Cassilândia, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

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22/04/2009 21:18

Pura emoção: o discurso do novo desembargador do TJMS

TJMS

Muito emocionado, o Des. Júlio Roberto Siqueira Cardoso foi empossado no plenário do Tribunal Pleno, no Palácio da Justiça. O local ficou repleto de autoridades, amigos, conhecidos, familiares e personalidades jurídicas.

Em seu discurso, o novo membro da mais alta Corte do Judiciário Sul-mato-grossense falou de sua trajetória, lembrou de pessoas queridas e de familiares, e agradeceu à Mato Grosso do Sul pela acolhida.

Abaixo a íntegra do discurso do Des. Júlio Roberto Siqueira Cardoso:
“Entre fazer um pronunciamento técnico e, às vezes, cansativo e um outro sentimental e mais subjetivo, prefiro o segundo, embora saiba das dificuldades que terei em apresentá-lo até o fim. Senhores, eu estaria mentindo se lhes dissesse que hoje não é o dia mais importante de minha vida.

Não podem imaginar Vossas Excelências do peso que me paira nos ombros neste instante, o que somado a meu regular estado emocional, me deixam ambos num estado que é uma mistura de irritação com ansiedade, de claro e escuro, de alegria com tristeza. Enfim....

Tudo isso porque, pela primeira vez, compartilho de um mesmo momento em que se reúnem os verdadeiros responsáveis pela situação que ora me é estabelecida. De um lado, aqui estão meus colegas magistrados destes 25 anos e 17 dias de carreira… de onde estava a caminhar para os lados de onde o sol se punha, acompanhando a correnteza do meu velho Tietê, seguindo-o desde a suja cabeceira até que desembocasse no majestoso Paraná, para me por novamente em terra, neste centro-oeste brasileiro.

Aqui, não ao final do arco-íris, como em contos parecidos, mas em toda a parte, encontrei o tão desejado “pote” da felicidade e da razão da vida. Quem mais estaria aqui me prestigiando nesta data maior?

Vejo também a meu lado, sempre e sempre como o fez nestes últimos 34 anos, que aqui está meu amor maior, única razão de minha existência, Elenice Moriconi Garcia Cardoso, quietinha e sentada na primeira fileira bem a seu estilo de mulher companheira, parceira e amiga, que teve a coragem de abandonar o convívio de todos os nossos familiares, para acompanhar o sonho de seu marido, rumando da pujante e sempre saudosa Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, tomando os rumos deste nosso lado do Mato Grosso (do Sul...). Obrigado a minha sogra Maria Lina, parceira linha de frente tanto no embarque quanto na chagada de minha luta vitoriosa

Ao lado estão meus filhos Paulo Fernando, meu orgulho, com seus 29 anos de idade, junto da mulher que escolheu como sua, Maria Carolina, sua amada esposa e também nossa filha querida. Comigo ainda minha linda Juliana, exemplo de amor e dedicação, aquela mais querida e amada como os outros, e que a nosso exemplo integrou-se com esta terra de Rondon e, por certo, aqui há de firmar-se como uma outra guerreira em busca de seus ideais.

A seu lado, nosso principal elo de ligação para com esta terra santa: Paulo Eduardo, com seus 23 anos a serem completados daqui há dois dias, gerado na minha sempre querida Aparecida do Taboado, talvez local escolhido por ele mesmo, pois ali o sol nasce primeiro e ali é o lugar onde os primeiros raios de luz se expõe neste nosso Mato Grosso do Sul.

Como esquecer-me de você Fábio, meu cunhado preferido, amigo e torcedor de um jogo que começou a mais de 25 anos. Meus respeitos e agradecimentos também a você Suzana, que com ele igualmente me deu Isabela, com o compromisso do batismo. Muito obrigado de verdade pela esperada e correspondida honrosa presença.

Consigo ver, embora apenas em pensamento, (transportando suas imagens que igualmente as minhas, estão vivas e ansiosas) meus queridos pais Júlio e Zélia, que tiveram como infiel companheira a idade, de 92 anos para ele e 85 para ela, traiçoeira esta que os impediu de que presentes comigo, abrilhantassem essa benesse a mim concedida pela vida, na qual fui colocado por eles, certamente num ato de amor profundo.

Dos primeiros, meus colegas de profissão e trabalho, jamais poderia me esquecer de você, “Nego Silva” ou Desembargador VLADIMIR ABREU DA SILVA, o irmão que me acompanhou nessa jornada e é meu confidente nestes últimos 14 anos de Campo Grande. Você veio da longínqua Bauru, lutando ao lado de sua esposa e seus filhos, exemplo simplicidade, respeito e fidelidade.

