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17/04/2015 07:27

Para conquistar o amor da caixa, ele depositava todos os dias R$ 500 em lotérica

Paula Maciulevicius, Campo Grande News

 

Quem quer, arruma um jeito, quem não quer, encontra uma desculpa. Por um mês, Silvério depositou todos os dias R$ 500,00 no caixa da lotérica. A mesma quantia era sacada para que no dia seguinte ele depositasse o valor de novo. A estratégia exigia logística, sem carro e nem moto, ele saía de bicicleta da lotérica do bairro Aero Rancho até o banco na Avenida Bandeirantes. Tudo isso era para ver e quem sabe conquistar a funcionária do caixa, Flávia.

Deu certo. E eles estão juntos há 10 anos. Mas a história é engraçada até hoje e merece o registro, não só por se tratar de um final feliz, mas para provar que não tem desculpa quando se aposta num grande amor. Não sei se é pelo relato ou a forma de contar, mas Silvério tem um jeito muito brincalhão de narrar.

"À primeira vista foi assim: eu vi na lotérica, eu morava perto de lá e vim na cabeça com isso, eu vou conquistar ela. Aí tracei uma estratégia. Eu depositava R$ 500 e sacava. Passava um ou dois dias, eu depositava de novo", conta o vendedor Silvério Borges Cristaldo, de 31 anos.


Durante um mês ele seguiu a tal estratégia à risca, por trabalhar em curtume, Silvério admite que o cheiro do trabalho ficava impregnado nele. "Eu usava um perfume bem forte, porque trabalhando com química, você podia tomar uns 10 banhos por dia e se suasse, vinha à tona. E não sei se era o perfume, mas ela olhava diferente para mim", descreve.

Solteiro e engajado na conquista, Silvério passava na lotérica quando ia para academia. Como a rotina do expediente era noturna, ele tinha até o cuidado de dormir para evitar olheiras. A bicicleta ele nunca deixou aparecer, para se manter firme na posição de quem tinha R$ 500 para depositar todo santo dia.

Um belo dia, a multa de uma conta de água lhe exigiu o pagamento de R$ 600. "Eu já tinha depositado várias vezes, mas ia acabar meus R$ 500. Paguei a multa e deixei minha carteira lá, só com meus telefones", conta. A saída encontrada era também a cartada final. Silvério deixou a carteira só com os documentos e um bilhete "quem encontrar, favor ligar" com dois celular, um Claro e um Vivo.

A confiança de Silvério de que a conquista estava dando certo vinha dos risinhos das atendentes. As funcionárias sempre davam um jeito, logo que o viam na fila, para que ele fosse atendido pela caixa dos R$ 500.

Apesar do "investimento" de um mês, quem puxou assunto e o convidou para sair foi a caixa. Flávia ligou, avisou da carteira e como já tinha o número dele mesmo, o chamou para uma festa na casa de amigos no próximo final de semana.


"Aí lascou, até então eu não tinha moto e nem nada. Eu tinha só uma bicicleta, ela não via e não sabia. No mesmo dia que ela me convidou, eu parei numa garagem, vi uma moto e falei para o vendedor que eu precisava urgente". No final da tarde da mesma data, Silvério saiu motorizado.

"Deu certinho e quando foi à noite, eu liguei para saber onde ela morava. Ela se ofereceu de passar para me pegar, mas eu disse que ia buscá-la".

As amigas da lotérica inventaram uma festa de aniversário como pretexto para que Flávia e Silvério saíssem. Na época, a funcionária que cedeu a casa era casada com um deficiente auditivo. A surpresa dele foi chegar à festa que não era aniversário de ninguém e não ter com quem conversar.

Quase um ano depois de engatarem o namoro é que ele contou à caixa como foi que tudo começou. "Eu já tinha conquistado, foi tanto dinheiro, que eu já tinha conquistado", brinca.

Flávia começa sua versão alegando que não foi pelo dinheiro. Faz questão de deixar claro que não tinha interesse algum. "Ele fica contando para todo mundo que eu achava que ele tinha dinheiro. Mas eu achava ele bonitinho, até que ele esqueceu a carteira...", diz a dona de casa, Flávia Aquino de Andrade, de 32 anos.

A vontade de sair com o moço dos R$ 500 a fez ligar quatro vezes até ser atendida. "Ele não teve iniciativa e eu estava doidinha pra sair com ele", brinca. No dia da carteira, Flávia e as amigas riram do nome. "Ela achou que era nome de idoso. Foi o maior sarro", lembra Silvério.

Um mês depois da saída eles começaram a namorar, se casaram em agosto de 2010, depois do nascimento do filho Enzo. "Na verdade valeu a pena, eu queria chamar atenção dela, começou com uma brincadeira, era mais para eu poder ir à lotérica", resume o marido.

 

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