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21/10/2004 09:27

Pesquisadores falam sobre o futuro dos jovens

Agência Notisa

Cientistas do Brasil, Canadá e Portugal reunidos na UFRJ afirmam que realidade do jovem no mundo será possível apenas quando sua nova identidade for reconhecida e aceita pela sociedade.

Cobertura especial - Agência Notisa - direto do Simpósio Internacional sobre a Juventude Brasileira, no campus Praia Vermelha da UFRJ, Rio de Janeiro



Não se interessam por eleições ou partidos políticos e são o grupo mais exposto à violência. Estas parecem ser características universais dos jovens hoje — em graus diferentes, é claro —, sejam eles brasileiros ou europeus, ricos ou pobres. Apesar dessas semelhanças, justamente o não-reconhecimento da nova identidade do jovem seria o principal entrave para a real solução dos problemas ligados à juventude. “O problema é que as políticas públicas em geral não têm chão. Na Europa temos projetos lindos no papel, mas que na prática não surtem efeito nenhum”, afirmou José Machado Pais, da Universidade de Lisboa, durante mesa-redonda no Simpósio Internacional sobre a Juventude Brasileira, realizado na UFRJ (Praia Vermelha). Participaram ainda do debate Madeleine Gauthier, da Universidade de Quebec (Canadá), e José Vicente Tavares, da UFRGS.



“Como pensar em incluir os excluídos em uma sociedade que, por princípio, exclui?”, questionou Pais. Na opinião de José Tavares, o desafio do mundo contemporâneo, nesse contexto, seria definir “qual é o modelo de controle social e de socialização que nossa sociedade quer”. Segundo o pesquisador, “devemos reconhecer de novo a presença do jovem na sociedade hoje, e não jogá-lo em um futuro que nunca chega”.



Violência e juventude

“A violência aparece como realidade, linguagem, conduta e, às vezes, até como a própria norma”, afirmou Tavares sobre grande parte da realidade brasileira hoje. Ela surgiria, segundo o professor, de uma situação de excesso do uso da força, na qual a possibilidade da discórdia não é admitida



Na opinião de Tavares, está em curso um verdadeiro genocídio da juventude e é necessário pensar em alternativas, que de fato encerrem a lógica da brutalidade. Ele citou três possibilidades: a repressiva, que abandona o processo pedagógico e apela ao poder judiciário e à ação policial; a medicalizante, que vê a criminalidade como uma patologia a ser tratada — ela afasta o infrator do convívio e o submete a tratamentos clínicos; e a alternativa dialógica, que encara a violência como uma catarse social, como na tragédia grega.



Nesta perspectiva, que o pesquisador considera a ideal, os princípios da violência deveriam ser desconstruídos e construídos continuamente com toda a sociedade. “É necessário assumir o conflito como parte da vida social partindo do princípio de que todos temos o direito de viver em sociedade”. A existência de conflitos em potencial seria assumida, mas a necessidade de mediação e negociação também.



Política e cidadania

Para Madeleine Gauthier, “as gerações anteriores devem perceber que os temas que mobilizam os jovens, hoje, mudaram”. Segunda ela, a visão de que os jovens de hoje são apáticos e não se interessam por política está atrelada à pouca participação destes no processo eleitoral. “Os meios de participação política dos jovens são bem mais numerosos do que pensamos”, afirmou.



Hoje, o engajamento estaria voltado mais para áreas como ecologia, saúde e paz mundial. “Temas relacionados à reciclagem e ao melhor aproveitamento da água, geralmente são os jovens que levam para dentro de casa”. “É sempre uma minoria que tem tempo, energia e que considera realmente importante mudar a realidade à sua volta”, disse. A pesquisadora ressalta que “a transmissão do interesse pela participação coletiva não se faz somente de velho para jovem, ou entre jovens: eles também influenciam suas famílias, muitas vezes modificando seus hábitos”.



Segundo Gauthier, o interesse do jovem por assuntos ligados à coletividade começa muito cedo. Recentes estudos canadenses entrevistaram militantes de diferentes áreas e identificaram que, em geral, este interesse já podia ser identificado 15, 20 anos antes, quando estes ainda eram apenas crianças. Além disso, concluíram que os militantes de hoje também estão convencidos de que podem mudar o mundo, assim como os de ontem.



Nova cidadania

Na opinião de José Pais, “as novas formas de cidadania talvez estejam ligadas às expressões culturais”. O pesquisador, ao falar do Brasil, disse surpreender-se como muitos jovens brasileiros se chamam de “caras”. Pais explicou que a linguagem dá significado ao mundo, sendo assim, podemos analisar alguns aspectos das realidades sociais através da língua. Pode-se concluir, continuou, que “ao mundo dos ‘caras’, se contrapõe o dos ‘coroas’, os ‘caretas’”.



Assim como existe o mundo dos caras, existe também o dos skaters, o dos grafiteiros, cada qual participando da sociedade e interagindo com ela de uma maneira. “Falar de cidadania, hoje, significa falar de ‘caras’: incluir e compreender a identidade do jovem”, disse.



(Agência Notisa – jornalismo científico - scientific journalism)

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