As palavras que a mim foram dirigidas pelo ilustre desembargador e, agora colega, JOENILDO DE SOUZA CHAVES, marido de Clarisse, pai de Sofia, José e de Mateus, são muito mais fincadas em nossa amizade, do que realmente eu as faça por merecer. Ser objeto de sua saudação, talvez tenha sido um dos meus maiores desejos nesta hora em que alcanço o último degrau de minha escalada profissional e não esperando que pudesse tão bem ser recomendado.

Confesso que quando em 1995 vim para Campo Grande, assumir uma Vara de Tribunais de Júri, um sobrenome não me deixava dormir pela preocupação que me causavam:- eram vocês, TRADS, do tio Ricardo a Marcus e Fábio, este ultimo, o eloqüente causídico que igualmente me saudou nesta tarde-noite. A cultura, a prática e o conhecimento dos mesmos lhes davam a fama de imbatíveis, a qual era estendida ao “velho Nelson”, que foi dos maiores tribunos do Júri deste estado.

Eram, e ainda hoje o são de fazer tremer até o mais experimentado dos juízes. Venci mais essa etapa e hoje não tenho apenas os quatro como amigos, pois Ricardo gerou Ricardinho, Assaf, José, Giovanna (minha aluna) e Isabella... Marcus é compadre por duas vezes de meu filho Paulo Fernando, graças as bênçãos que são Mariana e Alice e que Deus, indiretamente também colocou em nossas vidas. Fábio, guindado justamente ao cargo máximo da advocacia neste estado, classe esta a qual devo muito de meu desempenho profissional principalmente pelos seus expoentes que a exemplo de Fábio, sempre respeitaram a magistratura.

Tenho a honra de ter como amigos advogados: Renê Siufi, Onofre Costa Lima, Mario Peron, João Rosa, José Roberto Rodrigues Rosa, Evandro Mombrum de Carvalho e, para que não fique com cara feia e nem deixe de me dar agora, 03 beijos como desembargador, meu irmão legítimo Mansour Elias Karmouche, num parentesco resultante de uma engenharia genética combinada com um DNH SENIOR, de fazer inveja tanto à Cristo como a Allah,

Falta um Trad ? – Pois não, com orgulho digo seu nome: Nelson Trad pai, escudeiro mor da magistratura estadual na longínqua Brasília. E se fosse filho? Também não haveria problema, pois é nada mais nada menos que o prefeito desta terra.

Houve outra voz por mim ouvida nesta noite que igualmente me fez chegar até a crise do fôlego... O dono dela, discípulo direto do grande Fadel Iunes, colega de meus sinceros amigos e promotores de justiça José Eduardo Agi, Wilson Fortes, estes os primeiros e ainda os últimos, Paulo César e Luciana Rabelo Nagib Jorge, nunca me esquecendo do exemplar Luciano Lara, outro não é senão o ilustre Procurador-Geral de Justiça, Miguel Vieira da Silva, irmão de fé, colega e amigo de todas as horas. Pessoa com a qual se tem prazer em trabalhar junto e sempre idealista naquilo que entende por justo, e olhe que justiça é a sua predileção. Obrigado Miguel, pelos anos em que me propiciou ser seu parceiro nessa jornada de lutas. Com certeza absoluta, voltaremos um dia juntos à sua querida Caruaru para voltar a participar do maior São João do mundo.

Eu seria ingrato ao extremo se não dirigisse apenas algumas palavras à esta instituição que tanto me foi cara e me apoiou sempre. Edna Nunes da Cunha, procuradora-geral: saiba que a vossa Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, também é um pouco minha, porque a vi nascer, crescer e alcançar o seu verdadeiro objetivo. Maria Salete Marques, minha defensora por mais de 10 anos, ininterruptos e com quem nunca tive qualquer espécie de atrito: saiba que sentirei, como hoje já começo a sentir, a sua falta e a de Humberto Senna. Vocês dois são espelhos que merecem ser seguidos para quem queira obter sucesso em suas vidas profissionais.

Quando aqui cheguei, mais precisamente em 06 de abril de 1985, em Dourados, minha roupa só foi deixada no então Hotel Alfonsus, pois logo em seguida, minha eterna mestra Des. Dagma Paulino dos Reis, e meu fiel companheiro universitário Eduardo Otávio Marcondes, demonstravam desde logo o que seriam os meus primeiros dias neste estado, eis que disputaram minha bagagem para que eu pudesse compartilhar suas casas na minha primeira permanência neste Mato Grosso do Sul.

Lá, em Dourados, conheci um dos maiores magistrados deste estado, José Goulart Quirino, meu compadre, que apesar de não mais querer ter continuado na magistratura, para meu orgulho permanece com minha amizade e dedicação

Eu, que tanto queria Itaporã desembargador Hildebrando, acabei indo para a minha comarca de primeira, a encantadora Aparecida do Taboado. Lá aprendi a gostar de música sertaneja e comecei a idealizar minha família judiciária. O Ubá, a Glorinha, Adriana, Savero, José Robson, Augustinho.... que saudade das músicas fresquinhas do Vicente Dias, que eram cantadas ali, na hora pelo Cipózinho e pelo “Beto Enjoado”.

