Cassilândia, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

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06/12/2005 06:15

Preço do leite cai 50% e já ameaça pequenos produtores

João Prestes/Campo Grande News

O preço do leite “in natura” continua em queda, apesar dos incentivos fiscais oferecidos pelo governo, em outubro, para tentar amenizar a crise. Pequenos produtores – que respondem por 48% da produção diária de 1,3 milhão de litros – alegam que estão tendo prejuízo e já falam em abandonar a atividade. Amanhã, as 27 instituições que compõem a Câmara Setorial do Leite se reúnem no Sindicato Rural, às 9 horas, para discutir a situação e tentar encontrar uma saída. Representantes dos pequenos produtores participam da reunião.

A perda no valor do produto beira 50% nos últimos quatro meses, assegura o produtor Carlos Ferrari, do assentamento Tamacavi, em Itaquiraí. Ele conta que em agosto vendia o leite por R$ 0,56 o litro e em novembro a indústria pagou, em média, R$ 0,26. “Quem mexe com leite desde criança sabe que agora o preço deveria estar subindo”, observa.

São vários os fatores que contribuem para a redução no preço do leite “in natura” no Estado, explica a coordenadora da Câmara Setorial do Leite, Sandra Mascarenhas. Já havia uma tendência nesse sentido devido ao excesso do produto no mercado interno brasileiro. A dificuldade de exportação por culpa da variação cambial provocou aumento da oferta.

Em Mato Grosso do Sul o problema se agravou com a descoberta dos focos de febre aftosa nos municípios da região Sul e o fechamento das divisas para produtos de origem animal. Sandra Mascarenhas afirma que 20% da produção do Estado saía “in natura” para ser industrializada em outros estados. E é esse excedente que está ajudando a forçar a queda no preço.

O governo, representantes da indústria e dos produtores anunciaram um acordo em outubro que asseguraria o valor mínimo de R$ 0,365 por litro de leite ao produtor. Em contrapartida o governo ofereceu abatimento de 50% na alíquota do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços). Mas os produtores denunciam que a indústria não está cumprindo o acordo.

“A indústria aproveita esses momentos para repor perda”, afirma o superintendente de Política Agrária da Secretaria de Desenvolvimento Agrário, Adilson Nascimento dos Santos. Ele reconhece que o setor está atravessando uma crise sem precedentes e que os mais afetados são os pequenos produtores, que somam cerca de 25 mil. Ao todo Mato Grosso do Sul tem cerca de 30 mil produtores de leite.

Na avaliação de Carlos Ferrari, que vive da atividade, o momento é de “caos verdadeiro”. Isso porque o campo foi severamente castigado por três anos de chuvas esparsas, que reduziu a produtividade agropecuária em geral, e agora quando a situação do clima se normaliza surge a crise do preço.

Ferrari cita como exemplo um pequeno produtor do mesmo assentamento em que vive. “Ele tem 10 vacas que rendem 100 litros de leite por dia. Antes chegava a faturar 1.500 reais por mês, agora o ganho caiu para 700 reais. E dias desses um bezerro adoeceu, gastou 300 reais com remédios. Não sobra nada.”

Gil Márcio Ferreira Arantes, da Associação dos Produtores de Leite in Natura de Campo Grande, salienta que o preço dos insumos não acompanhou a queda. Ao contrário, em muitos casos subiu. “O preço do sal não abaixou. Se a gente vender por menos de 35 centavos o litro não consegue cobrir o custo da produção.”

A solução ideal não vem em curto prazo, analisa Adriana Mascarenhas. “Não temos indústria de produção de leite em pó e condensado.” Há condições no mercado para investimentos dessa natureza, acredita ela. Embora Mato Grosso do Sul ocupe apenas a 10ª colocação no ranking nacional de produção de leite, existem produtores muito eficientes que responderiam de imediato a um aumento de demanda surgido pelas indústrias.

Enquanto isso, a provável saída será pedir mais redução de impostos ao governo. E torcer para que o incentivo se reverta em benefício dos produtores. Isso porque, no mercado final, o consumidor continua pagando o mesmo que há cinco, seis meses pelo leite. O produtor reclama da indústria, a indústria culpa o varejo.

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