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06/04/2005 12:47

Pesquisa compara leite humano para prematuros

Agência Notisa

Recém-nascidos prematuros necessitam de atenção especial quanto à alimentação. Para que seu desenvolvimento não seja comprometido, é esperado que ele ganhe peso com a mesma velocidade que um bebê com a mesma idade pós-concepcional. No entanto, o estresse a que são submetidos pressupõe maior necessidade calórica. Com o objetivo de evitar a administração indiscriminada de fórmulas lácteas artificiais, pesquisadores do Instituto Fernandes Figueira avaliaram e compararam o conteúdo energético do leite humano cru (LHC) e do leite humano processado (LHP) oferecidos aos recém-nascidos com baixo peso.

No estudo foram coletadas 462 amostras de leite humano (401 de LHP e 61 de LHC). Segundo artigo publicado no Jornal de Pediatria (edição nov/dez 2004), “apesar das inúmeras vantagens, vários trabalhos vêm demonstrando que a utilização exclusiva do leite humano para a nutrição de recém-nascidos com muito baixo peso (RNMBP) proporciona velocidade de crescimento menor se comparada ao uso de leite artificial. Este fato pode ser explicado pela concentração insuficiente de certos nutrientes no leite humano, principalmente proteínas, lipídeos e eletrólitos. Mesmo com essa inadequação, o uso de leite humano para os RNMBP é recomendado devido aos benefícios gerados na estimulação dos mecanismos de defesa do organismo e pelo perfil único dos componentes gordurosos”.

As amostras de leite humano processado, utilizadas na pesquisa, haviam sido previamente pasteurizadas, congeladas e enviadas ao banco de leite. Posteriormente, o material foi enviado ao lactário, sendo descongelado, aquecido, distribuído e fornecido à Unidade de Terapia Intensiva Neonatal – onde foi realizada a coleta –. Segundo os pesquisadores, “durante todo esse processo, são verificadas perdas energéticas significativas, principalmente no teor de gordura, principal fonte calórico-energética do leite humano. Os processos de congelamento e descongelamento facilitam sua aderência às paredes dos frascos armazenadores e dos acessórios utilizados para sua administração ao recém-nascido (equipos e seringas de plástico)”. No caso do LHC, a coleta de material para a pesquisa foi feita diretamente do seio de mães atendidas no Instituto Fernandes Figueira. Poderia existir alguma preocupação com o fato do LHC expor o recém-nascido prematuro a bactérias. Segundo a equipe, ”evidências comprovam que o leite humano mantém suas características bacteriostáticas inalteradas durante um período de até 6 horas se conservado em temperatura entre 19 e 26 °C ou por até 48 horas se conservado em refrigeração, o que enfatiza a segurança para a administração do leite cru coletado na hora da oferta”.

O estudo demonstra que o conteúdo energético do leite humano cru (85,9 kcal/100ml) é superior ao do leite humano processado (53,6 kcal/100 ml). A equipe afirma que, “o conteúdo energético das amostras de LHP avaliadas demonstrou que o teor calórico não era o mais adequado para garantir o suporte nutricional desejável a um recém nascido com muito baixo peso”. Quando a necessidade do uso do leite humano processado for clinicamente diagnosticada, o artigo reafima que “o único LHP seguro para a oferta aos bebês prematuros é proveniente dos bancos de leite, que são centros especializados na promoção e incentivo ao aleitamento materno. Eles são responsáveis pela coleta, processamento e controle da qualidade do leite humano doado”.

Pesquisas enfatizam que a nutrição inadequada para recém-nascidos prematuros ou em períodos precoces da infância pode resultar, na vida adulta, em taxas altas de colesterol, hipertensão arterial e diabetes. De acordo com os pesquisadores, “cuidados simples no ato da oferta do leite humano ao recém-nascido tornam-se medidas eficazes para diminuir as perdas calóricas, tais como: posicionar verticalmente as seringas, diminuir ao máximo possível o tempo de infusão de dietas e homogeneizar regularmente o leite ofertado, proporcionando melhor ganho calórico e, conseqüentemente, melhor ganho de peso. Além disso, o teor de gordura do LHP pode ser estipulado por prescrição médica.” Para a equipe, a base para a alimentação adequada de recém-nascidos deve ser a análise do conteúdo calórico do leite que chega à criança, e a estimulação do uso do leite da própria mãe.


Agência Notisa (jornalismo científico - science journalism)

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