Aparecida me deu Paulo Eduardo, meu último filho. E por uma força legal intransponível, meu deu também o direito de entender-me como sul-mato-grossense, aplicada por analogia a Lei do Estrangeiros. Quem tem filho em terra estranha, pode pleitear sua segunda cidadania. Tal não seria necessário, pois alguns anos depois, Campo Grande me estenderia tal benefício e, no ano passado, Paranaíba igualmente me concedeu tal honraria.

O tempo e a carreira mandaram-me para minha querida Paranaíba, cidade de gente amiga e que por certo comigo vai permanecer viva enquanto eu existir. Que saudade dos meus tempo de juiz daquele cidade, onde desfrutei das melhores amizades de minha vida, e quase com certeza participei de quase todas as festas que lá eram promovidas. As festas eram tantas que pulei dos meus 80 para os 120 quilos, quase sem perceber, mas comendo de tudo o me era apresentado.

Lembro-me que certa feita, eu havia vindo de Bertioga (SP), e trazido comigo mais de 30 quilos de camarão, para fazermos uma festa entre o pessoal do Fórum e a Camara Municipal. Escalado pelo presidente Na Antônio Boiadeiro, o vereador “Zé do Raimundo”, ficou incumbido de “limpar” aquele “tal de camarão”, que a noite seria servido na moranga, preparado pela mestre cuca Sônia Preta. Pois bem, já no início da noite, abatido e exausto, Zé do Raimundo veio até mim, se desculpou, dizendo que não iria ficar para a janta, pois não agüentava mais, nem o cheiro do tal de.... “gafanhoto”....

Quantas festas, heim, Jaime? Dráusio, Hélio Pato, Zé Adão, Nescau, amigo Manoel Ovídio, Zé Brachiaria, atual prefeito, Magiclik, nosso motorista Antônio da Cota, depois guindado ao novo apelido de Tonho Bartira (pois tudo o que ganhava o bar tirava...) Saudade do Oclecides, Julinho Melo, Carlão e tanta gente mais que foi embora sem ter tempo de apagar a luz...

Por fim, dessa minha caminhada pelo Estado, aportei nesta invejada terra de Campo Grande., onde deixei minha boca por conta do Mario Mangiolardo e meu coração a cargo do Marlon Bagattini.

E vieram outras pessoas tão puras e de valor. Nerone meu vizinho predileto. Arroyo, jamais vou esquecer o título de cidadão sul-mato-grossense que você me deu. Geraldo, quanta alegria e felicidade com toda a família reunida. A propósito, não estou indo mais na missa das sextas-feiras de tarde, “pra ficar livre no final de semana” - seguindo seu conselho, vou aos domingos.

E esse meu prédio então, que me fez conhecer o melhor amigo, quase aos 50 anos de idade. E por incrível que possa parecer, esse amigo número um é o Clei (o tio Creissonm), que me mostrou que amigo é mais que companheiro, amigo é mais que vizinho: AMIGO É PARCEIRO de todas as horas, ocasiões e vontades.

Dali, passamos ao “puxadinho”. Uma turma especial de 20 amigos que toda semana se reúne num puxadinho do bairro Jockey Clube e onde fazemos o melhor de tudo, onde jogamos a melhor conversa fora...Obrigado, Bonato,Tony Chediac, Claudimor, Fernando Milfers, Lima, Des. Paschoal, amigo de todas as horas, Marilza companheira de sempre, Julizar, Josué Ferreira, Sebastião Teixeira ou “Tião da Coca-Cola”, Luzimar “Neguinho”, Luiz Carlos Silveira ou “Timo” e tanta gente mais.

O risco de se fazer uma fala sentimental é o esquecimento de quem não poderia ser esquecido. Este, sem dúvida, foi um risco que corri, mas perfeitamente consciente de que os esquecidos apenas não foram lembrados, mas continuam presente e vivos dentro do fundo de minh'alma. Meu preito de saudade a você, Luiz Carlos de Souza Athaide, que com certeza comigo celebra esta promoção.

E, para encerrar, lembro-me como se fosse agora, a primeira vez que, cheguei à cidade morena, capital deste meu Mato Grosso do Sul. Quanto mais eu chegava perto de Campo Grande, mais eu achava que algo lá de cima me chamava a atenção. Desconfiado de que algo de bom iria me acontecer, parei o carro olhei para o céu e pude ver que:

as estrelas do cruzeiro faziam sinal,
que este é o melhor caminho,
para quem é, como eu,
mais um fugitivo da guerra.

Obrigado Mato Grosso do Sul,
Obrigado Almir Satter.

Autoria do Texto:Departamento de Jornalismo

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