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08/02/2010 16:20

Prédio de R$ 3 mi é invadido por 24 famílias na Capital

Campo Grande News/ Danúbia Burema

Pelo menos 24 famílias “desabrigadas” invadiram duas construções abandonadas na rua Natalina, Vila Ieda, em Campo Grande, há oito meses e desde então viraram alvo das reclamações dos moradores do bairro. Apesar da esperança dos invasores e se tornarem donos dos apartamentos, a empresa proprietária da construção já informou que vai acionar a Justiça para conseguir a reintegração de posse, para o imóvel que com a área está avaliado em cerca de R$ 3 milhões.

Em frente aos prédios a visão é inusitada. O tamanho dos apartamentos, que têm dois quartos, sala, cozinha, suíte e sacada, contrastam com a ausência de portas e janelas. Apesar das condições precárias, eles estão sendo até comercializados.

Segundo apurado pelo Campo Grande News , uma das moradores conhecida como “síndica” vende o direito de morar no local. Não negociações são aceitos até aparelhos de televisão. O valor médio por “vaga” é de R$ 1.500,00.

Há 15 anos foi paralisada a obra para a construção do Residencial Sumaré, por conta de uma crise na empresa responsável, Construtora Incco, a mesma que fez o Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo.

Desde então os prédios ficaram abandonados. Quem invadiu os apartamentos há alguns meses alega que eles eram refúgio de vândalos; os moradores do bairro negam.

Presidente da Vila Ieda, Valder Antônio da Paixão, de 65 anos, conta que o abandono dos prédios nunca trouxe problemas à vizinhança, e diz que vândalos não se aproximavam por conta do movimento de pessoas em uma empresa do outro lado da rua.

Desde que foi invadida, a área virou alvo de reclamações. Segundo ele, os vizinhos não aprovam o que as famílias fizeram e têm medo de quem sejam elas. “Não sabemos quem são essas pessoas que invadiram aí, os moradores estão preocupados. Cada dia chegando mais gente”, afirma.

Uma moradora de 53 anos que prefere não ser identificada e está no bairro há cerca de 30 anos conta que os prédios do Sumaré nunca atraíram ladrões. Entretanto, desde que foram ocupados são palco de várias confusões e até crimes.

Há dois meses uma invasora foi esfaqueada e quando a Polícia chegou ao local, o marido da “síndica” foi preso porque estava foragido. Outro morador era evadido da Colônia Penal.

Além desse episódio, que marcou a vizinhança, a mulher revela que são constantes os desentendimentos entre as famílias e eles chegam a sair brigando pelas ruas. A motivação seria o direito de posse do local.

Invasores - Uma das primeiras moradoras, a “sindica” à qual os vizinhos se referem, é Gislene, que prefere não revelar seu nome completo. Na versão dela, quatro famílias mudaram primeiro e enfrentaram a raiva dos marginais que ocupavam o prédio.

Com o tempo foram arrumando a instalação elétrica, encanamento e conseguiram “tirar” as pessoas má intencionadas que se mudavam para a área. “A gente oferecia o que a pessoa já tinha gastado e pedia para ela se mudar. Assim foi escolhendo os moradores”, diz.

Quanto às denúncias de venda dos apartamentos, Gislene justifica que os novos moradores tinham que pagar apenas o que os demais já haviam gasto, com as arrumações de uso coletivo. “Compramos portão e já vai ser assentado”, detalha.

Ela reclama que o prédio ficou abandonado por 15 anos, e agora que eles estão fazendo melhorias. "Os moradores não têm do que reclamar", diz. De acordo com Gislene, os invasores têm o sonho de ficar com os apartamentos e não se recusariam se tivessem que pagar por eles.

A área tem dois prédios com dois dois blocos cada, somando 24 apartamentos, todos lotados. Novas famílias são aceitas apenas se as atuais quiserem "vender" os apartamentos.

Construtora - Advogado da empresa dona da área, José Alves Nogueira, rebate a comercialização da área ressaltando que nem Gislene nem qualquer outro morador pode fazer qualquer tipo de negociação, porque não são donos da área.

Nogueira conta que o proprietário da Construtora Incco faleceu há dois anos, mas ela tem herdeiros e, ao contrário do que alegam os invasores, pediu concordata em 1998, mas atualmente está apenas paralisada.

Ele conta que à época da construção do Residencial Sumaré, a Incco paralisou as obras por conta de dificuldades financeiras. Quando isso ocorreu, 16 lotes já haviam sido comercializados.

Pelo menos 11 dessas pessoas entraram na Justiça pedindo para serem ressarcidas. A família do falecido dono da empresa já autorizou que o advogado ingresse com ação de reintegração de posse.

A intenção da empresa é vender o imóvel, avaliado em cerca de R$ 3 milhões, para alguém que queira concluir a construção do residencial. O dinheiro da venda será então revertido para quitar as ações judiciais.

Caso não seja vendido, o prédio deverá ser penhorado para pagar a dívida com as pessoas que compraram o imóvel na planta. De qualquer foram, portanto, ele não poderá ficar com os invasores, explica o advogado.

Melhorias - Enquanto isso, as 24 famílias investem aos poucos na reforma dos apartamentos, ainda em condições bem precárias. Uma cerca de arame provisória marca a entrada, e em breve será substituída por portão.

Duas fossas foram feitas, segundo os moradores, mas ainda há problemas visíveis com o esgoto. A luz elétrica é fornecida no nome de uma ex-contratada da Incco, que cuidava do terreno à época em que a empresa pretendia retomar as obras. Cada um paga cerca de R$ 80,00.

Para a ex-contratada, a assistente social Lia Tatiana Pereira Alves, de 36 anos, os novos inquilinos não incomodam. Com contrato de um ano feito em 1999 e nunca renovado, Tatiana conta que “foi ficando” em uma casa de madeira nos fundos do prédio, onde está até hoje.

Quando as famílias invadiram o local, ela avisou uma ex-funcionária da empresa que contou à família. Depois disso, não pode mais se opor. “Até onde eu pude cuidar, eu cuidei”, justifica.

Aposentado por quatro anos, após ter ficado cego por conta de um descolamento de retina, João Guarras, de 42 anos, está arrumando o apartamento aos poucos para que a família toda, que mora de aluguel, mude-se para lá.

Ele diz ter medo de perder o que gastou, cerca de R$ 3 mil e conta que se mudou para lá porque não queria mais viver de aluguel. “A gente pegou na carcaça e está arrumando”, pontua.

Vários outros moradores têm a mesma esperança, mas a maioria deles prefere não se identificar e nem comentar a invasão.


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