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18/11/2008 21:08

Pasquale condena reforma ortográfica e explica mudanças

Paulo Fernandes/Campo Grande News

Em Campo Grande, onde proferiu palestra, o apresentador do programa Nossa Língua Portuguesa, da TV Cultura, colunistas de diversos jornais, autor de livros e consultor da Rede Globo, Pasquale Cipro Neto, fez duras críticas à reforma ortográfica que entram em vigor a partir do dia 1º de janeiro de 2009.

Pasquale classificou as mudanças de “exageradas”, “uma piada” e “desnecessárias” e alertou sobre as confusões que elas podem gerar. São mudanças em três grandes grupos: na aplicação do hífen; no uso dos acentos gráficos, inclusive com o fim do trema; e o retorno ao alfabeto brasileiro das letras w, y e k, que perdem a condição de clandestinas.

Apesar das críticas, Pasquale ponderou que as mudanças são apenas ortográficas. “O que muda é a ortografia, que não tem nada a ver com a língua”, afirma. “O trema vai embora, mas vão continuar comendo feijão com lingüiça. A leitura não muda”, diz.

O professor explica que a alteração poderá provocar confusão na pronúncia das palavras. “Se qüiproquó já lêem ‘quiprocúó’, aí é que vão ler errado mesmo”, afirmou. O exemplo não poderia ser mais adequado, já que qüiproquó significa “confusão duma coisa com outra” ou “situação cômica ou faceta resultante de equívocos”.

No período de 1º de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2012, a norma ortográfica atual também permanecerá em vigor. Será um período de adaptação, em que as duas regras serão válidas. “Os principais jornais já colocam as mudanças em prática na virada do ano (...) e teoricamente as novas regras poderão ser cobradas nos concursos públicos”, afirma.

As mudanças vão atingir menos de 0,5% das palavras, ou uma em cada 200. O objetivo da mudança é o de criar uma unidade gráfica entre Portugal, Brasil, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor Leste . Será a terceira mudança ortográfica da língua portuguesa. As outras reformas aconteceram em 1943 e 1971.

Acentos diferenciais - Entre as alterações está o fim dos acentos diferenciais. “Essa mudança não têm nada a ver com a unidade gráfica. Os caras (sic) exageraram. Fica o acento em pôde e no verbo pôr. Só”, afirma.

As mudanças podem gerar dubiedade. É o caso do acento diferencial da palavra “pára”, do verbo “parar”. “Imagina o título: ‘Trânsito pesado para São Paulo’. Muda tudo. O título fica dúbio”, afirma o professor. “Enquanto isso, a palavra forma passa a ter acento optativo. È uma piada”.

Outra mudança é o fim do acento agudo em hiatos precedidos por ditongo como na palavra “feiúra” e em vogais repetidas em “crêem”, “dêem”, “lêem”, “vêem”, “enjôo” e “vôo”. Também caem os acentos nos ditongos abertos “éi” e “ói” de palavras paroxítonas como “idéia”, “assembléia”, “geléia”, “platéia”, jibóia”, “bóia”, “heróico” e “jóia.

Hífen e incertezas - Com relação ao hífen, Pasquale explicou existem controvérsias sobre algumas regras, que não estão claras. “Deve sair o vocabulário ortográfico em fevereiro. Esperem. Não comprem aqueles dicionários que estão vendendo com o novo vocabulário”, afirmou.

Uma das duvidas é com relação a palavras iniciadas pelo prefixo “re” como “remetente” e “reeleição”. Pasquale acredita na manutenção da grafia.

Para os portugueses – Para quem mora em Portugal, as mudanças serão mais radicais, com a perda de letras em palavras como “húmido”, que passa a ser “úmido” e “victma” para “vítima”, como no Brasil. Outra mudança é a palavra “beringela" deles, que passa a ser escrita como no Brasil, com “j”.

Pasquale veio para Campo Grande a convite da escola J. Piaget. A palestra aconteceu nesta terça-feira, na Câmara Municipal de Campo Grande.



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