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15/04/2005 13:13

Produtores pedem mais recursos para driblar crise

Famasul Notícias

Produtores e cooperativas rurais querem uma intervenção mais forte do governo federal no financiamento do setor agropecuário na próxima safra, que começa no mês de julho. Numa proposta para o Plano Agrícola e Pecuário 2005/06, entregue ontem ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, o setor fixou em R$ 81,4 bilhões o mínimo necessário para auxiliar a safra nacional até junho de 2006. Os recursos são 75% superiores aos R$ 46,4 bilhões destinados pelo governo na atual safra.

O documento do Rural Brasil, que reúne oito entidades do setor, está centrado num substancial aumento do crédito, na manutenção da taxa de juros em 8,75% e na elevação de limites individuais de custeio e de preços mínimos de garantia, além da implantação efetiva de um seguro rural de renda. O texto contém mais de 200 itens.

"O cálculo é conservador e não considera ampliação de área plantada", resumiu o presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antonio Ernesto de Salvo. "Mas é uma decisão política e disso depende a macroeconomia do país. Ou se dá agora, e teremos bons frutos em 2006, ou fim de papo". Segundo ele, a agricultura "nunca foi um problema" para a sociedade porque "não falta comida" aos brasileiro. "Falta renda para comprar."

Em encontro fechado, o ministro Rodrigues garantiu ao setor que há pontos difíceis de ser atendidos, mas admitiu incorporar algumas medidas pontuais. "Ele não pintou um quadro róseo, mas não é a primeira vez que teremos dificuldades", disse Salvo.

Mais cedo, durante café da manhã com a bancada parlamentar do Nordeste, Rodrigues reafirmou, porém, que as rolagens de dívidas neste ano afetarão o total de recursos do plano. "Isso pode levar à redução da oferta de crédito para a próxima safra", disse.

A agropecuária vive um momento de crise, com forte alta nos custos de produção, quebra da safra em razão da seca no Sul e parte do Centro-Oeste, além da queda nos preços internacionais. Getúlio Pernambuco, chefe do Departamento Econômico da CNA, afirmou que uma saca de soja em Mato Grosso, por exemplo, caiu de R$ 40 para R$ 28 - ou 30% em apenas um ano. "Precisamos de mais crédito a juros baixos para atravessar esse período." Segundo ele, dos R$ 46,45 bilhões anunciados nesta safra, apenas R$ 24,7 bilhões foram operados com juros equalizados pelo Tesouro, inclusive as linhas da agricultura familiar - o Rural Brasil tinha pedido R$ 56,2 bilhões.

Do total de R$ 68,6 bilhões previstos para custear a safra, o setor estima que a soja precisará de R$ 25,9 bilhões, considerado o plantio de 22,8 milhões de hectares a um custo de R$ 1.134 por hectare.

Na proposta, o setor sugere a elevação dos tetos de crédito de custeio e do Empréstimo do Governo Federal (EGF). Hoje, o maior limite é de R$ 500 mil por produtor de algodão. No milho, são R$ 400 mil. O Rural Brasil propõe reduzir a apenas dois os 19 limites: R$ 700 mil para algodão, milho, arroz irrigado, feijão, mandioca, trigo, soja e sorgo; e R$ 250 mil para as demais. O setor sugere ainda a ênfase em mecanismos tradicionais de comercialização, como os contratos de opção. Os novos instrumentos, como o Warrant Agropecuário (WA) e o Certificado de Depósito Agropecuário (CDA), são vistos como positivos, mas ainda "verdes". O seguro rural ainda não atende as necessidades práticas e precisa de recursos para decolar.

Para corrigir os preços mínimos, indica o Rural Brasil, seria necessário usar os custos de produção como balizador. No arroz, por exemplo, a correção chegaria a 53,4%.

Nos programas de investimento, o setor pede R$ 12,8 bilhões, com ênfase nas agroindústrias cooperativistas, e acusa alta excessiva nos preços de máquinas. "Em 2002, 2.793 sacas de milho compravam um trator. Em 2004, a relação subiu para 4.408 sacas", disse Pernambuco. Para o Moderfrota, o setor quer elevar a R$ 6 bilhões os recursos e exige a redução para 8,75% ao ano das taxas de juro, hoje entre 9,75% e 12,75%. Também propõe a criação de novas linhas de financiamento a investimentos, como o Programa Nacional de Biodiesel para incentivar o cultivo de mamona e palma, e o Programa de Melhoria da Qualidade do Couro, para agregar valor à produção.

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