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13/08/2004 07:50

Pólio e sarampo: imunização começa dia 21

Agência Saúde

De 21 de agosto a 3 de setembro, todas as crianças menores de 5 anos têm um compromisso inadiável: comparecer aos postos de saúde para participar da II Etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite (paralisia infantil). Só que essa etapa tem um apelo especial. Além da gotinha contra a pólio, as crianças vão receber também a vacina Tríplice Viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba. Em todo o país, durante 15 dias, cerca de 117 mil postos de saúde e 439 mil pessoas, entre servidores públicos e privados, além de voluntários, estarão envolvidos na mobilização. O atendimento será realizado no horário de funcionamento normal dos postos, das 8h às 17h.

“A proposta do Ministério da Saúde é completar a proteção das crianças contra a poliomielite e protegê-las também do risco da importação do sarampo”, afirma o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa. Todas as crianças menores de 5 anos – mesmo as que tomaram a vacina na primeira etapa da campanha deste ano – precisam receber a segunda dose contra a pólio. O Ministério da Saúde só pode assegurar o controle da doença se as duas doses forem aplicadas todos os anos.

Em relação à vacina contra o sarampo, o secretário explica que esse tipo de campanha é realizado pelo Ministério a cada cinco anos. “Para que o País se mantenha sem casos de sarampo é preciso fazer, além da vacinação normal, essa campanha especial”, reforça Jarbas Barbosa. “Mesmo o Brasil não tendo casos da doença há quase três anos, o sarampo ainda é muito comum em várias áreas do mundo, inclusive em países desenvolvidos como o Japão, Alemanha e Itália”, completa. A vacina evita a reintrodução da doença no Brasil por meio de turistas.

Nessa campanha contra o sarampo, o Ministério da Saúde vai utilizar a vacina chamada Tríplice Viral, que protege também contra a rubéola e a caxumba. “Se a criança já foi vacinada, a dose vai servir como um reforço”, destaca o secretário.



Outra vacina – Diferente da vacina contra a pólio, que simples gotinhas imunizam a criança, a Tríplice Viral é aplicada por meio de injeção. O secretário Jarbas Barbosa explica que, quando se trata de uma dose oral, a vacinação pode ser realizada por um voluntário que não seja profissional de saúde. Já quando a vacina é injetável, como no caso do sarampo, a aplicação só pode ser feita por um profissional de saúde capacitado. “O principal objetivo do ministério em realizar essa etapa da campanha em 15 dias é reduzir as filas nos postos de saúde para que os pais não deixem de levar os filhos para receber a dose”, afirma o secretário.

O Ministério da Saúde vai fazer todo um trabalho de divulgação para explicar aos pais a importância da vacinação contra a pólio e o sarampo. A idéia é obter um grande comparecimento das crianças aos postos. A meta é atingir uma cobertura vacinal de 95% das crianças menores de 5 anos em todo o país.

Nesta etapa, serão mobilizados menos profissionais de saúde do que de costume. “Nas campanhas contra a pólio realizadas em um único dia, mobilizam-se mais pessoas de uma vez só. Dessa vez, vamos mobilizar um número menor de pessoas, só que em um período maior de tempo”, explica o secretário. Ao todo, serão distribuídas 26,3 milhões de doses da vacina contra a pólio e 20,1 milhões da Tríplice Viral. O recurso investido será de R$ 103,5 milhões.



Epidemia – O último caso de poliomielite no Brasil foi registrado em 1989. Mesmo com a erradicação da doença, as campanhas continuam até hoje por medida de segurança. Assim como o sarampo, a pólio ainda está presente em outros países. São registrados casos da doença no Afeganistão, Egito, Índia, Niger, Nigéria, Paquistão e Somália.

A importação de doenças é um risco real se não forem tomados os cuidados necessários. Em 1995, o Brasil já havia alcançado um bom nível de controle do sarampo. Na época, em alguns estados brasileiros, achava-se que não era preciso participar da campanha de vacinação contra a doença, o que levou a uma cobertura vacinal muito baixa.

Como resultado, em 1996 houve a importação de casos de sarampo, vindos provavelmente da Itália, que levaram a uma epidemia em todo o país. Foram mais de 50 mil casos entre 1997 e 1998. A epidemia causou cerca de 60 mortes. Outro fator que levou à epidemia foi que a campanha não foi realizada por muitos estados em 1995.

“Hoje, a situação em relação ao sarampo está tranqüila. As pessoas só não podem duvidar da necessidade da vacina e correr o mesmo risco que em 1995”, destaca o secretário Jarbas Barbosa. Ele observa que, como todas as doenças que podem ser evitadas por vacinação estão em declínio, as pessoas tendem a subestimar o risco e achar que a vacina não é tão necessária. “Foi esse equívoco que levou a epidemia no Brasil em 1995 a matar cerca de 60 pessoas vítimas de sarampo”, alerta Jarbas Barbosa.



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