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28/03/2005 10:58

Produção e seleção da mandioca é tema de campanha

APn

A produtividade média da cultura da mandioca no Brasil em 2003 foi de 13,4 toneladas por hectare, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em Mato Grosso do Sul, a produção média por hectare chegou a 21 toneladas. Mesmo com produtividade 57% superior à média nacional, a cultura no Estado ainda apresenta um grande potencial para o incremento. Para tanto, visando estimular os produtores, o governo do Estado, por meio da Câmara Setorial da Mandioca, vai lançar no próximo mês a campanha “Maniva selecionada. Produção aumentada”.

A ação vai ser realizada através de uma série de seminários nas principais regiões produtoras do Estado. Ao total serão 12 seminários envolvendo 15 municípios. O lançamento vai acontecer em Glória de Dourados no próximo dia 11. O assunto em questão é exatamente o aumento da produtividade e da rentabilidade da cultura. Hoje, Mato Grosso do Sul é o segundo colocado no ranking nacional de produção de fécula de mandioca. A estimativa é que a área plantada na próxima safra chegue a 40 mil hectares com produção de aproximadamente 720 mil toneladas.

Mas segundo o coordenador da Câmara Setorial vinculado a Secretaria de Produção e Turismo (Seprotur), Carlos Gonçalves, “é exatamente nesse incremento que está à preocupação”. Para o coordenador da Câmara a oscilação de preços da raiz da mandioca – evento cíclico que se repete a cada três anos, em média – acaba comprometendo a qualidade, a produtividade e também o preço pago pela raiz.

Um dos objetivos dessa campanha, como enfoca Gonçalves, é de justamente preparar o agricultor para evitar “futuras crises”. Segundo ele em 2002 os preços amargaram na casa de R$ 40,00 a tonelada da raiz. A situação foi tão crítica que acabou desanimando os produtores que reduziram a área plantada. Em contrapartida, em 2003 e 2004, os produtores foram altamente remunerados chegando receber R$ 300,00 pela tonelada. Porém este ano a cotação começou com uma tendência de queda, os preços chegaram a R$ 130,00 a tonelada. “É como diz o ditado: o aumento da oferta diminui o preço pago pelo produto”, enfocou Gonçalves.

Para reverter esse quadro Carlos Gonçalves aposta na estratégia de sensibilizar os mandiocultores a utilizar os fatores de produção que nem sempre acarretam aumento do custo. “Dos fatores de produção relacionados, o uso de ramas selecionadas para o plantio, é um dos mais importantes para o aumento da produção. Mais o produtor também não pode se esquecer de outros detalhes como a época do plantio e espaçamento adequado”, garantiu.

Orientação A campanha para o aumento da produtividade e da rentabilidade da cultura da mandioca vai ser uma oportunidade para os produtores esclarecerem suas dúvidas, discutirem seus problemas, buscarem soluções e orientações tais como produzir e escolher ramas de qualidade, armazenamento, viabilidade da rama e preparo das manivas para o plantio. Portanto, essa é uma oportunidade ímpar para reverter todo e qualquer problema que venha a afetar a classe.

Carlos Gonçalves até antecipou algumas dicas que serão abordadas nos seminários. Devido às doenças e pragas que ocorreram em muitas lavouras em 2004, o produtor será orientado a evitar, ao máximo, a aquisição de ramas de terceiros. Ele também deverá realizar visitas constantes a lavoura para avaliar a qualidade das ramas, reservando os melhores lotes para serem replantadas.

"Essas mesmas ramas, quando não forem utilizadas para plantio imediato, deverão ser armazenas em local fresco e sombreado. Para testar a viabilidade, o mandiocultor pode fazer um pequeno corte na planta, se o leite sair abundantemente a rama servirá para o plantio”, frisou.

Parceria - Todo esse trabalho está sendo realizado numa ampla parceria liderada pelo governo do Estado. Segundo o secretário de Produção e Turismo, Dagoberto Nogueira Filho, essa ação é uma soma de esforços composto por importantes parceiros de forma integrada. “O relacionamento de parceria com diversos órgãos proporciona um trabalho de maior qualidade e abrangência. O resultado é certo. Quem colhe o lucro é o próprio produtor”, acrescentou Nogueira.

Participam da campanha, ente outros, a Câmara Setorial, Seprotur, Sebrae, Embrapa, Banco do Brasil, Fórum da Terra, Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), Secretaria Estadual de Receita e Controle (SERC), Instituto Estadual de Desenvolvimento Agrário, Pesquisa, Extensão e Assistência Técnica (Idaterra), Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), Delegacia Federal da Agricultura (DFA/MS), Universidade Federal de MS (UFMS).

Também estão alinhados na campanha, Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Universidade Para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (Uniderp), Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Famasul), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Organização das Cooperativas do Brasil (OCB/MS), Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), Cooperativa Agrícola de Campo Grande (Coop-Grande), Associação de Moradores e Produtores Agropecuaristas da gleba Ouro Verde (Ampagov) e indústrias do setor.

Evento A classe produtora, pesquisadores, técnicos, empresários, agentes financeiros, estudantes e toda sociedade interessada, serão beneficiados com mais uma promoção do governo do Estado. “Ciência e Tecnologia na Sustentabilidade do Setor”, esse é o tema do 11° Congresso Brasileiro de Mandioca que vai acontecer no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, em Campo Grande, de 25 a 28 de outubro próximo.

Foi considerando a importância da cadeia produtiva para a agricultura familiar, assentamentos e comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul e, principalmente, a posição de destaque que o Estado ocupa no cenário nacional – Mato Grosso do Sul é o segundo maior produtor de fécula de mandioca do Brasil – que o governo, por meio da Secretaria de Estado de Planejamento e de Ciência e Tecnologia (Seplanct), Seprotur, SDA e Idaterra, assumiu o desafio de realizar na Capital este evento que já faz parte do calendário nacional.

Com uma programação bastante ampla, durante os quatro dias do evento serão realizados diversos painéis científicos e mesas redondas. As inscrições já estão abertas para os interessados através do site www.suct.ms.gov.br. Mais informações pelos telefones 318-4053 ou 318-5023.



Cristiane Sandim - Seprotur



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