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14/06/2006 13:42

Preço pago pelo gás boliviano aumentou 53% em um ano

Fernanda Mathias / Campo Grande News

Dados da balança comercial, detalhados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, apontam aumento de 53% no preço pago pela Petrobrás pelo gás natural boliviano. A estatal já admite nova alta, a partir de 1º de julho, na casa dos 11%, e que será o quarto aumento desde setembro do ano passado. Este reajuste não teria relação com os novos preços que a Bolívia pretende cobrar, após nacionalização do recurso, segundo a Petrobrás. Já estaria previsto em contrato.

As importações de gás boliviano saltaram no período de janeiro a maio do ano passado para os cinco primeiros meses deste ano de 2,3 bilhões de quilos a 2,8 bilhões, conforme a balança comercial, aumento de 12%. Já o valor das negociações compreendeu US$ 444,8 milhões contra US$ 245,9 milhões no ano anterior, 80% a mais. Isso significa que a Petrobrás pagou desta vez cerca de US$ 0,1588 por quilo de gás natural boliviano contra US$ 0,1031 na média dos cinco primeiros meses do ano passado. Os dados da balança comercial padronizam o volume de produtos em quilos, apesar de as negociações em torno do gás considerarem metros cúbicos comprados e consumidos.

Para o consumidor o reflexo é claro. Embora as termelétricas sejam o segmento mais representativo em termos de volume consumido, em número de clientes o GNV (Gás Natural Veicular) é maior. São mais de 5 mil veículos rodando com o gás em Mato Grosso do Sul. Para este segmento, o aumento acumulado no preço pago pelo metro cúbico de gás foi de 34% de janeiro do ano passado a maio deste. Enquanto no início de 2005 se pagava R$ 1,169 hoje o valor médio é de R$ 1,568, segundo pesquisa semanal da ANP (Agência Nacional de Petróleo). Isso ao passo em que a variação no preço de outros combustíveis foi bem menor. No caso da gasolina, por exemplo, saltou de R$ 2,506 o litro a R$ 2,759, alta de 10%.

Inseguras em relação à definição da política boliviana em relação ao gás natural, indústrias suspenderam projetos de conversão para uso do gás como fonte de energia, segundo o superintendente da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), Roberto Wolf.

“Quem já estava pronto para investir no gás momentaneamente suspendeu os projetos até que as coisas estejam realmente definidas”, afirma. Wolf revela que o setor industrial tem no setor energético um grande ponto de interrogação. A princípio o gás veio como uma proposta promissora para redução de custos, uma vez que a energia é o principal insumo das empresas. “Qualquer aumento faz com que as empresas imediatamente revejam seus custos de produção e isso atinge o consumidor na ponta”, ressalta Wolf.

O diretor-presidente da MSGás, distribuidora de Mato Grosso do Sul, Maurício Arruda, admite uma retração expressiva na adesão de novos clientes, principalmente estabelecimentos residenciais que vinham solicitando verificações de custos de investimentos. “O gás não é simplesmente ligar, é preciso fazer investimento. A partir de 1º de maio com nacionalização e possibilidade de a Bolívia pleitear aumento maior trouxe intranqüilidade e insegurança ao mercado”, admite.

Porém, ressalta Arruda, até o momento os reajustes concretizados não extrapolaram a revisão trimestral prevista em contrato. Para do diretor da MSGás, o efeito da política da Bolívia é mais “psicológico”. Quanto às indústrias, mais que a instabilidade gerada pós-nacionalização, a inibição nas conversões, acredita Arruda, se deve à relação de custo e benefício. Ele admite que o gás é menos competitivo que a lenha, usado por grande parte das unidades. Em Campo Grande existem implantados cerca de 75 quilômetros de ramal de gás, em Corumbá são 34 quilômetros e em Três Lagoas 39 quilômetros. As termelétricas da Capital e Três Lagoas consomem 90% do gás contratado no Estado.

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