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28/07/2004 08:35

Protocolo de normas para atendimento de asma aguda

Agência Notisa

Apesar dos reais avanços terapêuticos com relação ao manejo da asma brônquica, sua morbidade e mortalidade têm paradoxalmente aumentado nos últimos anos. De acordo com estudo publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia de junho de 2004, é possível que tal contradição esteja ligada ao desconhecimento e à inadequação dos recursos diagnósticos e assistenciais da enfermidade em sua face emergencial. Cônscios do problema, os autores do estudo optaram por adaptar, aplicar e investigar institucionalmente a eficácia de diretrizes protocolares baseadas em evidências nacionais e internacionais que têm sido sugeridas para o atendimento à asma.

Paulo de Tarso Roth Dalcin e seus colegas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul realizaram um estudo transversal no setor de emergência para adultos (maiores de 12 anos) do Hospital das Clínicas de Porto alegre. Duas amostras de pacientes, pré (com 108 indivíduos) e pós (com 96) implantação do protocolo foram investigadas, respectivamente entre 01/01/2001 a 31/03/2001 e entre 01/01/2002 a 31/03/2002. Como afirmam no artigo, “foram incluídos no estudo pacientes com diagnóstico prévio de asma, conforme definido no III Consenso Brasileiro no Manejo da Asma; pacientes atendidos por sintomas de agudização da doença, isto é, dispnéia e/ou sibilância e/ou tosse; pacientes com idade maior ou igual a doze anos. Foram excluídos do estudo pacientes com pneumopatias crônicas; pacientes com insuficiência cardíaca; pacientes cujos registros foram considerados incompletos para os propósitos do estudo”.

Ainda de acordo com os pesquisadores, o protocolo foi estabelecido ao longo do ano de 2001, segundo critérios voltados à melhora da qualidade assistencial e racionalização da aplicação dos recursos econômicos vinculados às características próprias da instituição e seu público. Paralelamente foi desenvolvida campanha para educação e treinamento de todos os profissionais que estariam envolvidos com a aplicação prática das diretrizes, o que, segundo Dalcin e colegas constitui ponto fundamental já que “para que uma adequada avaliação objetiva da gravidade da crise asmática seja executada, tanto na triagem inicial quanto na evolução, não basta só garantir condições materiais (aparelhos de PFE e oxímetros de pulso). É preciso principalmente o treinamento e educação continuada de toda equipe médica e de enfermagem do setor de emergência”, afirmam.

Com relação aos resultados, por exemplo, das medidas de avaliação da gravidade da crise asmática preconizadas pelo III consenso, os autores observam, no artigo, que houve aumento no uso das medidas após o uso do protocolo, ainda assim “ muito aquém do que é preconizado”, dizem pois “a medida do PFE foi utilizada em 4,6% dos pacientes antes da implantação do protocolo assistencial e em 20,8% após. A medida da saturação de O2 foi realizada em 8,3% dos casos na fase pré e em 77,1% na fase pós-implantação”, esclarecem. Em adição, exames complementares tais como radiografia de tórax e hemograma que deveriam ser solicitados apenas em casos complicados, ultrapassaram a cota preconizada, talvez, segundo os autores, por falhas na fase de treinamento.

Já no processo terapêutico, diz o estudo, “não houve diferença significativa na utilização geral da oxigenoterapia, do beta2-agonista de curta duração, do brometo de ipratrópio e da corticoterapia sistêmica antes e após a implantação do protocolo”. Entretanto, os professores gaúchos observaram, embora sem significância estatística, um “discreto aumento na freqüência de nebulizações” e também, mais promissor embora ainda distante do ideal protocolar, “aumento no número de pacientes que receberam as três nebulizações preconizadas para a primeira hora de tratamento”. Além disso, no que “se refere à via de utilização dos corticosteróides, foi observado um aumento significativo na utilização da via oral, em detrimento da via intravenosa, após a implantação do protocolo (p
Interrogando os resultados para a mudança efetiva da assistência ao asmático agudo e entendendo que existe um hiato entre a implantação dos protocolos e sua real prática, devido às dificuldades e diversidades de cada instituição, os autores do artigo afirmam que “torna-se importante aferir a real vantagem da implantação de um protocolo assistencial na sala de emergência”, e sugerem “a realização de estudos específicos que avaliem o efeito da implantação de protocolos assistenciais sobre o atendimento de pacientes em serviços de emergência”.


Agência Notisa (jornalismo científico - scientific journalism)

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