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22/12/2006 14:41

Político, Jacini já faz raio-x da segurança do Estado

Graciliano Rocha / Campo Grande News

O delegado da Polícia Federal Wantuir Jacini vai começar a despachar do prédio da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública logo após o Natal. Enquanto não é empossado como secretário – o que só vai ocorrer em 1º de janeiro – Jacini está se dedicando ao que chama de “estudo de situação”, um levantamento minucioso tanto da estrutura operacional da secretaria quanto dos resultados que podem ser medidos em números e relatórios.

“Estou fazendo o estudo da área da segurança, estou me inteirando, com base nisso, vamos tomar as decisões”, disse Jacini ao deixar a Sejusp no final da manhã de hoje.

A prática dos futuros secretários já despacharem dos prédios que vão ocupar a partir de janeiro faz parte do fair play que vem marcando a transição. Hoje, após a reunião com o atual secretário Raufi Marques, ficou acertado que Jacini e um assessor que trouxe da Polícia Federal terão uma sala no prédio da Sejusp. Na reunião que durou cerca de três horas, o novo secretário conheceu o organograma da secretaria e ouviu uma explanação sobre a parte operacional da secretaria.

Jacini vai comandar uma estrutura que envolve diretamente 9 mil policiais, bombeiros, peritos e agentes penitenciários. O número é alto, mas por trás dele esconde-se um déficit. Na Polícia Militar, por exemplo, há 5 mil policiais na ativa – apenas dois terços do previsto pela lei (7.500).

Ele evitou falar em nomeações dos ocupantes de cargos-chave como o diretor-geral da Polícia Civil e os comandantes da PM e do Corpo de Bombeiros. Embora estivesse acompanhado do coronel Geraldo Orti, já apontado como o futuro comandante da PM, o futuro secretário insistiu em dizer que ainda não há definições. Orti foi o único graduado da Polícia Militar a participar da reunião com Raufi. “Ele estava apenas na condição de comandante do DOF (Departamento de Operações de Fronteira)”, disse.

O forte rumor da nomeação de Orti para o comando da PM é uma pista do que deve ser uma das principais diretrizes da nova secretaria: aumento do foco da Sejusp sobre a imensa e desprotegida faixa de fronteira com o Paraguai e a Bolívia. Embora a segurança das fronteiras esteja mais na alçada do governo federal, o sistema de segurança de Mato Grosso do Sul é diretamente afetado pela vizinhança com uma região conhecida por ser um território livre para o tráfico de drogas e armas e lavagem de dinheiro. Nas penitenciárias como Dourados, Ponta Porã e Corumbá, por exemplo, dois em cada três detentos tenha ido parar atrás das grades após serem detidos com drogas adquiridas em cidades como Capitán Bado e Pedro Juan Caballero (Paraguai) ou Puerto Suárez (Bolívia).

Wantuir Jacini chega gerando uma expectativa política de estreitamento dos laços com a Polícia Federal, principalmente no que se refere à inteligência policial. Ele próprio já diz que esta integração da PF com as polícias Civil e Militar se materializa, por exemplo, na sua nomeação. “Sou delegado cedido da Polícia Federal, estou sendo cedido, essa integração já está havendo”.

O novo secretário chegou aos quadros da Polícia Federal como agente em 1976. Quatro anos depois se tornou delegado. Ele já atuou em Mato Grosso do Sul quatro vezes, a última delas como superintendente da PF no Estado. Ele optou por continuar recebendo o salário de delegado da PF (R$ 15mil) mais uma gratificação de "não sei quanto" no período em que permanecer na secretaria.

O político - Embora chegue como quadro técnico, Jacini tem ligações antigas com o PMDB. Ele chegou a ser diretor-geral interino da PF em 1999, substituindo Vicente Chelotti.

Na ocasião da queda de Chelotti, um dos mais polêmicos diretores-gerais da história da PF, Jacini assumiu interinamente com forte apoio do PMDB para ser efetivado no cargo, mas esbarrou em fortes resistências dentro do Palácio do Planalto.

A queda-de-braço entre o então ministro da Justiça, Renan Calheiros, que apoiava Jacini, e o chefe da Casa Militar da Presidência, general Alberto Cardoso, que trabalhava por Zulmar Pimentel, motivou três meses de uma guerra de bastidores. A temperatura política ficou tão elevada por causa da nomeação que Jader Barbalho, então um poderoso cacique peemedebista no Senado, deu declarações públicas contra Cardoso.

O estica-e-puxa pelo cargo só terminou em 8 de junho daquele ano, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso nomeou João Batista Campelo para o comando da PF, na expectativa de acabar com o racha. A saída pela terceira via não funcionou. Renan sentiu-se desautorizado pela opção feita pelo presidente e pediu demissão do ministério.

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