Cassilândia, Sábado, 29 de Fevereiro de 2020

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15/01/2020 16:00

Prefeito rebate alerta do EUA e diz que “fronteira tem mar de calmaria"

Campo Grande News

A elevação do alerta dos Estados Unidos, que não recomenda viagens para a faixa de fronteira do Brasil com o Paraguai, área que abrange Ponta Porã (Mato Grosso do Sul), polo de turismo de compras, é visto como exagero pelo prefeito Helio Peluffo Filho (PSDB). A faixa de fronteira se estende por 150 km a partir da Linha Internacional.

“Não conheço as razões mais a fundo desse alerta, mas acho um exagero. Não tem como precisar como vai afetar, mas qualquer notícia ruim prejudica. A gente sofre muito com as notícias negativas da região, mas que acontecem no país vizinho. Vivemos mar de calmaria há vários meses, céu de brigadeiro. A fronteira está extremamente tranquila”, afirma Helio Peluffo.

Já a estatística da violência se opõe à declaração do prefeito. No ano passado, a Polícia Civil registrou 54 homicídios dolosos em Ponta Porã, cidade que faz fronteira seca com Pedro Juan Caballero. A taxa de homicídio foi de 58,4 mortes para cada cem mil habitantes. A ONU (Organizações das Nações Unidas) considera aceitável taxa de até 10. No ano de 2018, Ponta Porã, que tem população de 95.526 pessoas, teve 32 assassinatos.

A análise é de que tanto sangue vem no rastro do tráfico de drogas. “O que acontece na fronteira é relacionado ao tráfico de drogas. Não há município e Estado que tenha capacidade física, econômica para cuidar de uma fronteira dessa. Se for discutir índice de criminalidade, pergunte ao governo federal qual política vai fazer. Não tem investimento da União, o prédio da Polícia Federal é antigo, efetivo pequeno”, afirma o prefeito.

Já equipes da Força Nacional de Segurança flutuam pelo município. “De vez em quando está em Ponta Porã, de vez em quando não está. A prefeitura não tem acesso a isso”, diz Peluffo. O chefe do Poder Executivo conta que se preocupa com a saída do MPF (Ministério Público Federal) da cidade, que alegou medo da violência e os procuradores foram transferidos para Dourados, a 120 km.

“Mas, na minha opinião pessoal, foram embora por comodidade”, diz. A prefeitura sinalizou com a doação de terreno e um empresário construiria outro imóvel, que seria alugado pela procuradoria.

A orientação dos estados Unidos, decorrente do aumento de crimes, é válida para regiões a menos de 150 quilômetros da fronteira do Brasil com a Venezuela, Colômbia, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Bolívia. Porém, o alerta não se aplica a viagens ao Parque Nacional de Foz do Iguaçu e ao Parque Nacional do Pantanal, ou seja, exclui Corumbá, vizinha a Puerto Quijarro, na Bolívia.

Mapa da Violência – Em Mato Grosso do Sul, que tem 2,7 milhões de habitantes, a maioria dos municípios vai na contramão dos dados de violência na fronteira com o Paraguai. No ano passado, o total de homicídios dolosos reduziu 11,3%. A Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública) registrou 451 assassinatos em 2018 e 400 no ano passado. A taxa de homicídio de MS foi de 14,4 em 2019.

O município com mais homicídios dolosos foi Campo Grande: 77 casos. Contudo, a Capital é a maior cidade do Estado, com 895.982 habitantes. Neste cenário, a taxa de homicídios foi de 8,6.

“O tido como aceitável pela ONU é de até dez homicídios a cada cem mil habitantes. Ou seja, em Campo Grande, temos abaixo do que é recomendado pela ONU e monitorado em países de primeiro mundo. Além disso, temos 17 municípios que não registraram homicídio em 2019. E mais 14 municípios estão abaixo dos índices recomendados pela ONU”, afirmou o delegado-geral da Polícia Civil, Marcelo Vargas, durante coletiva ontem (dia 14).

As estatísticas da faixa de fronteira, que reúne 44 municípios, mostram redução de 6,3% nos homicídios dolosos (268 em 2018 e 251 no ano passado), com taxa de 20,4 homicídios para cada 100 mil habitantes.

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