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21/07/2010 10:58

PF prende quadrilha que matava onças no Pantanal

Campo Grande News/ Ângela Kempfer

A Polícia Federal prendeu ontem quadrilha que ganhava dinheiro com abate clandestino de animais de grande porte, como onças pintadas, pardas e pretas, no Pantanal de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além do Paraná.

A Operação Jaguar, como foi batizada, em conjunto com o IBAMA, depois de de investigações que começaram por Corumbá.

As suspeitas surgiram com o aparecimento de carcaças de onças em algumas fazendas na região pantaneira e ainda o sumiço de felinos que estavam em monitoramento pelo IBAMA.

Em Mato Grosso do Sul foram presas 2 pessaos em Miranda e cumpridos 4 Mandados de Busca na cidade, além de 3 Mandados de Busca e Apreensão em Bodoquena.

Em continuidade às investigações, a PF constatou a presença de indivíduos, acompanhados do filho do mais famoso caçador de onça do Brasil, transportando em camionetas vários cães de raça, típicos para caça de grande felinos.

Os levantamentos evidenciaram que o conhecido caçador de onça e seu filho usavam da prática de capturar onças para encoleiramento, no contexto do programa Pró-Carnívoros, desenvolvidos pelo IBAMA, para acobertar sua atividade de caça clandestina e predatória.

Toda a ação criminosa do grupo se desenvolve quando os caçadores, brasileiros e/ou estrangeiros, ingressam no Pantanal por meio de aviões particulares, pousam em fazendas da região, equipados com modernas armas de caça. Nas fazendas utilizam os cães, normalmente cedidos pelo “caçador de onças” ou alguns fazendeiros que têm interesse em proteger seu gado do felino. Após os registros fotográficos dos abates, destroem as carcaças. Há evidências que alguns “troféus” são levados até para o exterior, vez que a PF constatou a frequente participação de uma pessoa, residente em Curitiba/PR, com conhecimento em Taxidermia – arte de empalhar animais.

Normalmente as caçadas predatórias são organizadas por outro caçador profissional identificado como E. A. S., residente em Cascavel/PR.

Pelos chamados “safáris”, os clientes pagavam por animal abatido, especificamente onça-pintada, parda e preta. Por um valor maior, tinham o direito à pele, cabeça ou a todo o animal, que era empalhado em Curitiba.

A PF não descarta a possibilidade de o grupo participar de safáris na África, introduzindo no Brasil, peles e partes de animais caçados naquele continente, inclusive no tráfico de marfim, cuja comercialização é proibida internacionalmente.

Acolhendo representação da Polícia Federal, a Justiça Federal de Corumbá autorizou o monitoramento do grupo e, nesta fase ostensiva da operação JAGUAR, expediu 7 Mandados de Prisão Temporária e 14 Mandados de Busca e Apreensão assim distribuídos:

No Paraná foram cumpridos 1 mandado de Prisão Temporária em Curitiba, 1 Mandado de Busca e Apreensão, em Cascavel foram 1 mandado de prisão e 2 de Busca e Apreensão; e em Corbélia, um de prisão e 1 de busca.


No Mato Grosso, em Rondonópolis foram 2 Mandados de Prisão Temporária e 3 Mandados de Busca; em Sinop (área rural)Atuação da PF e do IBAMA, com possíveis prisões em flagrante de caçadores em plena atividade predatória.

Os alvos, independentes das circunstâncias em que forem presos, serão indiciados nos crimes previstos na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9605/98) – Perseguir, caçar ou matar animais da fauna silvestre sem permissão – Pena de seis meses a um ano e ainda por porte ilegal de arma de fogo, cuja pena prevista é de até 4 anos de reclusão e mais o artigo 288 do Código Penal (Formação de Quadrilha ou Bando – Pena de 1 a 3 anos de reclusão.

A operação foi deflagrada ontem (20), por volta de meio-dia quando equipes de policiais federais e do IBAMA, utilizando viaturas tracionadas e ainda um helicóptero do IBAMA, prenderam em plena atividade de caça clandestina 8 pessoas, sendo 4 argentinos, 1 paraguaio e 3 brasileiros (um é policial militar do MT). Todos portando grande número armas e munições de diversos calibres. A PF efetuou a prisão do grupo na manhã, antecipando a “Grande Caçada” que estava agendada pelos predadores para ontem à noite, evitando assim o abate de um ou mais felinos.

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