Cassilândia, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016

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19/03/2016 11:00

Perder peso controla a pressão arterial

Educação Física.org

 

Mudanças no estilo de vida têm papel fundamental no controle da hipertensão, sendo uma solução de fácil acesso e barata. Medidas como perda de peso são simples e podem colaborar de forma decisiva para reverter as estatísticas negativas que predominam. A hipertensão é hoje o principal fator de risco para a ocorrência de doenças cardiovasculares, atingindo de 11 a 20 por cento da população brasileira.

Porém, quatro fatores não farmacológicos são capazes de auxiliar tanto a prevenção quanto o tratamento dela, são eles: aumento da atividade física, perda de peso, menor ingestão de sódio (sal comum de cozinha) e controle dos níveis de potássio. Muitos estudos vêm sendo realizados a fim de compreender melhor de que maneira tais recursos podem ser utilizados.

Maria Alice Pereira, Roberto Galvão e Maria Teresa Zanella, pesquisadores do Hospital do Rim e Hipertensão da Universidade Federal de São Paulo e autores de artigo publicado na Revista de Nutrição de janeiro/fevereiro desse ano, acreditam que “as mudanças no estilo de vida podem auxiliar no tratamento de hipertensão arterial”. Em estudo realizado por eles com o objetivo de avaliar a atuação desses fatores simultaneamente, dois resultados foram bastante significativos.

Dos 22 pacientes hipertensos analisados durante as 12 semanas e que chegaram até o final do estudo, 10 fizeram suas refeições utilizando sal de cozinha tradicional, a base de cloreto de sódio, e 12 receberam sal contento 50% de cloreto de sódio e 50% de cloreto de potássio. Todos tinham idade entre 23 e 67 anos, faziam uso de diuréticos e apresentavam obesidade ou sobrepeso, entre outras características determinadas pelos pesquisadores.

Após orientações sobre exercícios físicos e dietas a serem seguidas, os
pacientes foram rigorosamente avaliados em cinco diferentes ocasiões. Nestas foram realizados exames para avaliar a pressão arterial, reqüência cardíaca, peso corpóreo (incluindo índice de massa corporal – IMC) e medida da cintura. Para testar a aderência ao consumo de sal, houve a necessidade de realizarem coletas de urina durante o período noturno.

No final das 12 semanas foi possível perceber que em ambos os grupos houve redução significativa de peso e pressão. Contudo, os pesquisadores associaram a redução da pressão arterial não a essa diminuição do que eles chamam de “massa gorda” ou ainda do IMC. Eles puderam concluir que as “alterações no estilo de vida promovem reduções na pressão arterial, proporcionais às reduções na gordura abdominal”, ou seja, as reduções percentuais da pressão arterial sistólica têm “correlação significativa com as reduções percentuais observadas na medida da circunferência da cintura”.

Por outro lado, a pesquisa também pôde concluir que, diferentemente do que afirmavam estudos anteriores, a suplementação de potássio não foi eficiente, já que apenas 29% do cloreto de sódio foi substituído. “A quantidade administrada de sal de cozinha contendo cloreto de potássio não impediu a redução dos níveis séricos (no exame de sangue) de potássio abaixo do limite inferior de normalidade”, afirmam os pesquisadores. Eles apontam a possibilidade desse resultado estar diretamente relacionado ao fato de muitos dos pacientes analisados realizarem suas refeições fora de casa – hábito muito comum à grande parte dos brasileiros atualmente – apesar de na pesquisa em questão as refeições terem sido preparadas em casa.

Os autores lembram que mesmo pequenas alterações como as propostas têm grande importância se levarmos em consideração dados, como os obtidos nos Estados Unidos pela pesquisa, que afirmam ser muito baixas as taxas de controle da pressão arterial, ficando abaixo de 27% no mundo todo. Eles também fazem questão de ressaltar que “este tipo de intervenção pode levar os valores da pressão arterial aos níveis de controle atualmente recomendados, evitando-se a necessidade de administrar outro medicamento para melhor controle da hipertensão”, o que seria de grande importância quando falamos de populações carentes, com poucos recursos para a aquisição de medicamentos.

Fonte: Agência Notisa

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