados que seriam avaliados tais como idade, escolaridade, prática religiosa, cor da pele, razão para manter a atividade, renda média mensal, intenção de parar de prostituir-se, uso de preservativos, doenças sexualmente e uso de drogas ilícitas. Para avaliar a presença dos sintomas depressivos, o estudo utilizou 21 perguntas, baseadas em sintomas que tivessem ocorrido na semana anterior.

De acordo com os resultados, o motivo de depressão das prostitutas pode estar bem longe de razões financeiras, visto que a renda média mensal das pesquisadas ficou em torno de mil reais, quantia alta, se comparada ao salário médio do brasileiro. Contudo, a maior “razão apontada para continuar na atividade” foi de causas econômicas, justificativa dada por mais de 90% das pesquisadas. E, apesar das razões econômicas, 86,6% das prostitutas têm intenção de parar com a atividade.

Outros dados importantes para as análises dão conta de que 48,5% das prostitutas pesquisadas já tiveram pelo menos um aborto, quase 30% já contraíram doença sexualmente transmissível e mais da metade delas possui companheiro fixo. Por outro lado, uma boa notícia: mais de 93% das prostitutas gaúchas estão usando camisinha em suas relações sexuais. “A prevalência de 28,9% de doenças sexualmente transmissíveis ao longo da vida, número aparentemente reduzido dados os riscos inerentes à pratica profissional da amostra, pode ser parcialmente explicado pela taxa de 93,8% de utilização de preservativos encontrada”, afirma o estudo.

Sobre isso, um estudo prévio feito com prostitutas da mesma cidade revelou que o preservativo serviria como um diferenciador de relacionamentos. “A maioria das mulheres considera um sinal de fidelidade ao marido ou companheiro fixo a não utilização de preservativos com ele, e o preservativo simbolizaria a diferença entre a vida particular e a profissional”, destaca o texto.

Entretanto, um dos dados mais relevantes para as conclusões, segundo os pesquisadores, foi a relação das prostitutas que apresentam sintomas depressivos — 67% da amostra — com o álcool, fumo e substâncias ilícitas. Entre o grupo das entrevistadas que apresentavam sintomas depressivos, mais de 70% delas faziam uso de álcool e 32,2% afirmaram praticar alguma religião. “A prevalência de sintomatologia depressiva em 67% dos indivíduos da amostra chama a atenção, bem como a associação estatisticamente significativa entre a presença destes sintomas com uso de álcool, história de doenças sexualmente transmissíveis e ausência de prática religiosa”, destaca a pesquisa.

O estudo observa que a prática religiosa acaba atuando como um fator de auxílio para as prostitutas, com relação ao desenvolvimento de sintomas depressivos. “A prática religiosa aparece na amostra como um fator de proteção em relação à presença de sintomas depressivos, o que corresponde a achados de literatura em que a prática religiosa está associada com a redução de risco de transtornos depressivos ao longo da vida e a melhoria de qualidade de vida”, esclarecem os pesquisadores.

Na opinião dos estudiosos, mais pesquisas envolvendo o cotidiano das prostitutas de Porto Alegre — e de outras cidades brasileiras — se fazem necessários. “O estudo tem o objetivo de chamar a atenção para essa população de risco colocada à margem da sociedade, mas que, seguramente, necessita de atenção e investigações que complementem e enriqueçam os dados aqui relatados sobre este grupo sobre o qual pouco se sabe e se pesquisa em nosso meio”, conclui o texto.

Agência Notisa (jornalismo científico - science journalism)

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