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12/11/2014 18:00

Para viúva, homem de confiança matou pecuarista por dívida de R$ 357 mil

Renan Nucci, Campo Grande News
Patrícia acredita que uma dívida que Thiago tinha com 'Max' pode ter motivado o crime. (Foto: Adriano Fernandes)Patrícia acredita que uma dívida que Thiago tinha com 'Max' pode ter motivado o crime. (Foto: Adriano Fernandes)

O pecuarista Maximiliano Ramos, 45 anos, encontrado morto em uma chácara no final da tarde do dia 18 de outubro, tinha o assassino, o corretor Thiago Baez de Arruda, como um dos seus homens de confiança nos negócios. Segundo a viúva Patrícia Camargo Viafora Ramos, uma dívida de R$ 357,650 mil que o autor possuía junto à vítima pode ter motivado o crime. Thiago, tido como principal suspeito, está desaparecido desde que o caso veio à tona.

Patrícia explica que o marido conhecia o corretor há cerca de três anos. Eles tinham bom relacionamento na vida pessoal e profissional, tanto que o pecuarista vendeu 270 vacas para ele. “Eu não o conhecia tão bem assim, mas sei que, até então, Thiago tinha a confiança do meu marido. A gente até planejou uma viagem juntos”, disse a viúva ainda abalada com a situação. “Ele [Thiago] destruiu uma família inteira”.

Patrícia relatou com detalhes como foram os últimos dias do marido. O casal vive em Campo Grande, mas possui fazendas em Camapuã. No dia 14 de outubro, uma terça-feira, eles foram para o município do interior. Logo que chegou, Maximiliano recebeu convite de Thiago para visitar algumas propriedades rurais da região para avaliar a compra de gado.

A viúva diz que começou a notar algo diferente na quarta-feira (15), quando o assassino passou a insistir para que ela fosse passar o dia com sua namorada, como se quisesse desviar sua atenção. Na manhã do dia 16 eles foram até a casa da mulher. Patrícia ficou no local, enquanto que o pecuarista e Thiago saíram para fechar os negócios, em uma GM S-10 do corretor. “A namorada dele me disse que estava agradecida pela minha visita, mas que a insistência partiu de Thiago. Foi quando comecei a desconfiar”, relatou.

O Crime - Os amigos seguiam com destino às fazendas da região. Como Patrícia estava com o celular descarregado, o marido deixou o seu aparelho com ela. “Ele falou que se precisasse, poderia ligar no telefone do Thiago”. Quando foi por volta das 14h, o corretor telefonou avisando que a compra de gado não deu certo, e que ele e Maximiliano iriam para outro lugar.

Mais tarde, já por volta das 18h, Thiago voltou a ligar afirmando precisava encontrar com Patrícia em um posto de combustíveis que fica na saída para Campo Grande. Durante o telefonema, ele afirmou que ia se atrasar pois precisava descarregar “algumas coisas” em uma chácara, e que não iria mais fazer um jantar entre os casais o qual haviam previamente combinado, já que o pecuarista estava supostamente cansado.

“Eu estranhei a situação, mas fui com a namorada dele até o posto. Quando ele soube que ela estava comigo, pediu para ela voltar imediatamente. Foi quando comecei a me preocupar”. As horas se passaram e o marido não voltou para a casa. Por volta das 6h do dia 17, Patrícia começou a acionar amigos, funcionários e conhecidos, em busca de notícias. Mais tarde, já por volta das 16h, foi até a delegacia para informar as autoridades sobre o possível desparecimento.

“Na manhã do dia 18 nós registramos a ocorrência e fomos com o delegado na suposta chácara onde Thiago disse que iria descarregar alguma coisa com meu marido. Já no final da tarde, o corpo dele foi encontrado em uma área arada atrás da sede”, disse Patrícia, lembrando que ao ver o marido morto, entrou em desespero. “Pensei em me matar. Não queria acreditar, mas ao mesmo tempo queria que fosse Thiago enterrado naquela cova”.

As causas – A mulher alega que o marido vendeu 270 cabeças de gado para o assassino. O crime foi descoberto no dia 18 de outubro, um sábado, e a primeira parcela da compra seria cobrada na segunda-feira seguinte. “Não tenho dúvidas de que Thiago matou ‘Max’ por causa da dívida”. Após o crime Thiago não foi mais visto. A camionete dele, comprada de uma terceira pessoa mas que não teve nenhuma prestação paga, foi apreendida na Capital. Havia manchas de sangue no banco do passageiro.

Abalada, Patrícia diz que tem buscado forças na família e na religião. Ela foi casada com Maximiliano por 18 anos, e teve duas filhas com ele, hoje com 12 e 16 anos. “Ele destruiu minha família. Arrancou meu grande amor e deixou duas meninas sem um pai. Todos os familiares ainda sofrem com o que aconteceu. Espero que a justiça seja feita, e que Thiago pague pelas suas ações”, completou. Ela também é pecuarista e agora vai assumir os negócios do marido.

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